A CADA DIA SÃO LANÇADOS NOVOS MATERIAIS E PRODUTOS,
SISTEMAS CONSTRUTIVOS SÃO APERFEIÇOADOS E FERRAMENTAS
DE CAD E TI, PERIODICAMENTE ATUALIZADAS. HÁ AINDA AS CONTINGÊNCIAS
DE MERCADO, COMO AUTOMAÇÃO, SEM CONTAR A CRESCENTE IMPORTÂNCIA
DAS SOLUÇÕES PARA TORNAR EDIFÍCIOS DE QUALQUER
PORTE SUSTENTÁVEIS. COMO O ARQUITETO FAZ PARA SE MANTER ATUALIZADO?
MESTRADOS E DOUTORADOS, CURSOS DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
E DE ESPECIALIZAÇÃO SÃO BONS INVESTIMENTOS?
Acho
que sim, como para qualquer profissão e de acordo com as circunstâncias.
Quando a atividade de projeto está intensa, fazemos isso automaticamente
ao buscarmos soluções atualizadas e mais competitivas junto
às consultorias específicas que atualizam e especializam
nosso conhecimento. Em outras ocasiões vale a pena investir um
tempo ocioso para agregar mais conhecimento e explorar nichos de oportunidades.
Ao meu ver, tudo tem origem na curiosidade e daí os diversos caminhos
que se sobrepõem: atualização (no que se refere a
novas tecnologias, métodos, sistemas, legislação,
produtos etc.) é um processo contínuo; ampliação
de conhecimento, que pode também ter um caráter mais formal,
acadêmico, ligado direta ou indiretamente à profissão;
e de renovação, quando questionamos e reavaliamos nossos
paradigmas pessoais como um ano sabático.
Roberto Aflalo, arquiteto
A
educação continuada é uma grande opção
de crescimento profissional e, portanto, pode-se dizer que é uma
necessidade àquela parcela de arquitetos que atuam nas áreas
de pesquisa e ensino. A estes profissionais é praticamente imperioso
que continuem seus estudos na seqüência da graduação:
mestrado, doutorado, pós-doutorado e assim por diante. Aos profissionais
que atuam no desenvolvimento de projetos arquitetônicos, acredito
que a educação continuada não seja uma necessidade.
A sua atualização pode se dar no contato com outros profissionais,
no desenvolvimento e na organização de métodos próprios
dentro de seus escritórios, baseado nos seus anseios de melhorias
e também nas solicitações de seus clientes.
Flávio Lembert, arquiteto
A educação continuada é e será, cada vez
mais, um requisito necessário a qualquer atividade profissional.
No caso da arquitetura, ela esbarra nas delimitações de
um mercado, muitas vezes, mais ávido na manutenção
de procedimentos e modelos anacrônicos do que no desenvolvimento
de soluções técnica e culturalmente mais adequadas.
Entretanto, a diversidade de campos de atuação –
como arquitetura promocional, comercial, corporativa, reciclagem, restauro
e outros – exige conhecimentos e procedimentos peculiares que
não estão contidos nos cursos de graduação.
Cursos de pós-graduação e especialização
são locais excelentes para o desenvolvimento desses conhecimentos
e têm reforçado a capacitação técnica
de profissionais que neles se integram.
Rafael Perrone, arquiteto
A
educação continuada é uma necessidade para profissionais
de qualquer idade. No entanto, cursos como os de extensão e de
mestrado só são bons investimentos se realmente forem de
qualidade. Caso contrário, são perda de tempo e de dinheiro.
Também acredito que, além de focar um pouco mais nas suas
áreas de interesse, o profissional deve abrir os olhos e a cabeça
para outras áreas correlatas – ou não – como
literatura, artes em geral, música, cinema, filosofia, psicologia
e outras. A briga é grande e vai ficar cada vez pior. Quem não
falar várias línguas, não viajar para o exterior,
não for curioso, não escrever e falar português corretamente
irá, com certeza, ficar para trás. Ninguém pode se
contentar com o que já sabe.
Gianfranco Vannucchi, arquiteto
A permanente atualização em termos de novas tecnologias,
que surgem tanto no campo do design quanto no da construção
civil, é uma necessidade para o bom exercício profissional.
Essa atualização pode ser procedida de formas diversas,
em função dos problemas e condições de cada
arquiteto, mas sua efetivação é imprescindível.
Alberto Botti, arquiteto
Um
profissional qualificado deve, periodicamente, reciclar seu conhecimento
não apenas na sua área de atuação, mas ampliá-lo
cada vez mais com uma abordagem sistêmica e holística. Deve
incorporar à sua formação uma visão de mundo
que agregue as áreas científicas exatas, humanas, biológicas,
econômicas e ambientais, além das áreas do conhecimento
sensível como intuição, invenção, criatividade,
sensibilidade e renovação, com uma postura "pluridimensional"
que objetive a produção criadora como a reunião equilibrada
e harmônica dos mundos racional e sensível. Para atender
à complexidade da vida atual deve procurar estar além do
seu tempo e ser um eterno estudioso.
Siegbert Zanettini, arquiteto
