Publicidade
  Login:   Senha:   OK  
 
 
 
Envie para um amigo Imprimir
Crônicas Agudas

CIRCULAR: VERBO INTRANSITIVO
TERRA EM TRÂNSITO, SEM RETORNO ABAIXO

POR SERGIO TEPERMAN


O veículo particular é amado pela liberdade e independência que oferece, até em um congestionamento. As condições atuais da economia brasileira, em especial quanto às oportunidades de financiamento, permitem que um número enorme de pessoas compre o sonho de sua vida: um Fiat Mille com dez anos de uso (a preocupação na hora da compra é o valor da prestação, não o preço final do veículo). É justo quando por milagre conseguem realizar esse sonho agir de maneira elitista e proibir de adquiri-lo?

As cidades brasileiras decidiram erradamente há décadas pelo automóvel e o país, pelas rodovias. Com a deterioração geral de nossos meios de transporte, somos agora levados de um lugar a outro (exceto em estradas com concessões) por rodovelhas, ferrovelhas e com o apagão aéreo, aerovelhas.

Por questões de viabilidade financeira e de tempo, não vejo como alterar essa opção pelo metrô. O que podemos fazer é nos adaptar a essa situação da maneira menos ruim possível e abandonar a fantasia de que dezenas de milhares de ônibus resolverão o problema... Em São Paulo seriam necessários uns 50 anos para termos um metrô como o de Londres, mesmo que se decidisse não pagar os custos das desapropriações, como faz o MST, ou no Pantanal, os MSA (sem água).

Sempre se pode retirar todos os carros das ruas e deixar os ônibus circularem livremente. O resultado será que, sem uma rede extensa, integrada e eficiente de transporte subterrâneo, ninguém chegará na hora em lugar nenhum se tiver um trabalho ou compromissos que exijam deslocamentos durante o dia, e não simplesmente o ire e bire. Simplesmente não dá.

As cidades brasileiras (todas) não terão jamais os recursos para construir linhas completas de metrô. Se fôssemos realistas entenderíamos que providências diretas ajudariam a mitigar os problemas. Millôr Fernandes já sugeriu fechar todas as saídas de túneis do Rio de Janeiro e retirar a iluminação, como forma de reduzir o número de veículos em circulação...

Deveríamos parar de discutir "a indústria das multas" e impedir o estacionamento em toda e qualquer área que impeça a fluidez. Os estacionamentos particulares ficariam ricos? Taxação violenta neles e uso dos recursos para sinalização, pavimentação, fiscalização, educação e repressão. E o resto para estacionamentos subterrâneos.

Caminhões de lixo, de entregas, de mudanças e de bebidas (esses são os piores), só à noite. Custa caro? Claro, mas é o preço de se morar nas cidades e se ampliaria o número de empregos.

É inacreditável que se permita recolher lixo de maneira improvisada com caminhões imundos andando a 10 km por hora para não quebrar, ou pobres carroceiros tentando ganhar a vida com reciclagem – quando são eles que deveriam ser reciclados e ganhar um emprego decente –, ou que lixo e entulho fiquem por semanas em perigosíssimas caçambas estacionadas.

Sem considerar os milhares de caminhões, inclusive com cargas perigosas, que atravancam e envenenam as cidades porque os ambientalistas não querem a construção de rodovias de contorno para não atropelar os gatos-leão dourados. Ou que haja bêbados bebuns pinguços bebendo bebidas alcoólicas, dirigindo alcoolizados possantes veículos a álcool na contramão em estradas, pontes e túneis, uisquecendo as regras de trânsito.

Há ainda a última praga do Egito: os motoboys, que devastam as ruas como gafanhotos. Um bando de delinqüentes tentando ganhar a vida honestamente. Como não podemos impedi-los de se suicidar no trânsito (um por dia no mínimo em São Paulo), poderíamos impedir o concerto de motos acidentadas (com c mesmo, é ruído), reduzindo, assim, de maneira um tanto intempestiva o número de motos, de mortos e até de acidentes. É outro processo Millôr Fernandes. A (i)moral da história talvez seja a seguinte: somos uma (in)civilização americana e não européia (infelizmente).

Não temos recursos para construir metrôs na velocidade necessária, nem para cobrir o atraso e muito menos planejar o futuro. Ônibus não resolvem, portanto poderíamos aceitar dos males o maior: a ilusória, porém agradável, liberdade de movimento proporcionada pelos automóveis. E não se desesperar no meio do congestionamento. Se você tiver uma boa companhia e passar por uma pracinha, um parque, estacione (se puder) tranqüilamente, esqueça o atraso no compromisso que tiver, corrija outro atraso e transe em terra.

Continua (o artigo, não a transa, infelizmente), porque o problema que agora envenena São Paulo vai atingir todas as grandes cidades brasileiras. Cem artigos não serão nem suficientes, nem úteis. O problema não é o trânsito, é o planejamento urbano. Mas com políticos subdesenvolvidos (ou seja, todos os de países idem), se torna insolúvel.

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2
 
 
Envie para um amigo Imprimir
 
 
Relacionados
 

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Fóruns :: ed 177 - Dezembro 2008
A lei de assistência técnica gratuita vai gerar mais oportunidades de trabalho?

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Crônicas Agudas :: ed 177 - Dezembro 2008
It's the economy, stupid!

PINIweb :: 09/01/09
China anuncia construção de usina solar de 1 Gigawatt

PINIweb :: 09/01/09
Construção civil sofreu inflação de 11,73%

 
 
Publicidade


digital aU
 
 
 
     
 
Notícias  
 

08/01/2009
Unicamp anuncia concurso internacional para museu

08/01/2009
Conjunto urbanístico em São Bernardo do Campo é recuperado

07/01/2009
Oportunidades de investimentos em obras para a Copa de 2014 foram desperdiçadas

06/01/2009
CUB paulista atingiu alta de 10,96% em 2008

 
 
lojaPini
OK
 
TAGs
Entender TAG
Arquitetura Banco do Brasil Caixa caixa econômica federal CBIC crédito crise crise financeira FGTS FGV financiamento IAB-SP investimentos materiais MP 443 prêmio sinduscon-sp sustentabilidade vencedores Vendas
 
 
Guia da Construção
 
 
 
 
piniweb Copyright © 2008 - Editora PINI Ltda. Todos os direitos reservados.
   
  OK
 
 
sites Pini  
     
   
  aU - Arquitetura & Urbanismo
Casa | Brasil | Internacional | Entrevista | Interseção | Crônicas Agudas | Exercício Profissional | Interiores
  NOTICIÁRIO
Arquitetura|Custos|Exercício Profissional e Entidades|Gestão|Habitação|Infra-estrutura|Legislação|Mercado Imobiliário|Sustentabilidade|Tecnologia & Materiais|Urbanismo
  REVISTAS
Construção Mercado | aU - Arquitetura & Urbanismo | Téchne | Equipe de Obra
  LIVROS & TCPO | SOFTWARES
  GUIA DA CONSTRUÇÃO
Guia de Fornecedores | Preços Pesquisados | Índices e Custos | Atualização Monetária | Como Especificar
  SERVIÇOS
Expediente | Fale Conosco | Cadastre-se | Suporte de Software | Representantes | FAQ Portal | Anuncie
   
 
 
by ContentStuff
aU