Quando o fotógrafo automobilístico Rogério Miranda
encomendou para André Vainer e Guilherme Paoliello o projeto de
seu estúdio na Vila Madalena, o currículo do escritório
já contava com sete estúdios, projetados desde 1984, além
de uma produtora de cinema e uma série de ateliês que deixaram
a marca de Vainer e Paoliello no boêmio bairro paulistano. Nada
novo. No entanto, o programa e o terreno apresentaram algumas condicionantes
que, de tão bem solucionadas, renderam ao projeto menção
honrosa na sétima Bienal Internacional de Arquitetura de São
Paulo, em 2007.
O estúdio foi construído na estreita rua Natingui, na
porção baixa do bairro, notável tanto por sua vida
boêmia e artística quanto pelo relevo acidentado. O terreno
em que foi implantado era caracterizado por dois níveis: um trecho
na cota da rua, contido por um muro de arrimo, e outro dois metros e meio
mais baixo, delimitado em seu final por um córrego de águas
pluviais. Vainer resolveu aproveitar esse desnível para construir
dois volumes que abrigam programas diferentes. Na porção
anterior, de frente para o encontro entre a Natingui e outra pacata rua
transversal, construiu um discreto bloco monolítico grafite de
dois pavimentos, que abriga a recepção, lavabos e um escritório.
Sua regularidade espartana é rompida por janelas e porta que, fora
de esquadro, projetam-se para o exterior. Esse volume se insere em um
amplo pátio, resultado do recuo de oito metros - três
metros maior que o recuo obrigatório. O revestimento de paralelepípedo
cria no pátio uma ambigüidade entre espaço privado
e rua, embora o terreno seja isolado por um impermeável muro grafite.
"O paralelepípedo permite que nasça grama entre as
pedras e que haja uma permeabilidade grande", comenta Vainer.
Já a porção posterior do terreno é ocupada
em toda sua largura pelo galpão do estúdio, de 200 m².
Branco, leve, metálico e com uma estética industrial recorrente
em outros projetos do escritório, tais como a Agência Neogama
e o restaurante Ritz, no Itaim Bibi, o galpão estabelece com o
bloco de escritório uma relação de oposição,
como a de positivo e negativo fotográficos. Segundo Vainer, esse
é um projeto muito objetivo. "Onde é galpão
é galpão; onde é escritório, é escritório,
sem nenhum tipo de concessão." Preto e branco.
Iluminação
"Fotografia e arquitetura são profissões muito próximas.
Ambas trabalham essencialmente com volumes, com luz", comenta Vainer.
"Então, projetar estúdios é um trabalho muito
querido", acrescenta.
De acordo com o arquiteto, uma das questões colocadas pelo fotógrafo
era a demora para montar a fotografia. "E fazer a montagem em um
estúdio escuro dava uma sensação ruim", explica
Vainer. Isso levou o arquiteto a optar por amplos sheds, cuja ousadia
geométrica destaca-se num entorno onde predominam casas de telhado
cerâmico.
O galpão é um volume fechado com paredes cegas que cedem
para a grande massa metálica do telhado, com quatro amplos sheds
- dois para o sul, dois para o norte. Por tomarem luz de duas direções
opostas, essas aberturas obtêm dois tipos de intensidade luminosa.
"O shed virado para sul, por onde não entra diretamente sol,
pega basicamente a luz da abóbada; já pelo outro passa sol
no inverno, o que cria uma atmosfera mais amarela, mais rica, mais alegre."
Embora ainda não esteja instalada, a iluminação dos
sheds deverá ter controle automatizado por persianas.
Também contribuem para a iluminação do galpão
uma ampla janela que se projeta a oeste, de onde se vê um jardim
com árvores frutíferas, e outra a leste, que estabelece
relação com a Vila Madalena.
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