As
lideranças das principais entidades ligadas à arquitetura
comemoraram, ao longo de 2007, cada um dos passos rumo à criação
do CAU, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo. Alguns chegaram a imaginar
que a sanção da lei pela presidência da República
– o último gesto para a criação do conselho
e conseqüente desligamento do sistema Crea-Confea – se daria
no dia 15 de dezembro de 2007, data em que Oscar Niemeyer completou o
centésimo aniversário. Como todos sabem, nada disso aconteceu.
O presidente Lula vetou a lei. Dias após o revés, voltamos
a enfrentar sérios problemas, dessa vez em São Paulo, por
ocasião da turbulência nas eleições do IAB-SP
(detalhes sobre os dois fatos e a cobertura de seus desdobramentos podem
ser lidos no site de AU, www.revistaau.com.br,
e também no portal PINIweb, www.piniweb.com).
Isolados, tais acontecimentos já seriam preocupantes. Juntos, são
alarmantes para a representatividade profissional dos arquitetos. Não
apenas pelo que constituem em si, mas pela forma como transcorreram. Pairam
muitas dúvidas. Frente à justificativa de inconstitucionalidade
do Palácio do Planalto: por que tal risco não foi melhor
dimensionado pelas entidades e juristas que participaram de toda a tramitação
do projeto de lei no Congresso Nacional? Ou será que a alegada
justificativa técnica não é a única motivação
para o veto presidencial (leia artigo de Sergio Teperman na coluna Crônicas
Agudas, à página 72)? Como pode ser constatado no fórum
disponível para comentários no site de AU, o próprio
CAU ainda desperta dúvidas entre os arquitetos. Uma questão
recorrente refere-se à gestão administrativa do conselho
e à articulação fora dos grandes centros do País.
Nota-se claramente que a discussão, muitas vezes, recai sobre a
simpatia, ou não, ao governo federal de plantão. Será
que um debate tão relevante para uma categoria profissional pode
se resumir a isso? Mais esclarecimentos são necessários.
Participe do fórum a respeito do Conselho de Arquitetura e Urbanismo
no site de AU. Envie suas dúvidas e dê sua opinião.
Nós continuamos atrás das respostas.
