É difícil comentar uma enorme exposição
como a 7ª BIA. Poderia transformar uma crônica em uma monótona
listagem, como os setores culturais dos jornais fazem com "os melhores
do ano". Talvez o problema esteja já no primeiro adjetivo:
enorme. Para um retrógrado conservador como eu, as artes plásticas
pararam nos anos 50, com um desconto para a escultura, arte cinética
e pop-op-art, que ainda são interessantes. Bienais de arte, suas
"instalações" e "arte-manifesto" não
passam de arte acadêmica.
Restam as Bienais de arquitetura, que poderiam informar muitíssimo
ao público sobre o que é arquitetura e os problemas das
cidades. Mas deveriam sofrer uma reformulação, não
de conceito, mas de apresentação. Talvez devêssemos
contratar agências de publicidade para pensar uma forma de torná-las
atrativas ao grande público. Afinal, lá estão temas
que interessariam a muitíssima gente, se bem apresentados. E o
problema é universal. Se soubesse como fazê-lo, naturalmente
o diria. Não sei, apenas sei que da forma atual (e universal),
cansam até os arquitetos - que dirá o público.
Os organizadores, no entanto, merecem todos os cumprimentos por conseguirem
montar em pouquíssimo tempo, e ainda com todos os problemas de
patrocínio, uma gigantesca exposição de arquitetura
e urbanismo.
De qualquer forma, aqui vão algumas sugestões descompromissadas
e sem conhecer a questão a fundo:
1) Parodiando o folclórico técnico Osvaldo Brandão
("vocês três fazem um quadrado no meio do campo"),
a Bienal deveria ser realizada a cada cinco anos, que é um período
mínimo para se verem novas tendências em arquitetura -
levando-se em conta os prazos de projeto e construção, porque
arquitetura é obra construída. Planos não realizados
são papel pintado e nem deveriam ser expostos.
Além disso, haveria mais tempo para organização,
uma solicitação menos freqüente de patrocínios
e tempo para convite aos grandes nomes da arquitetura, que são
piores que rock stars e têm a agenda preenchida por anos. E não
adianta ser demagógico: os pop-stars da arquitetura internacional
são atrações inquestionáveis.
Nesta 7ª BIA, por conta da correria (da qual os organizadores estão
longe de serem culpados - fizeram milagres) só tivemos a
série C do campeonato na área internacional, como o Corinthians.
2) A fase de debates e palestras não pode durar mais do que uma
semana. É o máximo que gente de fora da cidade, do estado
ou do país pode ficar, especialmente em uma cidade turisticamente
nula. Com a concentração das palestras, se ganha em intensidade,
em contactos e em público.
3) Esta não é uma sugestão, é novamente uma
confissão: não sei como, mas deve existir alguma forma mais
interessante de se mostrar arquitetura.
4) As instalações do magnífico prédio da
Bienal são vergonhosas. A iluminação é totalmente
inadequada para exposições, há escadas rolantes que
não rolam, faltam elevadores, o bar é de enésima
categoria, o auditório é patético e, como exceção,
a sensacional cor e iluminação dos sanitários os
transformaram em uma sala gélida do instituto médico legal,
mas realmente diferente.
5) Uma exposição de arquitetura deve ter uma montagem criativa:
a montagem deste ano foi a melhor organizada em termos de percurso e de
utilização dos painéis. Mas com mais tempo e recursos,
sei que os autores do projeto teriam capacidade de criar ambientes mais
interessantes.
6) É necessária uma seleção mais apurada,
ainda que não tão democrática. A exposição
geral de arquitetos é, realmente, geral - quando deveria
ser numerada, ou pelo menos arquibancada. É impossível alguém
ver com atenção tantos projetos, que, colados uns aos outros,
se embaralham, como revistas que misturam publicidade com fotos de projetos.
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