Reaproveitar construções já existentes na concepção
de espaços que atendam às demandas atuais é um dos
desafios da arquitetura que pretende ser sustentável. Essa preocupação
pautou o trabalho dos arquitetos do escritório Tonkin Zulaikha
Greer (TZG), que em Sydney, Austrália, transformaram uma igreja
presbiteriana dos anos 1920 em um edifício residencial com unidades
comerciais nos primeiros pavimentos.
Além de recuperar uma estrutura abandonada, a experiência
culminou em uma linguagem conquistada pela descontraída volumetria
obtida com o uso de painéis de vidro envoltos em caixas coloridas,
em harmonia com a solidez das linhas neogóticas da construção
original que foram preservadas.
Localizada no centro da maior cidade do país, a Scots Church
é, de acordo com o Conselho de Patrimônio Histórico
australiano, um raro e notável exemplar da arquitetura gótica
na Oceania. A construção foi concebida por Rosenthal Rutledge
and Beattie para ser um marco na região de New South Wales graças
à sua austeridade e grande porte, com quase 20 pavimentos. No entanto,
até os anos de 1930, apenas cinco pavimentos e o auditório
com capacidade para 2.500 pessoas haviam sido construídos. A Grande
Depressão que assolou várias economias a partir de 1929
fez com que o projeto fosse paralisado e a construção permanecesse
abandonada por décadas. Somente em 1980 a Igreja se desfez do prédio
– exceto do auditório, restaurado separadamente – e,
em 2000, um concurso foi realizado para obter novas idéias de ocupação
do espaço.
A proposta vencedora, do TZG, previu a instalação, no
local, de 146 apartamentos dúplex de alto padrão e algumas
unidades comerciais nos andares inferiores. Para isso seriam acrescidos
novos pavimentos sobre a estrutura de concreto existente, respeitando
os limites de cargas previstos no projeto original.
"A estrutura de concreto superdimensionada foi um presente para
a nova geração de arquitetos", afirmou o diretor do
TZG, Tim Green, para quem é sempre possível extrair resultados
positivos da interação entre o antigo e o novo. Mesmo assim,
na Scots Church foi necessário privilegiar sistemas construtivos
leves para permitir que as fundações e os elementos estruturais
levantados em 1926 fossem capazes de suportar o peso da nova edificação
e de seus ocupantes. A construção adicional foi, então,
toda erguida em estrutura metálica, com lajes do tipo steel deck,
que garantiram vãos livres amplos e flexibilidade de layout aos
ocupantes. Os apartamentos contam, ainda, com mezaninos sustentados por
vigas de aço e madeira, além de paredes divisórias
internas montadas com gesso acartonado, em vez da densa alvenaria.
Tudo se transforma
A ampliação da parte superior, com unidades dúplex,
procurou manter as proporções da fachada gótica original,
enfatizando a verticalidade da construção. Ainda que de
maneira muito particular, o objetivo foi prover à construção
o impacto pretendido há 70 anos, explica Green. Segundo o arquiteto,
para alcançar tal meta, um desafio foi harmonizar a sólida
construção existente com as novas torres. Em vez de cair
na vulgaridade de reproduzir as formas do passado nos andares superiores,
a opção foi estabelecer uma linguagem tipicamente urbana
aos trechos adicionais da fachada. Dessa forma, a ampliação
é evidenciada por molduras dentro das quais exibem-se painéis
de vidro envoltos em esquadrias metálicas aparentes e, em alguns
momentos, com venezianas coloridas.
Para maximizar a iluminação natural e explorar um ponto
forte da implantação que é a vista para o vizinho
Wynyard Park, a altura das novas torres é variável seguindo
um plano decrescente. Da mesma forma, as unidades com pé-direito
duplo e panos de vidro levam para dentro dos apartamentos um panorama
maior da cidade e do horizonte, além de agregar eficiência
à ventilação natural.
A circulação vertical para as unidades foi garantida pela
implantação de dois núcleos de elevadores, arranjados
dentro da estrutura existente, cujos foyers foram mantidos.
Os arquitetos do TZG, premiados com o ASI Steel Awards em 2006 pelo trabalho
na Portico Scots Church, tiveram de lidar ainda com outros desafios. Localizado
no centro da construção, o auditório deveria ser
mantido como no original. Isso obrigou a organização das
novas torres na periferia da antiga construção. Na área
do auditório, apenas o subsolo recebeu intervenção
para abrigar um estacionamento para 125 veículos.
A forte presença de ruídos e de poluição
atmosférica, conseqüências do contexto urbano onde a
construção se insere, também precisava de solução.
Mas a criação de terraços fechados com janelas de
vidro duplo foi o suficiente para contornar o problema, conforme Tim Greer.
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Ventilação cruzada |
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A preocupação com o conforto ambiental
pautou uma série de decisões de projeto tomadas pelos
arquitetos do Tonkin Zulaikha Greer. A principal delas foi a criação
de varandas fechadas – como jardins de inverno – em
cada apartamento.
Com pé-direito duplo, esses espaços funcionam como
anteparo acústico, permitem boa ventilação
e, ainda, possibilitam a entrada controlada de luz solar dentro
dos apartamentos, reduzindo o consumo de ar-condicionado tanto para
resfriamento, quanto para aquecimento. O cômodo é acessado
pelo living por amplas portas de vidro dobráveis. Já
a interface externa ocorre por meio de uma dupla fachada, também
de vidro.
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ADAPTING GENERATIONS
The Tonkin Zulaikha Greer (TZG) Australian architects transformed a
1920's Presbyterian Church into a residential building with 146 high
standard duplex apartments and a few commercial units in the lower floors.
For that, new floors were added onto the existing concrete structure,
respecting the original project's forecasted load limits. The additional
construction was erected with metallic structure and steel deck type
slates, which assured ample spans and layout flexibility. The apartments
have mezzanines supported by steel and wood beams, and drywall for internal
walls.
The concern with environmental comfort oriented
a series of design decisions, such as the creation of closed verandas
– like winter gardens – in each apartment. With double height,
these spaces function as acoustic screens, allowing good ventilation
and controlled sunlight to enter, reducing the consumption of air-conditioning
for cooling as well as for heating.
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