A
atividade de projetar, pela intrínseca natureza autoral, possui
fortes traços personalistas. Talvez por isso seja incomum ver escritórios
com nomes desvinculados dos sobrenomes dos sócios. Ainda são
raros casos como o do escritório paulistano Piratininga, cujo nome
(uma homenagem à cidade de onde tira suas referências) é
mais reconhecido que o de seus mentores. Isso, porém, não
é fruto do acaso. Formados na década de 80, os quatro sócios
fundadores do escritório – Renata Semin, João Paulo
Tavares Beugger, José Armênio de Brito Cruz e Marcos Alfredo
Mendes Aldrighi – se depararam com um dos piores períodos
recentes da economia do País. Iniciar a vida profissional no auge
da chamada "década perdida" levou os jovens arquitetos
a enxergarem no coletivo um meio de sobrevivência. "Acreditamos
no trabalho coletivo como forma de potencializar as capacidades individuais",
diz Renata Semin. Os sócios também optaram por uma estratégia
incomum na época: partiram para uma abordagem empresarial. "Isso
se mostra na seriedade com que tratamos a busca por novos trabalhos e
também na flexibilidade com a qual damos conta de atender projetos
tão diversos", explica Marcos Aldrighi. Na contramão
da especialização, o Piratininga, hoje com 30 profissionais,
atua em projetos de escalas tão distantes quanto um objeto e uma
obra urbana; de planejamento e gestão de espaços empresariais
a interiores de residências. Neste número de AU, apresentamos
um pouco da diversidade do trabalho do Piratininga, com uma casa
no Rio de Janeiro retratada na capa, e os interiores de
uma agência de comunicação em São Paulo. A
casa foi implantada de forma a pouco interferir na conformação
do terreno. Resultou em uma distribuição interessante do
programa, no qual os ambientes sociais, inclusive um pátio com
jardim e piscina, ficaram suspensos. Na agência, o design de mobiliário
se mescla à arquitetura na forma do armário que serve como
divisória e define a circulação. A prática
coletiva do Piratininga aponta um caminho interessante na luta rumo à
valorização da arquitetura e dos arquitetos.
"Não é necessário ser genial. A sociedade
não precisa de milhares de gênios: precisa de bons arquitetos,
participantes do desenvolvimento do país" Sergio Teperman