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Cenário


PRAÇA DAS ARTES DEVE TER OBRAS INICIADAS EM 2008

Na onda dos projetos de revitalização, o Centro de São Paulo está prestes a ganhar um complexo cultural: a Praça das Artes. O projeto foi proposto em 2006, mas ganha força agora e deve ter suas obras iniciadas no primeiro semestre de 2008, de acordo com Marcos Cartum, arquiteto responsável pelo projeto junto a Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci, da Brasil Arquitetura.

O projeto pretende revitalizar a região do Teatro Municipal ao propor um novo edifício de 28,5 mil m² e a recuperação do Conservatório Dramático Musical, seu anexo aos fundos (um prédio do século 19 atualmente deteriorado) e o uso da fachada do Cine Cairo, que tem seu interior em ruínas. A área de 30 mil m² do conjunto deve abrigar as sedes da Orquestras Sinfônica Municipal e Experimental de Repertório, dos Corais Lírico e Paulistano, do Balé da Cidade e do Quarteto de Cordas, além das Escolas Municipais de Música e de Dança, o Museu do Teatro, o Centro de Documentação Artística e restaurantes, garagem subterrânea e áreas de convivência.

O projeto, segundo Marcos Cartum, prevê uma ocupação "tentacular" da área. "É uma quadra estratégica, pois atualmente há imóveis péssimos em meio a exemplares arquitetônicos importantes. O Conservatório, por exemplo, está abandonado há muito tempo, em meio a construções que o prejudicam. Estamos criando um novo edifício que dará um contexto cultural à região", completa Marcum. De acordo com o arquiteto, a obra, que tem orçamento estimado em 60 milhões de reais e passa por fase de desapropriação, deve ser colocada em processo de licitação em breve.

IAB INFORMA
128ª Reunião do Conselho Superior do IAB Ocorreu nos dias 28 e 29 de fevereiro e 1º de março a reunião do Cosu (Conselho Superior do IAB), extraordinária e pré-eleitoral, em Florianópolis. Além da montagem de proposituras para a próxima gestão da Direção Nacional do IAB, que se inicia em maio, discutiram-se os encaminhamentos sobre a Lei do Conselho próprio dos Arquitetos, que está sendo desenvolvida pela assessoria da Presidência da República, além da participação do IAB junto aos organismos internacionais.

IAB/AL O Departamento de Alagoas do IAB lançou dia 14 de fevereiro, juntamente com a posse da nova diretoria, o livro Arquitetura Contemporânea em Alagoas através das mostras de arquitetura do IAB/AL, um importante registro da produção alagoana vista pelas premiações ocorridas no departamento.

Bienal de Arquitetura de Moscou Ocorre de 27 de maio a 3 de junho a Bienal de Arquitetura de Moscou, que terá como discussão principal os espaços interiores. Os concursos podem ser vistos no site www.dom6.ru/eng.

IAB/RS O Departamento do Rio Grande do Sul do IAB comemorou dia 19 de março seus 60 anos de atividade com um coquetel em sua sede e homenagem aos que contribuíram para a atuação.

Congresso UIA Ocorre de 29 de junho a 5 de julho próximos, o 23o Congresso Mundial da UIA (União Internacional de Arquitetos) em Turim, Itália, com o tema Transmitindo arquitetura. Mais informações: www.uia2008torino.org.

Seminário Grupo de Saúde da UIA O Grupo de Saúde da UIA (União Internacional de Arquitetos) promove de 22 a 26 de junho em Florença seu 28º Seminário Internacional com o tema A cultura para o futuro da arquitetura da saúde. Mais informações: http://web.taed.unifi.it/tesis/28phw/index.

CONCURSOS
Sede do Tribunal Penal Internacional O Governo da Holanda, país-sede do Tribunal Penal Internacional, lançou a competição internacional que seleciona o projeto arquitetônico da futura sede do Tribunal. Mais informações: www.icc-architectural-competition.com.

Depoimento de Maria Elisa Costa, arquiteta da Casa de Lucio Costa e ex-presidente do Iphan sobre o bairro Noroeste, em Brasília

Acho importante divulgar algumas informações sobre o Noroeste e o Sudoeste que a maioria das pessoas esquece ou desconhece.

Sabe qual é a origem do Lucio ter proposto esses dois setores novos dentro da área do Plano Piloto? Quando ele voltou a Brasília em novembro de 1984, depois de dez anos de ausência, e rodamos livremente por toda a cidade (Haroldo Pinheiro, ele e eu, no fusquinha do Haroldo, durante uma semana), um dia, subindo o Eixo Monumental da Rodoviária para a Ferroviária, Lucio estranhou a distância: “Está longe!”.

De volta ao Rio, descobri o motivo da estranheza: ajustei na mesa de luz (lago sobre lago, na mesma escala) o Plano Piloto original apresentado no concurso e a planta de execução de Brasília: como a cidade escorregou na direção leste para mais perto do lago, e ao mesmo tempo a EPIA se deslocou para oeste, a distância entre a Rodoviária e a Ferroviária simplesmente dobrou de tamanho.

Convocado pelo governador José Aparecido a atuar novamente em Brasília, Lucio apresentou ao GDF um trabalho, que denominou “Brasília revisitada”. Constava de um texto e uma planta desenhada por ele, a lápis e com cor, sobre o levantamento aerofotogramétrico da cidade, em escala de 1: 25.000, se não me engano (não sei que fim levou este desenho, mas a Casa de Lucio Costa tem cópia heliográfica). Este documento foi mais tarde incluído no tombamento de Brasília.

Neste trabalho, ocorreu a Lucio definir a destinação do excesso de área livre decorrente daquele distanciamento, constatado por ele próprio ao vivo (para evitar prováveis bobagens futuras).

Por outro lado, observando, também ao vivo, como os moradores das superquadras gostam de viver nessa proposta de moradia criada por ele para Brasília, pensou em aproveitar a área para acrescentar ao Plano algumas superquadras a mais.

Do lado Sudoeste incluiu ainda as quadras losangulares (cuja implantação em larga escala havia sugerido – sem sucesso – como política habitacional), e a ocupação foi imediata. Já do lado Noroeste, de área bem menor, a opção, na época, foi primeiro “encher” a Asa Norte, para depois implantar sua expansão.

Agora, recebo notícias insólitas de que se pretende abrir duas entradas nas quadras do Sudoeste (que há 20 anos esperam pelo plantio das faixas verdes – sua área está lá, e as mudas das árvores no Departamento de Parques e Jardins) e que existe um projeto para o Noroeste com três entradas por quadra.

Ou seja: me dou conta de que as pessoas até hoje não perceberam que a coisa menos relevante numa superquadra é o fato dela ser quadrada (o próprio Lucio no seu estudo para a capital da Nigéria propôs quadras circulares). A entrada única para veículos, a total liberdade para a circulação pedestre, e a definição do “recinto urbano” por um contorno densamente arborizado é que são o cerne da proposta.

O que é admissível no Noroeste é, simplesmente, a implantação de algumas poucas superquadras normais, como as outras – que só existem em Brasília. Que eventuais releituras ocorram fora da área tombada, por favor!

27 de fevereiro de 2008 

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