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Sustentabilidade

Fachadas seriadas e cobertura unificada
POR ANDRESSA FERNANDES



A região de Las Tablas, novo pólo de desenvolvimento urbano ao norte de Madri, foi o local escolhido pelo Grupo Telefônica para sua nova sede, um complexo que reúne todas as companhias e divisões da empresa na capital espanhola. Finalizado no ano passado, após quatro anos de obras, o Distrito C, como foi batizado, abriga todos os funcionários da companhia - cerca de 14 mil pessoas - e traz números ainda maiores: são 19 hectares de superfície com 400 mil m² de área construída e 4.700 vagas de estacionamento.

As exigências de coordenação de duas hierarquias - a de um estrito programa corporativo e a de um espaço para atividades sociais dos funcionários - impuseram ao arquiteto Rafael De La-Hoz o desafio de realizar um projeto proporcional ao tamanho da empresa, o que poderia significar um imenso impacto ambiental. No entanto, o que se vê no Distrito C é o uso de soluções inteligentes, que atendem as demandas do projeto com o mínimo de impacto possível.

Os elementos que mais chamam a atenção são as fachadas de vidro e o teto coberto por painéis fotovoltaicos que transformam a energia solar em eletricidade.

Para as fachadas, uma coisa era certa: devido à grande escala do projeto, era preciso utilizar um único material para o acabamento, o que garantiria a unidade. "O maior desafio foi não ficar assustado por usar um único material, pois em algumas unidades de escalas específicas isso não garante a uniformidade", conta De La-Hoz.

A solução foi o emprego do vidro, tanto com sua transparência total quanto com sua absoluta opacidade - o que para De La-Hoz não parecia um paradoxo. Para atender à primeira característica, foram usados vidros extraclaros em painéis de 4 m x 2 m, enquanto para a segunda condição, essencial para garantir o sombreamento da área, foi utilizado um tipo especial de vidro, desenvolvido especificamente para o projeto, o Superdual Distrito C.

Esse vidro parece transparente se visto do interior do prédio, e opaco e claro quando observado do exterior. Essa característica garante à fachada o contraste claro/escuro. O sistema de sombreamento vertical liga essas duas fachadas estruturalmente e também as deixa aptas a encarar qualquer direção da luz solar. "A opacidade permite que o prédio tenha uma espécie de cortina na fachada, o que garante sombra, e, por ser transparente a partir do interior, mantém a vista para o lado de fora", explica o arquiteto. "As sombras dos elementos construídos (as fachadas verticais) são projetadas na superfície lisa do vidro opaco e então compõem a percepção visual da fachada. Fizemos uma pesquisa intensa de sombras e iluminação e, claro, isso determinou a forma, cor e a construção do projeto", completa.

Os guarda-sóis formados na fachada também ganharam valor ornamental, criando uma estrutura diferenciada, resultado da interação de dois sistemas: o vidro mutante e a sombra seriada, uma relação que dita a modulação e a lógica construtiva da fachada.

São utilizados três tipos de instalação das asas que compõem o sombreamento vertical: encaixado, cunhado e enlaçado (este último presente somente no centro da fachada). Essas tipologias, consideradas muito importantes por De La-Hoz, é que ligam a percepção das sombras com a tradição clássica dessa estrutura.

Tecnicamente, a fachada é composta por um sistema de dupla parede. De acordo com o arquiteto, a combinação das qualidades filtradoras e a distância entre as duas paredes conseguem reduzir o fator solar para 18%, pois a primeira camada de vidro muda o comprimento das ondas infra-vermelhas, não permitindo que elas passem pela segunda camada. Essa relação é essencial para a redução dos custos de manutenção do ar-condicionado, uma vez que ao se ter menos calor no ambiente, há também menor necessidade de ar refrigerado. "A eficiência energética tornou possível a construção de um sistema de ar-condicionado com uma espécie de (cold beam), tendo como conseqüência a economia de energia e a redução drástica do movimento do ar, permitindo a manutenção sem qualquer ferramenta mecânica", explica De La-Hoz.

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Bruno Luiz Gonçalves [16/07/2008 12:04]Mensagem imprópria? Clique aqui

Bom, acho estas idéias de sustentabilidade nas construções fantástica, creio que com todos esses cuidados e preocupações de todos nós, profissionais da área, podemos unir o útil ao agradável, unir elementos para que possanmos colocar o mundo na diração certa.
 
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