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| Balanço térmico natural: o ar entra
por um grande vão entre a sala e a piscina, e sai, quente,
por aberturas que ficam no forro; o acabamento em cor clara foi uma
recomendação dos estudos, pois absorve menos calor |
Proporcionar conforto térmico em uma residência por meio das
trocas de calor realizadas pelo corpo humano e pela ventilação
natural do local. A Noosfera Projetos Especiais resolveu investir nesse
sistema, junto a uma série de outros elementos sustentáveis,
em uma casa ainda em construção na praia de Jurerê Internacional,
em Florianópolis, que promete ter o primeiro selo Leed para residências
no Brasil. Com consultoria da Livre Arq para questões acústicas,
térmicas e de iluminação e também de especialistas
do Labaut/FAUUSP (Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência
Energética), o projeto arquitetônico levou em consideração
a ventilação natural no local e índices de temperatura
em diferentes épocas do ano para criar um ambiente com um balanço
térmico natural. As verificações de desempenho térmico
foram realizadas com o auxílio de simulações computacionais,
que traçaram a condição térmica do edifício
a partir de análises horárias instantâneas. Dessa
forma, foi possível definir o desempenho térmico não
só ao longo de um ano típico, mas também em condições
extremas.
Para atingir o chamado conforto térmico - ponto em que o
organismo humano não sofre nenhum tipo de estresse por frio ou
calor -, os estudos analisaram o posicionamento e dimensionamento
de vãos e aberturas, incluindo a especificação de
materiais, principalmente as superfícies envidraçadas. Apenas
alguns ambientes, como as suítes e o lounge, por exemplo, terão
sistemas de condicionamento artificial e ventilação/exaustão
mecânica, respectivamente.
O modelo teórico para avaliação das condições
de conforto é o balanço térmico entre o corpo humano
e o seu entorno, troca que acontece por meio da pele e respiração.
"Em qualquer sistema, se houver diferença de temperatura,
tem-se a tendência de trocar calor. Assim, o balanço térmico
sempre se realiza considerando que os corpos ou partes de um corpo, em
um sistema fechado, irão trocar calor até entrar em equilíbrio
energético", explica Alessandra Prata, arquiteta do Labaut.
O sistema de ventilação natural foi pensado para funcionar
segundo o chamado "efeito chaminé", no qual o vento remove
a carga térmica do ambiente, levando a temperatura interna do ar
a valores mais próximos da externa.
Em função dos ventos, a entrada de ar principal se dá
por uma grande abertura no piso térreo junto à piscina (2,1
m altura x 8 m largura). Essa abertura, segundo Leonardo Marques, também
do Labaut, já era uma premissa do projeto arquitetônico,
que queria integrar o interior e exterior do ambiente, de forma a utilizar
esse espaço como um deck coberto na sala e à beira da piscina.
O ar entra pelos níveis mais baixos da residência e, inevitavelmente
quente, sobe e sai pelos mais altos, por aberturas menores no forro -
com 30 cm de altura ao longo de toda a largura dos ambientes - que
funcionam como saídas de ar nos diversos andares da casa, em cômodos
como a dependência de empregados, depósito, corredor e cozinha
no pavimento térreo e suítes no pavimento superior. Com
essa disposição, aproveita-se ainda o vento fresco que vem
da água da piscina, que demora para esquentar.
A adequada operação dos sistemas de abertura ao longo
das diversas estações do ano é essencial. "Há
sempre a possibilidade de mudança de operação do
sistema, buscando uma configuração de abertura ou fechamento
de entradas e saídas de ar que favoreçam o resfriamento
ou aquecimento da edificação", diz Leonardo Marques.

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