Um novo marco na paisagem do bairro Cidade Nova, antigo Rio Comprido,
no Rio de Janeiro, acaba de ser inaugurado. O Centro de Convenções
Rio Cidade Nova se destaca por alguns diferenciais importantes em sua
concepção. Em primeiro lugar, pelo perfil do empreendimento,
uma parceria público-privada entre a Prefeitura Municipal do Rio
de Janeiro e a Racional Engenharia, empresa paulista que, ao vencer a
concorrência em 2003, assumiu a construção, 50% do
investimento e a exploração do espaço por 30 anos.
Em segundo lugar, pela origem do projeto arquitetônico, fruto de
concurso promovido pela Prefeitura e o IAB-RJ, tendo como ganhador o escritório
Mayerhofer & Toledo. Iniciativa dessa natureza constitui prática
habitual e de grande mérito no Rio de Janeiro, mas é pouco
usual em outras capitais brasileiras.
Em terceiro lugar, o centro de convenções acompanha uma
tendência mundial, ao implantar uma edificação contemporânea
junto a um prédio centenário tombado pelo Patrimônio
Histórico.
Finalmente, o projeto deve valorizar uma região deteriorada do
Rio. A Racional cuidou da revitalização do entorno, com
obras de iluminação, paisagismo (já havia um trecho
projetado por Burle Marx) e calçamento, de modo que o bairro tornou-se
um atrativo para futuros comerciantes que desejarem instalar seus negócios
no local, como restaurantes, livrarias, cafés e etc. Até
mesmo a estação Estácio do metrô, a mais próxima
do centro de convenções, teve seu nome alterado para Estácio/Rio
Cidade Nova.
"A idéia foi suprir uma carência de centros de convenções
de porte médio na cidade", explica o diretor-executivo da
Racional, Marcos Santoro. De fato, o Rio de Janeiro só conta com
o RioCentro, muito grande e específico para feiras, e com o Centro
de Convenções e Hotéis que não atende a demanda.
Santoro adianta que o Rio Cidade Nova deverá servir à cidade
num horizonte de 20 anos.
Outra exigência do programa foi a de que o local pudesse abrigar
vários tipos de uso ao mesmo tempo, ou seja, qualquer combinação
de eventos, de um congresso de medicina a uma feira de automóveis,
a festas de formatura ou casamentos. Daí resultaram espaços
capazes de viabilizar tanto a realização de um único
evento, quanto de dois outros grandes nos salões principais e cinco
isolados nas salas de reuniões simultaneamente. O edifício
tombado também vai abrigar eventos.
"Por essa razão, a flexibilidade foi a principal característica
avaliada nos projetos submetidos ao concurso", diz Marcos Santoro.
O êxito do empreendimento pode ser comprovado pela agenda com mais
de 32 eventos contratados e reservas até 2009. "O resultado
já está acima da curva de crescimento que previmos, bem
além das nossas expectativas", conclui o diretor da Racional.
Com capacidade para seis mil pessoas, a edificação está
implantada em um terreno de 16 mil m² junto ao trecho delimitado
pelas avenidas Paulo de Frontin e Presidente Vargas e rua Joaquim Palhares.
São 21.800 m² distribuídos em dois pavimentos e dois
mezaninos, além de subsolo para estacionamento com 12 mil m²
(400 vagas), totalizando 33.800 m² de área construída.
Um outro estacionamento nas proximidades do Rio Cidade Nova terá
capacidade para mais 1,1 mil vagas.
"A funcionalidade do centro de convenções, a adaptabilidade
aos mais variados usos, muitas vezes simultâneos, foi nossa grande
preocupação", afirma o autor do projeto, o arquiteto
Luis Carlos Toledo. Outro desafio, segundo Toledo, foi encontrar uma solução
arquitetônica que convivesse com a presença crítica
de vários viadutos muito próximos.
Assim, o problema de conteúdo formal foi resolvido com a criação
de uma fachada horizontal suavizada apenas pela volumetria em linhas arredondadas
e com algumas reentrâncias. O desenho concedeu ao conjunto uma sensação
visual de dinamismo e modernidade.
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