O primeiro é o centro coreográfico de Rillieux, na França,
que parece um mercado ou ponte coberta da idade média, mas totalmente
contemporânea. Houve ainda os reconhecidamente famosos escandinavos
(todos), porque haja floresta de pinheiros, abetos ou álamos para
derrubar! O centro de cultura de Katuaq, na Groenlândia (possessão
dinamarquesa) e os maravilhosos projetos de Jarmund /Vigsnaes na Noruega.
Os edifícios, feitos com bastante madeira, se integram totalmente
à floresta no verão de muitas horas de luz e, no inverno,
completamente envolvidos pelo branco.
Para completar este relato rápido da Bienal, dois pontos sobre
o Parque Ibirapuera. Mas, antes, uma explicação: recebi
críticas e elogios por não ter escrito sobre Oscar Niemeyer
no número especial de AU dedicado a ele. Não o fiz, porque
já escrevi tanto sobre Niemeyer que não saberia mais o que
escrever. E também porque, com tantos autores capacitados na mesma
edição, eu só faria repetir. Então vai agora,
no local adequado, no artigo sobre a Bienal, um comentário a respeito
de Niemeyer.
Primeiro, o edifício do Detran, detranado por anos de vandalismo
policial, vai abrigar o Museu de Arte Contemporânea e integrar o
conjunto cultural do Parque. Uma idéia brilhante. Por fim, visitei
a bonita e comovedora exposição de projetos de Oscar Niemeyer,
abrigada sob a grande marquise e aberta a todos, como Niemeyer deseja.
E me dei conta de que, neste momento, em que a nação inteira
comemora os inacreditáveis 100 anos produtivos de um dos maiores
arquitetos do mundo, os órgãos do patrimônio histórico
impedem que o autor do projeto do parque - e da marquise, que é
o seu elemento mais significativo e de integração -
corrija um erro de 50 anos que foi a não construção
do auditório e da ligação entre o auditório
e a Oca por uma marquise transversal.
Ao proibir Niemeyer de demolir aquele ridículo rabinho de concreto
sob o argumento de que está tombado, fazemos jus à nossa
origem, em que um papel vale mais que o talento da maior glória
cultural do país. É a eterna burrocracia ibérica,
a mesma que entendeu perfeitamente por que Cabral, homenageado com o nome
da avenida ao lado da ponta da marquise a demolir, recusou-se a continuar
a viagem para descobrir as Índias. Mas ora pois, pois, aqui as
índias já estão inteirinhas descobertas.
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