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A ÚLTIMA DE LE CORBUSIER
CONCLUÍDA MAIS DE 40 ANOS APÓS SUA MORTE, A IGREJA SAINT-PIERRE FINALIZA UM CONJUNTO URBANO DESENHADO POR LE CORBUSIER EM 1954 PARA A CIDADE DE FIRMINY, NA FRANÇA

POR ADRIANA FREIRE



Composto por uma casa de cultura, um estádio e uma unidade de habitação, o conjunto de Firminy, no interior da França, constitui uma idéia forte de Le Corbusier: a fusão perfeita entre três grandes atividades do homem: a vida cultural, o esporte e o culto. Esse projeto representa um dos seus últimos estudos e deve ser considerado uma obra-prima, tendo a mesma importância da Capela de Ronchamp (1955) e do Convento de la Tourette (1959).

Este exercício pretende explicitar as fases de desenvolvimento do projeto, levando em consideração que uma série de decisões de ordem técnica e de forma conduzirá ao seu êxito. A importância dessa análise está em reconhecer e destacar as decisões do projeto, identificar o sistema de ordem, os critérios básicos e seus elementos de concepção.

Para desenvolver o projeto, Le Corbusier recorre aos croquis de uma igreja desenhada para Tremblay em 1929. Nesses desenhos identificamos todos os princípios fundadores da Igreja de Firminy: a planta quadrada, a distribuição do programa em dois pavimentos, o acesso por uma rampa exterior e a imponente torre.

Porém, os primeiros croquis para a Igreja de Firminy datam de junho de 1961. Este estudo, a que chamaremos a primeira fase do projeto, conclui-se com a realização de uma primeira maquete, em fins de 1962, onde há uma evolução considerável em relação aos croquis de Tremblay.

Nessa maquete, já estão definidos a implantação da igreja, os diferentes níveis e os volumes do conjunto. A torre é reduzida em altura e transformada em tronco de pirâmide. Aqui identificamos algumas relações formais já experimentadas em Chandigarh, no edifício da Assembléia (os primeiros croquis datam de 1953). Na realidade, os dois projetos contextualizam com as paisagens locais marcadas pela presença de torres de calefação das indústrias de carvão. Nos croquis de Le Corbusier, há anotações justificando a forma que assume a Igreja de Firminy na paisagem industrial da cidade.

Dessa fase do projeto foram encontrados somente alguns croquis que destacam certas decisões importantes para o seu desenvolvimento. Algumas anotações revelam também que a base do edifício estaria destinada ao centro paroquial, enquanto o volume da pirâmide representaria a igreja propriamente dita. A rampa é reduzida de uma volta completa liberando visualmente a base do edifício. Para tanto são utilizados também panos de vidro.

Outra observação importante está no estudo das diagonais, tanto nas plantas quanto na volumetria, o que dará origem ao percurso helicoidal, ao volume piramidal e sua laje de fechamento, e às aberturas de luz. Um elemento que encontramos presente somente nessa fase é a tribuna do coral, posicionada no extremo oposto ao batistério e face ao altar principal. Essa configuração reforça as diagonais das plantas, revelando, desde já, a intenção do arquiteto em criar um sentido de circulação helicoidal pela disposição de certos elementos, o que levaria à estruturação natural dos espaços interiores.

Aparentemente a tribuna do coral funcionaria como um dos elementos estruturadores dos espaços. A esse elemento, suportado por uma única coluna, viria fixar-se uma espécie de púlpito, à meia-altura entre a laje de piso da igreja e a tribuna. Uma grande abertura circular permitiria o contato entre a capela, localizada, a princípio, no primeiro pavimento, e o volume principal da igreja.

O campanário é outro elemento que se destaca. Composto pela relação de elementos horizontais e verticais, seria integrado ao volume principal da torre, acentuando sua mudança formal. A base cilíndrica que o suportaria permitiria a passagem de uma escada helicoidal, criando acesso à tribuna e justificando sua importância na composição.

A segunda fase do projeto inicia-se em fins de 1962, sendo concluída com a realização de uma outra maquete em dezembro de 1964. Nessa etapa, já identificamos com clareza a modulação estrutural e uma composição axial que regula toda a obra.

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