O fluxo de caixa de um escritório de arquitetura deve ser controlado
levando em conta a relação criteriosa e detalhada de todas
as receitas e despesas. Com essas informações em mãos,
o arquiteto pode prever o quanto deve ser guardado para eventuais baixas
de mercado, programar investimentos em infra-estrutura e destinar valores
para a contratação de funcionários. Evitar desperdícios,
ter prudência nas previsões e manter um capital de giro mínimo
de seis meses de custo fixo são algumas das sugestões dadas
por especialistas para manter a saúde financeira da empresa. Confira
outras dicas.
Fluxo de caixa
Em linhas gerais, fluxo de caixa significa a movimentação
do dinheiro de uma empresa. Seu controle compreende a gestão de
entradas (recebimentos) e de saídas (pagamentos) e, conseqüentemente,
a administração dos saldos (sobras ou falta de recursos).
Caso seja mal-administrada, a empresa pode ficar descapitalizada sendo
obrigada a tomar recursos junto aos bancos, pagando juros elevados. "O
maior risco é onerar a operação com uma despesa desnecessária
e, ao elevar os custos dos serviços prestados, perder competitividade",
explica a contadora Fernanda Zannoni, especialista em gestão e
marketing e consultora de gestão e planejamento da Associação
Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA).
Periodicidade
De preferência, o caixa da empresa deve ser feito todos os dias.
Já a previsão dos pagamentos e recebimentos futuros, levando-se
em conta um cenário conservador, deve ser feita para o período
mínimo de seis meses. "O ideal é que seja feita para
um ano", observa Zannoni. Seja qual for o período adotado,
o importante é fixar exatamente qual a margem de lucro com que
o escritório deseja trabalhar, o pró-labore dos sócios,
as receitas provenientes de contratos já assinados e a relação
de custos fixos e variáveis.
Controle mês a mês
O planejamento deve ser revisto mensalmente, de acordo com a confirmação
das ocorrências previstas. Ao estimar a previsão do fluxo
de caixa é importante que, a cada mês, ao fechar novos negócios,
tais receitas sejam atualizadas de acordo com o novo cenário. Sem
esquecer de acrescentar os novos custos, como impostos.
Investimentos
Outra dica importante é não deixar dinheiro parado na conta
bancária. As "sobras" deverão ser investidas de
forma segura a fim de render frutos adicionais à empresa. "É
uma 'gordura' que enquanto não utilizada rende juros e está
disponível de forma imediata para qualquer eventualidade",
lembra Zannoni. A melhor opção é investir em uma
aplicação conservadora, de baixo risco, que possua liquidez
e possa ser sacada quando a empresa necessitar de capital de giro para
sua operação. "Fundos de investimento lastreados em
CDI são um exemplo de investimento seguro", sugere.
Fuja dos riscos
Vale lembrar que o fluxo de caixa de um escritório de arquitetura
é muito inconstante, obrigando o arquiteto a sacar o dinheiro antes
dos prazos adequados. Quando isso ocorre, os custos de IOF (Imposto sobre
Operações Financeiras), IR (Imposto de Renda) e outras taxas
são maiores do que os juros auferidos. "O arquiteto acaba
dando seu dinheiro para o banco", alerta o arquiteto José
Borelli Neto, sócio-diretor da Borelli e Merigo Arquitetura e Urbanismo.
Por isso, antes de investir é fundamental estudar bem que tipo
de aplicação fazer. Fugir dos investimentos de risco elevado,
tais como fundos de ações, é uma dica importante,
pois podem estar em baixa no momento em que for necessário sacar
o capital para cobertura de caixa. "Isso representa a descapitalização
da empresa", lembra Luís Alberto F. Lobrigatti, consultor
financeiro do Sebrae-SP.
Empréstimos
Um dos maiores riscos para qualquer empresa é precisar de empréstimos
bancários para refinanciamento de valores. De acordo com Borelli,
os juros devem ser evitados sempre que possível. "Eles são
altos e incidem em cascata, transformando-se em uma bola de neve",
diz. Para quitar a dívida ou os encargos sociais atrasados, o arquiteto
recomenda que o escritório se desfaça de algum bem em vez
de pedir empréstimos bancários. Mas se, em último
caso, for preciso recorrer a eles, o ideal é procurar no mercado
as taxas mais atraentes ou optar pelas cooperativas de crédito
específicas para arquitetos. Já para a compra de equipamentos,
por exemplo, uma boa alternativa é recorrer ao cartão do
BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), cujas
taxas de parcelamento são uma das mais baixas praticadas no mercado.
Descontrole financeiro
Um dos maiores erros cometidos por profissionais liberais em geral -
e entre eles, os arquitetos - é a "mistura" financeira
entre a pessoa física e jurídica. "Isso costuma gerar
descontrole financeiro, descontentamento com os resultados e até
mesmo alto índice de endividamento", explica Lobrigatti. Para
evitar essa situação, é imprescindível que
haja tanto disciplina quanto comprometimento com a atividade profissional.
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