1930
Surge nos Estados Unidos o forno túnel para queima rápida das placas
cerâmicas.
1950/1960
As lajotas e azulejos, antes produzidos artesanalmente, passaram
a ser fabricados industrialmente, em fornos automatizados. Mais
barata, a cerâmica industrializada se tornou acessível. Os azulejos
eram produzidos por biqueima: primeiro é feita a queima da base
do produto que, após a aplicação do esmalte, sofre uma nova queima.
Acima, painel em azulejo criado por Athos Bulcão para o anexo
1 do Palácio do Itamaraty, em 1958.
1970
Com a disseminação da decoração serigráfica aplicada ao revestimento
cerâmico, sobretudo ao de parede, as placas ganharam cores, desenhos
florais e de figuras abstratas. As peças ainda eram exclusivamente
produzidas pelo sistema biqueima, (900oC a 950oC) na dimensão padrão
de 20 x 20 cm. O índice de absorção de água das cerâmicas girava
em torno de 15%. Abaixo, Painel Natividade, criado por Athos Bulcão
para a Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, (1968).
No
exterior, um exemplo de arrojo na utilização da cerâmica é a Ópera
de Sydney, na Austrália, projetada por JÆrn Utzon em 1957 e concluída
em 1973. O projeto tem suas conchas revestidas por mais de um
milhão de placas cerâmicas extrudadas brancas que refletem a luz
do sol e o tom prateado do mar.
1980
As placas cerâmicas passam a ser produzidas também pelo processo
de monoqueima, no qual a queima da base (biscoito) e esmalte ocorre
simultaneamente a uma temperatura que pode atingir 1.180oC. Mais
simples e rápido do que a biqueima, o novo sistema de produção levou
a um barateamento dos revestimentos cerâmicos. Com a queda do índice
de absorção de água para 3%, os produtos, conhecidos como grés,
tornaram-se mais resistentes à abrasão e ao descolamento. Abaixo,
Centro Empresarial Previnor, em Salvador, projetado pelo arquiteto
baiano Fernando Peixoto.
1990
Surge o porcelanato técnico, produto cerâmico compacto, homogêneo,
denso e totalmente vitrificado que mais se aproxima à pedra natural
no que se refere à resistência mecânica. Surgem peças com grandes
formatos (60 x 120 cm e 45 x 45 cm) polidas ou com estampas que
imitam pedras naturais, madeira, fibras e metais. Produzido em altas
temperaturas (monoqueima de até 1.400oC), com um índice de absorção
de água igual ou menor do que 0,1%, o porcelanato técnico garante
resistência ao desgaste, à ação de produtos químicos e a variações
térmicas. Recebe a decoração e a cor na própria massa por meio de
corantes, corantes micronizados e sais solúveis. Abaixo, Hospital
Oswaldo Cruz, do escritório Botti Rubin, revestido com porcelanato
técnico.
2002
Surge o porcelanato esmaltado que, como o nome já diz, recebe acabamento
por esmaltação. Seu índice de absorção de água é igual ou menor
a 0,5%. Atualmente, no auge de sua evolução, o porcelanato passa
a ser fabricado em dimensões cada vez maiores. Na Itália, por exemplo,
é possível encontrar placas grandes (300 cm x 120 cm x 0,3 cm),
planas e curvas, indicadas para fachadas ventiladas, por exemplo.
Além de imitar pedras ornamentais e madeira, os revestimentos voltam
a ser decorados com florais, arabescos e adamascados. Os porcelanatos
esmaltados iridescentes, dourados, bronzes, prateados são tendência,
assim como os formatos variados e paginações com peças de diferentes
tamanhos. Ao lado, revestimento cerâmico metalizado, criado pelo
artista plástico dinamarquês Olafur Eliasson, que reveste o pátio
da Yu-um house, em Tókio, projetada por Tadao Ando.
Futuro
Os revestimentos cerâmicos devem assumir funções até então inéditas
para esse tipo de revestimento. Na Revestir de 2008, realizada em
março, Arturo Salomoni, pesquisador do Centro Cerâmico de Bolonha
(CCB), explicou o funcionamento da cerâmica fotovoltaica que, ao
revestir um edifício, é capaz de produzir até 30% da energia que
ele necessita. Além desta, podemos esperar outras inovações como,
por exemplo, as placas fototérmicas e antibacterianas. Abaixo, cerâmica
fotovoltaica desenvolvida em laboratório da Itália e apresentada
na Revestir 2008.
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