BRASÍLIA GANHA NOVO BAIRRO, NO SETOR NOROESTE
Prevista no trabalho Brasília revisitada, apresentado por Lucio Costa
em 1987, a construção do bairro Noroeste em Brasília deve ter suas obras
iniciadas ainda em 2008. O projeto já obteve licença prévia do Ibama (Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), e aguarda
a licença de instalação para poder ter as obras iniciadas. "A área estava
para ser construída há mais de dez anos, mas nunca foram feitos estudos
ambientais e urbanos para viabilizá-la. Em 2007 fizemos isso, tudo dentro
do padrão do que Lucio Costa propôs, com seis pavimentos e capacidade
máxima de 40 mil habitantes", conta o secretário de Desenvolvimento Urbano
e Meio Ambiente do Distrito Federal, Cassio Taniguchi.
O projeto original de Lucio Costa, no entanto, sofreu algumas alterações,
sob a coordenação do arquiteto Paulo Zimbres, responsável
pelo projeto de Águas Claras, também no DF. Isso, segundo
o secretário, foi feito para atender novas demandas e corrigir
problemas encontrados no bairro Sudoeste, também previsto na proposta
Brasília revisitada, e construído desde a década
de 1980.
Um dos pontos alterados é a construção de três
entradas em vez de uma, o que, segundo o secretário, deve melhorar
o fluxo de veículos. Além disso, estão previstas
mudanças no formato das áreas comerciais e na disposição
do parque Burle Marx, que terá sua área aumentada de 175
para 300 hectares. O parque atende a proposta de que o Noroeste seja um
bairro sustentável. Para isso, prevêem-se sistemas de reciclagem,
uso de energia solar, reúso de água das chuvas, ciclovias
e grande área verde.
O Noroeste terá área de cerca de 200 hectares, onde serão
construídos 220 edifícios residenciais e outros 130 comerciais,
que ocuparão 20 quadras. As moradias são do tipo superquadras,
as mesmas que compõem as Asas Sul e Norte e o bairro Sudoeste.
O espaço do bairro Noroeste é a última área
livre do Plano Piloto. Sua implantação foi proposta por
Lucio Costa após uma visita à Brasília, na qual constatou
que a distância entre o Eixo Monumental da rodoviária e a
ferroviária havia dobrado de tamanho com relação
ao projeto original, o que aconteceu porque a cidade "escorregou"
para o Leste durante sua construção. Maria Elisa Costa,
arquiteta da Casa de Lucio Costa e ex-presidente do Iphan (Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), lembra
que, segundo a proposta original do Plano Piloto, o crescimento de Brasília
como metrópole é algo indesejado. "Crescimento é
incompatível com a intenção de preservar a identidade
original da cidade. Brasília não deve ser preservada porque
é tombada, mas é tombada porque deve ser preservada",
afirma. Para a arquiteta, a expansão deve ser pensada no restante
da área urbana do DF, que sofre com o aumento da população
urbana e com a ausência de um pólo gerador de empregos fora
da capital. "Existe uma sobrecarga no trânsito do Plano Piloto,
e a implantação do Noroeste significa, evidentemente, um
acréscimo a essa sobrecarga", analisa Maria Elisa. Confira
no site de AU a carta de Maria Elisa da Costa sobre o projeto do bairro
Noroeste.
DOIS PRODUTOS BRASILEIROS RECEBEM O SELO ALEMÃO RED DOT
DE EXCELÊNCIA EM DESIGN
O
arquiteto e designer Arthur Casas recebeu o selo alemão Red Dot
de 2008, na categoria design de produto, pelas peças desenhadas
para a Riva, fabricante de objetos em prata e aço inox. A linha
é composta por faqueiro, sopeira e bandeja e tem inspiração
na geometria da jararaca.
Também brasileiro, o jato da Embraer MSJ foi premiado com o Red
Dot na categoria automóveis e transportes, por seu design de interiores
- criação da norte-americana BMW Group Designworks
USA. A edição de 2008 recebeu mais de três mil criações
de 51 países. Desses, 676 receberam o selo Red Dot e 50, o Red
Dot: Best of the best pelo design inovador. Nenhum brasileiro ficou com
o Best of the best. As peças ficam expostas no Museu de Essen,
na Alemanha.
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