Características construtivas
Na execução do conjunto - com mão-de-obra dos
moradores da Vila da Barca -, o arquiteto utilizou a cerâmica
armada, tecnologia construtiva desenvolvida por seu escritório.
Freitas salienta, entre as vantagens, o baixo custo, a agilização
e racionalização da construção e, ainda, a
capacidade de resistir a altos esforços estruturais resistentes
ao empuxo da terra.
Fabricados lisos, os blocos cerâmicos podem ser deixados aparentes,
o que reduz os custos com acabamento. Como o sistema prescinde de equipamentos
especiais para a execução, pode utilizar a mão-de-obra
das regiões menos desenvolvidas do País, sendo ideal para
mutirões e autoconstrução.
Paisagismo
Claudia Duarte, paisagista, sócia do escritório CoOperaAtiva
concebeu os espaços de convivência e lazer como extensão
natural das moradias. O projeto abrange as grandes áreas -
como a faixa da orla e as praças - e os pequenos largos entre
as unidades habitacionais e as ruas internas de pedestres e de acesso
motorizado.
A flora nativa da região amazônica foi valorizada nas especificações
de plantio. A necessidade de redução do custo com manutenção
das áreas ajardinadas levou a paisagista a privilegiar o plantio
de árvores em detrimento de mudas ornamentais.
Foram criadas, junto aos acessos das residências, pequenas áreas
gramadas, onde os moradores podem cultivar as espécies desejadas,
tanto ornamentais quanto ervas para temperos ou remédios tradicionais
da região. A arquiteta acredita que a participação
da população na transformação da paisagem
reforça a apropriação dos espaços projetados
e a criação de uma identidade própria.
Dentre as espécies arbóreas plantadas, Claudia Duarte
destaca a mangueira, o abricó-de-macaco, pouco usado em projetos
paisagísticos locais, embora amplamente empregado por Roberto Burle
Marx; o ipê-amarelo, o sombreiro, especificado para proporcionar
sombra às áreas de estacionamento; o bacurizeiro e o taperebazeiro,
cujos frutos são apreciados pela população. Há
ainda as espécies de palmeiras nativas, imprescindíveis
na vida da população amazônica, como alimento e matéria-prima,
como o açaí (Euterpe oleracea), a inajá (Maximiliana
maripa), e o babaçu (Orbignya speciosa).
REGULAR POLYHEDRONS
The community formed by the 400 families who live at the Vila da Barca,
Belém, palafittes received, in December 2007, the first phase
of an ambitious social dwelling project. The project, by the architect
Luiz Fernando de Almeida Freitas sought to respect the area's characteristics.
Therefore, the buildings and the open spaces reinterpret pre-existing
paradigms, with a high density low height design, which allows for keeping
a connection to the ground and to the neighborhood. Besides three central
plazas, small squares were planned which reinforce the arborization
and make the connection and access between the buildings. The typology
of the 624 living units is two-floors and internal stairs, each with
65 m², all in reinforced ceramics. The units are regular polyhedron-shaped,
generated by addition and subtraction operations starting with the basic
form of the cube. The apparent misalignment of the edifications, suggested
by the advances and retreats of the facades, contributes to soften the
geometric regularity of the street layout. Claudia Duarte, the landscape
architect, conceived the socializing and leisure spaces as a natural
extension of the dwellings, emphasizing the Amazon Region flora for
the species selection.
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