Uma empresa do ramo financeiro que atua no volátil mercado de
capitais deve transmitir, sobretudo a seus clientes e colaboradores, valores
como solidez, sobriedade, modernidade e transparência – características
geralmente associadas à confiabilidade e às boas práticas
de governança. No caso da corretora de valores Planner, a busca
por essas características permeou o projeto de interiores de sua
sede na capital paulista, com aproximadamente 1,5 mil m².
Algumas escolhas realizadas pela arquiteta paulistana Patrícia
Anastassiadis, que já tinha experiência em projetar espaços
para empresas desse setor, evidenciam a atenção dada a tais
princípios. A começar pela recepção, área
de diretoria e sete salas de reunião, para as quais foram especificados
revestimentos nobres, como madeira (nogueira), mármore navona,
camurça e papel de parede em algodão belga.
Na principal sala de reuniões, o requinte é garantido por
uma mesa fabricada em nogueira maciça com centro esculpido em pedra
ônix e capacidade para 18 pessoas.
A arquiteta conta que um importante desafio foi estabelecer um ambiente
sóbrio e sofisticado, sem abrir mão do conforto e da discrição,
fatores de extrema importância em uma corretora de investimentos.
No local, onde trabalham diariamente 123 pessoas, funcionalidade e requisitos
ergonômicos foram priorizados.
Isso se faz notar, por exemplo, no piso. A nobreza do mármore
se alia à facilidade de limpeza; nas áreas que receberam
piso elevado (que guarda a infra-estrutura de telecomunicações
e energia, conferindo liberdade de layout), a aplicação
de carpete como acabamento proporciona conforto acústico. A mesma
preocupação em aliar funcionalidade à estética
justificou a especificação de painéis de marcenaria
nas paredes, mesclados com vidro e camurça para as áreas
mais nobres e com revestimento vinílico nos demais setores.
Já o conforto do usuário foi garantido pelo uso de cadeiras
ergonômicas, como as do modelo Mirra da Hermann Miller, e pelas
plataformas de operações. Essas últimas foram especialmente
desenhadas de acordo com a atividade exercida pelo operador, de forma
a comportar toda a infra-estrutura técnica necessária.
"Há muitas especificidades para o projeto de interiores de
corretoras", comenta Anastassiadis, lembrando que a mesa na qual
atua um operador da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), por
exemplo, apresenta particularidades técnicas em relação
à mesa de um operador da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros).
Ainda conforme a arquiteta, o projeto de telefonia, segurança e
do Centro de Processamento de Dados deve seguir regras rígidas,
de forma a garantir a confiabilidade e a estabilidade necessárias
a esses tipos de usos.
No entanto, foi a inspiração na variação
volumétrica que caracteriza a fachada do edifício, onde
a Planner ocupa o 10º andar, que permitiu a dose de ousadia necessária
para o projeto de interiores. Com seus vidros multifacetados e localizado
em uma esquina nobre da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na capital paulista,
o prédio – Birmann 31 – foi concebido pelo escritório
norte-americano Skidmore, Owings & Merrill (SOM) com a colaboração
do carioca Pontual Arquitetura.
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