Enfim, já que o artigo é a respeito da Bienal, imagina-se
que vai tratar de alguma coisa do que foi exposto. É evidente que,
em uma exposição cuja área deveria se medir em km²,
o resultado é uma salada. Por melhor que tenha sido o projeto,
falta unidade de conceito.
O que dá, como resumo, é para comentar alguns pontos que
chamaram a atenção:
1) Concurso internacional de escolas de arquitetura: é bom tirar
o "inter" do título.
2) Mostras institucionais: uma chatice burocrática, mas que se
justifica, se houver participação financeira.
3) Entidades: estão no seu papel, têm de se fazer representar,
uma menção especial para o trabalho da equipe da AsBEA do
Paraná, com as suas proposições para a cidade.
4) Salas especiais Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha: todos conhecemos
os projetos, portanto as salas funcionam como homenagens.
5) Arquitetos brasileiros convidados: os que realmente se interessam
por arquitetura conhecem a maior parte dos projetos. Nesse caso, as salas
funcionam como homenagens também. Para os que não conhecem
(e vaia para eles), uma boa oportunidade de ver alguns ótimos projetos.
6) Exposição geral de arquitetos: muito embora eu considere
certos programas de projeto fáceis de serem resolvidos (prédios
de apartamentos, escolas, residências), ainda assim chama a atenção
a casa projetada por Leiko Motomura, com estrutura de bambu.
7) Mostras especiais: um misto de homenagens e curiosidades equivalente
das quermesses, mas compostas individualmente de trabalhos e autores de
qualidade indiscutível. Como montagem diferente, destaco as miniaturas
das vilas de Palladio - apesar de que, na 6a Bienal, foram expostas
maquetes inglesas inacreditáveis de edifícios antigos e
modernos.
8) Arquitetos estrangeiros convidados: conforme mencionado anteriormente,
essas exposições necessitam ser preparadas com muito tempo
e o convite feito com muita antecedência. Os organizadores da exposição
foram heróis por terem trazido em tão curto tempo tanta
coisa e tanta gente, ainda que a maior parte jogue na segunda divisão.
Mas alguns trabalhos merecem comentários particulares: a) A exposição
da Suíça, montada em três dimensões, lembrando
as perspectivas de Escher. E o incrível comentário escrito
de que 30% da área da Suíça é ocupada por
residências, e que, portanto, só se constrói lá
substituindo, reformando ou derrubando outro prédio, como compensação.
Segundo os suíços, eles perdem o equivalente a cinco campos
de futebol por dia com estradas, ferrovias, etc. Deve ser por isso que
eles jogam tão mal, e o time do lado alto do morro ganha sempre,
porque não há área plana. Aqui no Brasil perdemos
uns cinco campos por hora, mas como o país é grande e há
muita área plana, somos penta.
b) Ready to take off, exposição alemã demonstrando
o poderio da arquitetura de exportação, ainda que média
como qualidade. Mesmo assim, continuam invadindo o mundo, só que
em vez de Panzers usam umas malas tipo Ludwig Vuitton, que se abrem mostrando
os projetos.
c) O tradicional show tecnológico da arquitetura britânica,
com Hopkins Architects.
d) A incrível casa pendurada em um penhasco no Japão, com
quatro metros de largura, de Shohei Endo.
e) E para completar, do meu ponto de vista, as vedetes da Bienal foram
as edificações felizmente não-sustentáveis
que usam madeira: além da casa brasileira de bambu e da ponte suíça
da via Mala (nome dado devido aos assaltos praticados nela séculos
atrás. Hoje em dia, a Suíça assalta eletronicamente),
vale citar três exemplos.
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