A escolha da estrutura da casa foi um capítulo à parte
no processo de projeto. George Mills é conhecido por suas estruturas
metálicas, mas, havia optado pelo concreto para a casa na praia
de Maresias, no litoral de São Paulo. Porém, quando as armações
dos pilotis já estavam prontas para receber o material, uma lei
aprovada no município de São Sebastião proibiu o
fornecimento de concreto usinado àquela região, alegando
danos à rodovia que interliga as praias.
A notícia pegou todos de surpresa. Depois de analisar os possíveis
riscos e imperfeições decorrentes da execução
manual da massa em canteiro, Mills, decidiu utilizar aço patinável
na estrutura. "A decisão levou todos os projetistas de volta
às pranchetas", conta. A construção esteve
a cargo da empresa de engenharia Bremenkamp.
Mas que fazer com os pilares estruturais de concreto já em execução?
A decisão foi terminá-los, acrescentando anéis metálicos
a concretagem de cada coluna: inserts que funcionam como elementos de
ligação entre as vigas metálicas e os pilares de
concreto. Além deste dispositivo de transição, os
calculistas especificaram chapas de espessura mínima de 8 mm, ao
invés dos tradicionais 6 mm.
O aumento da espessura visou combater a corrosão natural em ambientes
marítimos, cerca de 0,01 mm a cada 5 anos, e conferir à
casa uma vida útil de 120 anos, contra os 80 anos iniciais. Todas
as soldas e parafusos empregados na montagem da estrutura são do
mesmo material patinável, o que evita perdas pontuais de resistência.
Para finalizar, lajes pré-fabricadas de concreto foram montadas
manualmente, e encaixadas perfeitamente entre os vãos metálicos.
Como o terreno é perfeitamente plano, cortes e aterros foram desnecessários
e os trabalhos puderam começar pelas fundações. A
sondagem revelou a existência de um solo muito ruim e com lençol
freático alto, o que determinou o uso de estacas pré-moldadas
de concreto, com aproximadamente 12 m de comprimento.
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