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Crônicas Agudas

COMUNIQUE-SE/ INTERESSADO: SRA. BIENAL
ALTERAR O PROJETO: PRAZO CINCO ANOS

POR SERGIO TEPERMAN

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É difícil comentar uma enorme exposição como a 7ª BIA. Poderia transformar uma crônica em uma monótona listagem, como os setores culturais dos jornais fazem com "os melhores do ano". Talvez o problema esteja já no primeiro adjetivo: enorme. Para um retrógrado conservador como eu, as artes plásticas pararam nos anos 50, com um desconto para a escultura, arte cinética e pop-op-art, que ainda são interessantes. Bienais de arte, suas "instalações" e "arte-manifesto" não passam de arte acadêmica.

Restam as Bienais de arquitetura, que poderiam informar muitíssimo ao público sobre o que é arquitetura e os problemas das cidades. Mas deveriam sofrer uma reformulação, não de conceito, mas de apresentação. Talvez devêssemos contratar agências de publicidade para pensar uma forma de torná-las atrativas ao grande público. Afinal, lá estão temas que interessariam a muitíssima gente, se bem apresentados. E o problema é universal. Se soubesse como fazê-lo, naturalmente o diria. Não sei, apenas sei que da forma atual (e universal), cansam até os arquitetos - que dirá o público.

Os organizadores, no entanto, merecem todos os cumprimentos por conseguirem montar em pouquíssimo tempo, e ainda com todos os problemas de patrocínio, uma gigantesca exposição de arquitetura e urbanismo.

De qualquer forma, aqui vão algumas sugestões descompromissadas e sem conhecer a questão a fundo:

1) Parodiando o folclórico técnico Osvaldo Brandão ("vocês três fazem um quadrado no meio do campo"), a Bienal deveria ser realizada a cada cinco anos, que é um período mínimo para se verem novas tendências em arquitetura - levando-se em conta os prazos de projeto e construção, porque arquitetura é obra construída. Planos não realizados são papel pintado e nem deveriam ser expostos.

Além disso, haveria mais tempo para organização, uma solicitação menos freqüente de patrocínios e tempo para convite aos grandes nomes da arquitetura, que são piores que rock stars e têm a agenda preenchida por anos. E não adianta ser demagógico: os pop-stars da arquitetura internacional são atrações inquestionáveis.

Nesta 7ª BIA, por conta da correria (da qual os organizadores estão longe de serem culpados - fizeram milagres) só tivemos a série C do campeonato na área internacional, como o Corinthians.

2) A fase de debates e palestras não pode durar mais do que uma semana. É o máximo que gente de fora da cidade, do estado ou do país pode ficar, especialmente em uma cidade turisticamente nula. Com a concentração das palestras, se ganha em intensidade, em contactos e em público.

3) Esta não é uma sugestão, é novamente uma confissão: não sei como, mas deve existir alguma forma mais interessante de se mostrar arquitetura.

4) As instalações do magnífico prédio da Bienal são vergonhosas. A iluminação é totalmente inadequada para exposições, há escadas rolantes que não rolam, faltam elevadores, o bar é de enésima categoria, o auditório é patético e, como exceção, a sensacional cor e iluminação dos sanitários os transformaram em uma sala gélida do instituto médico legal, mas realmente diferente.

5) Uma exposição de arquitetura deve ter uma montagem criativa: a montagem deste ano foi a melhor organizada em termos de percurso e de utilização dos painéis. Mas com mais tempo e recursos, sei que os autores do projeto teriam capacidade de criar ambientes mais interessantes.

6) É necessária uma seleção mais apurada, ainda que não tão democrática. A exposição geral de arquitetos é, realmente, geral - quando deveria ser numerada, ou pelo menos arquibancada. É impossível alguém ver com atenção tantos projetos, que, colados uns aos outros, se embaralham, como revistas que misturam publicidade com fotos de projetos.

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