No início de 1937 foi anunciado um concurso
de anteprojetos para a construção da futura Estação
Central de Passageiros de Aviões do Aeroporto Santos Dumont.
O concurso, promovido pelo DAC (Departamento de Aeronáutica
Civil), contava com a colaboração do IAB (Instituto
de Arquitetos do Brasil) e teve como vencedores os arquitetos Marcelo
e Milton Roberto. O processão não foi tão simples,
entretanto, devido à insatisfação do júri
com os 17 trabalhos apresentados, foi proposta uma nova etapa, disputada
por cinco dos projetos participantes. A exigência era que
o terminal de passageiros tivesse evidência e expressão,
marcasse o aperfeiçoamento arquitetônico de sua época,
fosse notório, de interesse público e repercussão
internacional. O edifício deveria, ainda, servir de padrão
às demais construções que fossem erguidas no
Brasil e, diante de sua situação de visibilidade em
relação à cidade, tivesse expressão
e tratamento arquitetônicos condizentes com tais características
tão especiais de seu sítio. O trabalho dos Roberto
seria reconhecido e valorizado por incorporar o moderno conceito
da conexão entre o edifício e os problemas urbanos.
O terminal proposto pelos Roberto apresentava penetrações
que eram praticamente uma continuação das vias de
acesso. Além disso, o edifício aproximava o avião
e a Baía de Guanabara da cidade pela transparência
e magnitude do hall, que funcionava como articulador, permitindo
a transição entre o espaço da praça
e aquele espaço que estava além das vidraças:
as pistas, os aviões, a Baía de Guanabara.
O anteprojeto vencedor do concurso caracterizava-se pela interseção
de vários blocos e pela horizontalidade do conjunto, onde
se destacava a torre de controle como elemento vertical. Na concepção
já era evidente a opção pela linguagem moderna,
presente na utilização do pilotis, na estrutura independente,
na abstração pelo uso de elementos como linhas, planos,
tramas e na nítida ausência de ornamentos. No entanto,
o edifício não foi construído rigorosamente
conforme o anteprojeto premiado, mas teve a essência da concepção
mantida. Agora o terminal seria um grande volume horizontal, somado
a um volume vertical, a torre de controle.
Não perderia a riqueza da concepção, que se
mostraria em detalhes, como a marcação do portal,
a ausência de alguns pilares em frente à grande vidraça
do hall e o volume um pouco saliente do restaurante, na fachada
voltada para as pistas.
Mas a história desse terminal de passageiros é marcada
por muitos percalços. Já durante as obras houve o
impacto negativo da Segunda Guerra Mundial que, em 1941, provocou
a paralisação das obras, que só foram retomadas
em 1944. O edifício foi finalmente inaugurado em 1947. Os
primeiros anos de funcionamento foram marcados pelo glamour de uma
época ainda fascinada pela presença do avião
na cidade e pela idéia de ir ao aeroporto para contemplar
a chegada e partida de aviões como uma forma de entretenimento.
Mais tarde, os vôos internacionais seriam realizados por
aviões com motores a jato e de maior porte. As pistas do
Santos Dumont tornaram-se curtas para operar tais aviões.
Assim, na década de 1960, o aeroporto ficou restrito a vôos
regionais e à ponte aérea Rio-São Paulo. O
edifício sofreu reformas ao longo do tempo, algumas bastante
equivocadas, como o acréscimo de pavimentos, visando à
ampliação dos setores administrativos.
Em fevereiro de 1998, parte das instalações do aeroporto
foi destruída por um incêndio, o que provocou uma queda
na demanda e na oferta de vôos. Diante da destruição
ocasionada pelo incêndio foram promovidas obras de recuperação
do terminal de passageiros. Dessa recuperação, destaca-se
o retorno à volumetria original do prédio graças
à demolição dos dois pavimentos que haviam
sido acrescentados.
Contudo, logo após a recuperação do prédio,
a demanda do Santos Dumont voltou a crescer, e o aeroporto chegou
a operar acima de sua capacidade. Desde então, começou
a ser cogitada uma intervenção de maior porte, buscando
adaptar o edifício a esse contexto de crescimento do tráfego
aéreo.
Dentro desse contexto, o projeto de ampliação e modernização
do Aeroporto Santos Dumont apresentado pelo escritório Planorcon
consistia, essencialmente, na duplicação do volume
existente, com a construção de um novo terminal conectado
ao primeiro por um bloco de interligação. No lado
da pista, outro volume alongado, o chamado conector, faz a ligação
entre os terminais e as pontes (fingers) de embarque e desembarque.
A proposta era dividir os fluxos para que o novo terminal funcionasse
somente para o embarque, deixando para o terminal existente a função
de desembarque. E assim o projeto foi sendo desenvolvido e apresentado
aos órgãos oficiais das diferentes esferas de governo.
O objetivo era aumentar a capacidade de atendimento de 3,2 para
8 milhões de passageiros/ano. Também seria aumentada
a área do terminal de 33 para 61 mil m².
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