A região
de Las Tablas, novo pólo de desenvolvimento urbano ao norte de
Madri, foi o local escolhido pelo Grupo Telefônica para sua nova
sede, um complexo que reúne todas as companhias e divisões
da empresa na capital espanhola. Finalizado no ano passado, após
quatro anos de obras, o Distrito C, como foi batizado, abriga todos os
funcionários da companhia - cerca de 14 mil pessoas -
e traz números ainda maiores: são 19 hectares de superfície
com 400 mil m² de área construída e 4.700 vagas de
estacionamento.
As exigências de coordenação de duas hierarquias
- a de um estrito programa corporativo e a de um espaço para
atividades sociais dos funcionários - impuseram ao arquiteto
Rafael De La-Hoz o desafio de realizar um projeto proporcional ao tamanho
da empresa, o que poderia significar um imenso impacto ambiental. No entanto,
o que se vê no Distrito C é o uso de soluções
inteligentes, que atendem as demandas do projeto com o mínimo de
impacto possível.
Os elementos que mais chamam a atenção são as fachadas
de vidro e o teto coberto por painéis fotovoltaicos que transformam
a energia solar em eletricidade.
Para as fachadas, uma coisa era certa: devido à grande escala
do projeto, era preciso utilizar um único material para o acabamento,
o que garantiria a unidade. "O maior desafio foi não ficar
assustado por usar um único material, pois em algumas unidades
de escalas específicas isso não garante a uniformidade",
conta De La-Hoz.
A solução foi o emprego do vidro, tanto com sua transparência
total quanto com sua absoluta opacidade - o que para De La-Hoz não
parecia um paradoxo. Para atender à primeira característica,
foram usados vidros extraclaros em painéis de 4 m x 2 m, enquanto
para a segunda condição, essencial para garantir o sombreamento
da área, foi utilizado um tipo especial de vidro, desenvolvido
especificamente para o projeto, o Superdual Distrito C.
Esse vidro parece transparente se visto do interior do prédio,
e opaco e claro quando observado do exterior. Essa característica
garante à fachada o contraste claro/escuro. O sistema de sombreamento
vertical liga essas duas fachadas estruturalmente e também as deixa
aptas a encarar qualquer direção da luz solar. "A opacidade
permite que o prédio tenha uma espécie de cortina na fachada,
o que garante sombra, e, por ser transparente a partir do interior, mantém
a vista para o lado de fora", explica o arquiteto. "As sombras
dos elementos construídos (as fachadas verticais) são projetadas
na superfície lisa do vidro opaco e então compõem
a percepção visual da fachada. Fizemos uma pesquisa intensa
de sombras e iluminação e, claro, isso determinou a forma,
cor e a construção do projeto", completa.
Os guarda-sóis formados na fachada também ganharam valor
ornamental, criando uma estrutura diferenciada, resultado da interação
de dois sistemas: o vidro mutante e a sombra seriada, uma relação
que dita a modulação e a lógica construtiva da fachada.
São utilizados três tipos de instalação das
asas que compõem o sombreamento vertical: encaixado, cunhado e
enlaçado (este último presente somente no centro da fachada).
Essas tipologias, consideradas muito importantes por De La-Hoz, é
que ligam a percepção das sombras com a tradição
clássica dessa estrutura.
Tecnicamente, a fachada é composta por um sistema de dupla parede.
De acordo com o arquiteto, a combinação das qualidades filtradoras
e a distância entre as duas paredes conseguem reduzir o fator solar
para 18%, pois a primeira camada de vidro muda o comprimento das ondas
infra-vermelhas, não permitindo que elas passem pela segunda camada.
Essa relação é essencial para a redução
dos custos de manutenção do ar-condicionado, uma vez que
ao se ter menos calor no ambiente, há também menor necessidade
de ar refrigerado. "A eficiência energética tornou possível
a construção de um sistema de ar-condicionado com uma espécie
de (cold beam), tendo como conseqüência a economia de energia
e a redução drástica do movimento do ar, permitindo
a manutenção sem qualquer ferramenta mecânica",
explica De La-Hoz.
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