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Brasil

PLANORCON - RIO DE JANEIRO, RJ
VEJO O RIO DE JANEIRO
A NECESSIDADE DE AMPLIAR O AEROPORTO É INEGÁVEL. MAS COMO FAZÊ-LO SEM COMPROMETER O TERMINAL DESENHADO PELOS IRMÃOS ROBERTO?

POR SILVANA MARIA ROSSO FOTOS CELSO BRANDO

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Polêmica, a ampliação do terminal de passageiros do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, foi uma das medidas tomadas pela Infraero para tentar melhorar as condições do transporte aéreo no País. A falta de infra-estrutura para receber o crescente número de passageiros foi um dos principais motivos do estopim da crise deflagrada há mais de um ano pelo acidente com o jato da Gol sobre a Amazônia, mas já acometia o Santos Dumont desde o início deste século.

Setenta anos depois de ser concebida pelos irmãos Milton e Marcelo Roberto, a Estação Central de Passageiros do Santos Dumont não atendia mais às necessidades de um centro urbano como o Rio de Janeiro do terceiro milênio. Considerada um dos maiores exemplos da arquitetura modernista brasileira, a estação de passageiros passou por diversas reformas e adaptações até que, em 1998, foi parcialmente destruída por um incêndio. Seis meses depois de sua reinauguração o edifício foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural (Inepac).

Focado em vôos de curta distância, em 2004 o Santos Dumont havia ultrapassado em muito a sua capacidade de 1,8 milhão de viajantes por ano. Naquele ano, o tráfego de pessoas alcançou 4,8 milhões, sendo que três milhões eram originárias só da Ponte Aérea Rio-São Paulo. Estudos da Infraero também previam que o movimento dessa rota atingiria até 2010 cinco milhões de passageiros anuais, indicando que se fazia necessária uma ampliação.

Arquitetura e vista preservadas
Autor do projeto de recuperação do Terminal de Passageiros do Santos Dumont, o arquiteto Sérgio Jardim, da Planorcon, foi convidado pela Figueiredo Ferraz para assumir o plano de arquitetura do novo complexo. Arquiteto especializado em obras aeroportuárias desde a época da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU-UFRJ), Jardim recebeu o desafio de projetar a expansão de um edifício emblemático, tombado e inserido em um sítio tão representativo quanto o próprio terminal: a praça em frente e o Aterro do Flamengo são assinados por Burle Marx; o aterro abriga o Museu de Arte Moderna, de Afonso Eduardo Reyde, e o Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, projeto arquitetônico de Marcos Konder.

Diante da necessidade de ampliação e reforma do terminal, a Infraero submeteu o projeto ao Inepac e ao Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), além de realizar duas consultas públicas e de atender a todas as exigências dos órgãos de controle ambiental e urbanístico. "As orientações do órgão de preservação apontavam que o prédio existente fosse plenamente conservado em seu formato e volumetria, e que a vista para a Baía de Guanabara fosse mantida, particularmente a partir do saguão central", lembra o arquiteto.

Assim, e considerando as diretrizes do programa de necessidades, a solução encontrada por Jardim foi implantar as novas edificações de maneira a envolver o prédio existente com uma linguagem diferenciada e atual, que valorizasse e destacasse a arquitetura assinada pelos irmãos Roberto.

Em presença das limitações de área (visto que o pátio de aeronaves já existia, o alinhamento frontal assim como sua altura deveriam seguir os do prédio tombado), um dos edifícios do lado ar - ou seja, voltado para a pista - inevitavelmente ficaria frontal à edificação antiga, surgindo a necessidade de máxima transparência para preservar o panorama completo do pátio, da Baía de Guanabara e do Pão de Açúcar, além da visão do prédio existente e seus maciços arbustivos, os chamados blast fences, utilizados nos aeroportos do início do século 20 para minimizar o efeito de vento das hélices das aeronaves.

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