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Reportagens

FORMAS DE ABRIR
DAS PRATELEIRAS DAS LOJAS DE MATERIAL DE CONSTRUÇÃO ÀS BuTIQUES ESPECIALIZADAS, AS FECHADURAS E MAÇANETAS PASSARAM POR UMA VERDADEIRA REVOLUÇÃO AO LONGO DOS ÚLTIMOS 60 ANOS

POR GISELE C. CICHINELLI


Durante séculos, as portas de entrada da maior parte do mundo ocidental eram trancadas por fechaduras que funcionavam por um sistema de encaixe entre as placas internas do mecanismo e o modelo das chaves, cujas combinações de segredos variavam bem pouco. No século 20, o surgimento da fechadura de cilindro permitiu que o sistema ficasse muito mais seguro. As chaves passaram a ser mais finas, leves e fáceis de carregar e os segredos, mais complexos.

Se até a década de 1980 o principal foco de desenvolvimento da indústria era a funcionalidade, desde os anos de 1990 um enorme salto tecnológico e no design desses componentes movimenta o mercado. As novas tecnologias, o fomento da qualidade e desempenho das peças e o desenvolvimento de produtos que contemplam a ergonomia permitiram a criação de novos produtos, antes tecnicamente inviáveis.

Ainda que alguns decretem o seu fim, a maçaneta ganha valor estético passando a ser incorporada como um elemento decorativo. "Hoje, a maçaneta é um sinal sutil e elegante aplicado à porta", comenta o designer italiano Luciano Deviá, que desenha para um dos maiores fabricantes nacionais.

Fim das chaves
Com o avanço da tecnologia baseada em chips de silício na década de 90, as fechaduras eletrônicas surgiram como uma das maiores revoluções nesse mercado. A evolução mais significativa e amplamente difundida mundo afora foi o teclado numérico com código de acesso. "Em Paris, por exemplo, onde não há porteiros, todas as portas dos prédios nas ruas são abertas com códigos. O conceito e a tecnologia foram perfeitamente assimilados pela população", lembra o designer Guto Índio da Costa.

Por aqui, o mercado de fechaduras eletrônicas ainda é restrito aos locais onde é exigido maior controle de acesso, como os hotéis. Acionadas por cartões eletrônicos ou magnéticos, armazenam uma série de informações, como sistemas de trava e controle da luminosidade no ambiente. Contudo, o sistema custa a decolar no segmento residencial.

O alto custo do investimento, a necessidade de energia elétrica para o funcionamento e menor resistência ao arrombamento, quando comparados ao sistema tradicional, são as principais razões apontadas para a restrição. "Também há a necessidade de se estabelecer uma grande rede de assistência técnica, capacitada e treinada para intervir quando for necessário e, de preferência, com preços acessíveis", ressalta Sandra Papaiz, vice-presidente do Sindicato da Indústria de Artefatos de Metais Não-Ferrosos no Estado de São Paulo (Siamfesp), responsável pela indústria de fechaduras.

Outro conceito em voga e amplamente propagado pela indústria é a biometria. Tal como nos filmes de ficção científica do passado, a identificação do indivíduo acontece por dados biométricos permitindo a abertura da porta pela leitura da digital, da íris, palma da mão ou mesmo o reconhecimento facial do morador.

Defendido por uns e questionado por outros, principalmente quanto à funcionalidade, ainda é impossível prever qual o futuro desse produto no mercado brasileiro. Para o designer Índio da Costa, a biometria eliminará a chave. "O indivíduo é a própria chave de acesso", argumenta.

 


Simples , inteligente, elegante e decorativo, o sistema proposto pelos alunos da faculdade de arquitetura de Turim elimina todo o "antigo" sistema de fechaduras e maçanetas. No projeto, cuja premissa era detectar e resolver problemas de convivência entre duas pessoas, foi instalado um sistema ótico com prismas dentro da porta. Nas alianças do casal, foram gravados códigos de barra personalizados que, ao tocarem o puxador, são reconhecidos e automaticamente destravam as portas

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