A estrutura, definida pelos doze pilares (três em cada face),
determina uma trama estrutural ordenando a sobreposição
dos planos. Esta distribuição clara da estrutura e jogo
dinâmico de planos são elementos essenciais dos projetos
de Le Corbusier.
A planta está ordenada por dois eixos que são determinantes
para a distribuição do programa no edifício: um que
se desenvolve desde o acesso ao presbitério até a fachada
oposta e outro, que parte no sentido norte-sul, determinando os espaços
da sala paroquial, da sacristia e das salas de catecismo. Esses eixos
revelam a pretensão do arquiteto por um dimensionamento proporcional
dos espaços (2/3 e 1/3). Esse tratamento com as proporções
é bastante utilizado por Le Corbusier em arranjos espaciais que
evidenciam a composição formal das plantas. Como exemplo
disso, podemos citar a casa Cook (1926), onde o arquiteto utiliza-se da
disposição da escada como elemento ordenador de todo o projeto.
No primeiro pavimento, identificamos os mesmos eixos determinantes.
Esses dois pavimentos são conectados por uma rampa permitindo uma
leitura única de todos os espaços relativos às atividades
restritas à igreja. No segundo e terceiro pavimentos, esses eixos
determinantes encontram-se no centro da planta. No eixo central do segundo
pavimento, localizam-se a entrada principal e o altar.
Essa fluidez espacial continua pelo piso oblíquo que circunda
a sala principal e ascende progressivamente em espiral, resultando num
mezanino. A capela encontra naturalmente seu lugar, espaço delimitado
pela projeção da tribuna do terceiro pavimento. Podemos
concluir que a organização planimétrica do edifício
e sua volumetria caracterizam-se pela partição vertical
do edifício segundo o esquema base/corpo, distinguindo claramente
a diferença entre as duas funções da igreja.
A simplicidade aparente das plantas dissimula uma interessante organização
do espaço. A forma como o edifício deve ser percorrido é
bastante intencional e programada. O acesso à igreja se dá
por uma rampa externa que vem procurar o visitante ao nível do
terreno natural e inicia um movimento ascendente, que prossegue dentro
da igreja, e culmina nas tribunas.
Todas as fachadas da base do edifício são cercadas por
enormes panos de vidro, reforçando a diferença entre estrutura
e fechamentos. Aqui existe uma diferença notável entre os
outros projetos de Firminy realizados por Le Corbusier. Ao contrário
da Casa da Cultura, onde o arquiteto utiliza superfícies de vidro
fragmentadas de acordo com notas musicais, no edifício da igreja
opta por planos inteiramente transparentes. Esta decisão projetual
implica outras relações formais entre a base e o corpo do
edifício: a base adquire certa leveza graças às transparências,
enquanto o corpo revela-se mais maciço.
O projeto também é modificado com os objetivos de reduzir
os custos e responder às exigências funcionais da liturgia.
Essas modificações implicam outras soluções
formais. É o caso da redução considerável
do tronco de pirâmide, observada entre os projetos de 1962 e 1964.
É também o caso do altar principal, que deveria estar em
contato direto com a terra e jamais no terceiro pavimento. Para solucionar
o problema, Le Corbusier decide criar uma coluna que funciona como suporte
do altar.
Sob o altar encontra-se um vazio e, na laje abaixo, um outro vazio, até
chegar à laje do térreo, permitindo que a coluna de concreto
seja fixada profundamente na terra, criando a relação entre
a terra e o céu exigida ao arquiteto. Essa coluna é um elemento
simbólico, uma coluna de luz. Observa-se abaixo do altar uma superfície
em vidro que permite a iluminação do bloco de concreto,
conferindo-lhe certa leveza. Trata-se de um elemento escultural que coincide
com um dos eixos determinantes do projeto.
Com o desaparecimento da tribuna do coral e, conseqüentemente,
de sua escada exterior, fica reduzida consideravelmente a importância
do campanário.
Le Corbusier falece em agosto de 1965. A construção, iniciada
apenas em 1970, logo é interrompida, sendo concluída somente
a base do edifício. A terceira fase do projeto inicia-se em dezembro
de 1993 com a entrega de um novo projeto na prefeitura de Firminy, sendo
concluída em novembro de 2006.
Em 1996, a base da construção, ruína moderna inacabada,
é classificada como monumento histórico. Como edifício
destinado à cultura e ao patrimônio, o projeto deve fazer
uma ponte entre o Museu de Arte Moderna de Saint-Étienne, transformando
os dois primeiros pavimentos, inicialmente destinados às atividades
paroquiais, em salas de exposição.
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