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Brasil

PLANORCON - RIO DE JANEIRO, RJ
VEJO O RIO DE JANEIRO
A NECESSIDADE DE AMPLIAR O AEROPORTO É INEGÁVEL. MAS COMO FAZÊ-LO SEM COMPROMETER O TERMINAL DESENHADO PELOS IRMÃOS ROBERTO?

POR SILVANA MARIA ROSSO FOTOS CELSO BRANDO



O Terminal de Passageiros do Aeroporto Santos Dumont - uma história de mais de 70 anos

No início de 1937 foi anunciado um concurso de anteprojetos para a construção da futura Estação Central de Passageiros de Aviões do Aeroporto Santos Dumont. O concurso, promovido pelo DAC (Departamento de Aeronáutica Civil), contava com a colaboração do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) e teve como vencedores os arquitetos Marcelo e Milton Roberto. O processão não foi tão simples, entretanto, devido à insatisfação do júri com os 17 trabalhos apresentados, foi proposta uma nova etapa, disputada por cinco dos projetos participantes. A exigência era que o terminal de passageiros tivesse evidência e expressão, marcasse o aperfeiçoamento arquitetônico de sua época, fosse notório, de interesse público e repercussão internacional. O edifício deveria, ainda, servir de padrão às demais construções que fossem erguidas no Brasil e, diante de sua situação de visibilidade em relação à cidade, tivesse expressão e tratamento arquitetônicos condizentes com tais características tão especiais de seu sítio. O trabalho dos Roberto seria reconhecido e valorizado por incorporar o moderno conceito da conexão entre o edifício e os problemas urbanos. O terminal proposto pelos Roberto apresentava penetrações que eram praticamente uma continuação das vias de acesso. Além disso, o edifício aproximava o avião e a Baía de Guanabara da cidade pela transparência e magnitude do hall, que funcionava como articulador, permitindo a transição entre o espaço da praça e aquele espaço que estava além das vidraças: as pistas, os aviões, a Baía de Guanabara.

O anteprojeto vencedor do concurso caracterizava-se pela interseção de vários blocos e pela horizontalidade do conjunto, onde se destacava a torre de controle como elemento vertical. Na concepção já era evidente a opção pela linguagem moderna, presente na utilização do pilotis, na estrutura independente, na abstração pelo uso de elementos como linhas, planos, tramas e na nítida ausência de ornamentos. No entanto, o edifício não foi construído rigorosamente conforme o anteprojeto premiado, mas teve a essência da concepção mantida. Agora o terminal seria um grande volume horizontal, somado a um volume vertical, a torre de controle.

Não perderia a riqueza da concepção, que se mostraria em detalhes, como a marcação do portal, a ausência de alguns pilares em frente à grande vidraça do hall e o volume um pouco saliente do restaurante, na fachada voltada para as pistas.

Mas a história desse terminal de passageiros é marcada por muitos percalços. Já durante as obras houve o impacto negativo da Segunda Guerra Mundial que, em 1941, provocou a paralisação das obras, que só foram retomadas em 1944. O edifício foi finalmente inaugurado em 1947. Os primeiros anos de funcionamento foram marcados pelo glamour de uma época ainda fascinada pela presença do avião na cidade e pela idéia de ir ao aeroporto para contemplar a chegada e partida de aviões como uma forma de entretenimento.

Mais tarde, os vôos internacionais seriam realizados por aviões com motores a jato e de maior porte. As pistas do Santos Dumont tornaram-se curtas para operar tais aviões. Assim, na década de 1960, o aeroporto ficou restrito a vôos regionais e à ponte aérea Rio-São Paulo. O edifício sofreu reformas ao longo do tempo, algumas bastante equivocadas, como o acréscimo de pavimentos, visando à ampliação dos setores administrativos.

Em fevereiro de 1998, parte das instalações do aeroporto foi destruída por um incêndio, o que provocou uma queda na demanda e na oferta de vôos. Diante da destruição ocasionada pelo incêndio foram promovidas obras de recuperação do terminal de passageiros. Dessa recuperação, destaca-se o retorno à volumetria original do prédio graças à demolição dos dois pavimentos que haviam sido acrescentados.

Contudo, logo após a recuperação do prédio, a demanda do Santos Dumont voltou a crescer, e o aeroporto chegou a operar acima de sua capacidade. Desde então, começou a ser cogitada uma intervenção de maior porte, buscando adaptar o edifício a esse contexto de crescimento do tráfego aéreo.

Dentro desse contexto, o projeto de ampliação e modernização do Aeroporto Santos Dumont apresentado pelo escritório Planorcon consistia, essencialmente, na duplicação do volume existente, com a construção de um novo terminal conectado ao primeiro por um bloco de interligação. No lado da pista, outro volume alongado, o chamado conector, faz a ligação entre os terminais e as pontes (fingers) de embarque e desembarque. A proposta era dividir os fluxos para que o novo terminal funcionasse somente para o embarque, deixando para o terminal existente a função de desembarque. E assim o projeto foi sendo desenvolvido e apresentado aos órgãos oficiais das diferentes esferas de governo.

O objetivo era aumentar a capacidade de atendimento de 3,2 para 8 milhões de passageiros/ano. Também seria aumentada a área do terminal de 33 para 61 mil m².

>>> continua

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