Num futuro não muito distante, os revestimentos cerâmicos
terão mais do que a função de cobrir paredes, pisos
e fachadas. As placas cerâmicas, associadas às células
fotovoltaicas, serão capazes de gerar energia elétrica.
A tecnologia, em desenvolvimento pelo professor e pesquisador Arturo Salomoni,
do Centro Cerâmico de Bolonha (CCB), na Itália, tem sido
divulgada em feiras como a espanhola Cevisama e a brasileira Revestir,
que aconteceu em março de 2008 em São Paulo.
Se o surgimento do porcelanato, na década de 1990, significou
um grande avanço dos revestimentos cerâmicos no que se refere
à estética e à resistência ao desgaste físico,
a geração de produtos do século 21 assumirá
funções até então inéditas para o material.
"O objetivo é tornar os revestimentos cerâmicos úteis
em áreas em que eles normalmente não eram empregados",
afirma Anselmo O. Boschi, coordenador do Laboratório de Revestimentos
Cerâmicos (LaRC) e professor doutor do departamento de engenharia
de materiais da Universidade Federal de São Carlos.
As cerâmicas poderão incorporar não só células
fotovoltaicas como também placas fototérmicas, capazes de
coletar o calor para aquecer um fluido de calefação de um
edifício. Segundo Jonas Silvestre Medeiros, doutor em revestimentos
cerâmicos de fachada pela Escola Politécnica da USP e diretor
técnico da Inovatec Consultores, é provável que essa
tecnologia, em desenvolvimento pelo Instituto de Tecnologia Cerâmica
(ITC), na Espanha, esteja no Brasil antes mesmo das "cerâmicas
fotovoltaicas".
E outras inovações estão a caminho. De acordo com
a Associação Nacional de Fabricantes de Cerâmica (Anfacer)
e o Centro Cerâmico do Brasil (CCB), podemos esperar para os próximos
anos a difusão de revestimentos com funções térmicas,
de segurança, de acessibilidade (placas fosforescentes) e até
antibacterianas, tecnologia já empregada em hospitais do Japão
e da Alemanha.
Mas, afinal, quando essas tecnologias estarão disponíveis
no mercado? Salomoni, que conseguiu demonstrar a viabilidade da cerâmica
fotovoltaica em laboratório, conta que dentro de um a dois anos
um protótipo pré-série estará disponível.
"Dependendo dos investimentos industriais, os primeiros lotes devem
estar no mercado dentro de cinco ou sete anos", diz o italiano.
O pesquisador afirma que esse tipo de cerâmica foi concebido para
ser instalado em fachadas ventiladas, caracterizadas pelas juntas abertas
e pela fixação das placas numa estrutura metálica
presa ao edifício. O vão formado entre os componentes cerâmicos
e a vedação favorece a circulação de ar por
efeito chaminé, melhorando o desempenho térmico das construções.
Além de ser o sistema construtivo ideal para receber as "cerâmicas
fotovoltaicas", as fachadas ventiladas são as mais apropriadas
para incorporar peças cerâmicas com grandes formatos, uma
tendência do mercado atual. Associadas às placas prensadas,
como o porcelanato, ou às placas extrudadas, oferecem vantagens
em relação à durabilidade, manutenção
e desempenho térmico.
Se o conceito de fachada ventilada está bem disseminado na maioria
dos países europeus, no Brasil, pelo menos por enquanto, a realidade
é outra. A solução construtiva convencional usada
para fixar os revestimentos cerâmicos de paredes e fachadas faz
uso de argamassas. Será este um obstáculo para a entrada
de novas tecnologias no País?
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FACHADAS VENTILADAS |
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De acordo com o engenheiro Jonas Silvestre Medeiros,
a simples fixação das placas cerâmicas ao edifício
por meio de insertes pontuais não determina uma fachada ventilada.
"A fachada ventilada é um sistema construtivo altamente
industrializado em que são usados perfis e clipes especiais
para a fixação das placas", esclarece o engenheiro.
"Além de ser eficiente na redução de transmissão
do calor, diminuindo o consumo de energia elétrica com ar-condicionado,
a fachada ventilada diminui a pressão do vento na vedação
interna, controla melhor a infiltração de água
e reduz os gastos com manutenção", acrescenta
Medeiros.


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