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Brasil

CULTURA RESTAURADA
AS OBRAS DO LONGO PLANO DIRETOR FORMULADO PARA RECUPERAR O CAMPUS DA FACULDADE DE MEDICINA EM SÃO PAULO TIVERAM INÍCIO EM 2004. AGORA OS PRIMEIROS RESULTADOS COMEÇAM A SURGIR

POR HAIFA YAZIGI SABBAG FOTOS MARCELO SCANDAROLI

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Em terreno arborizado de 75 mil m² do antigo campo de Araçá, atual bairro de Pinheiros, o edifício da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, construído em estilo Tudor, tendência que predominava nas tradicionais escolas da Inglaterra e Estados Unidos, foi construído pelo Escritório Ramos de Azevedo, em 1928. O projeto da escola foi elaborado por professores da Faculdade que, a convite da Fundação Rockfeller, responsável por sua concretização, visitaram instituições de ensino de medicina e cirurgia na Europa e Estados Unidos. Inaugurado em 1931 o campus vinha exigindo intervenções urgentes.

Em 1998, o IAB, em conjunto com o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) e a Fundação Faculdade de Medicina, realizou um concurso para o plano diretor de restauração e ampliação da Faculdade, incluindo espaços novos para atender as demandas atuais assim como as futuras. Como o edifício original foi se descaracterizando com acréscimos ao longo desses anos, o Conselho não permitiu nenhuma nova construção até que houvesse um planejamento e demolição dos anexos. O concurso previa a criação de novos volumes com área de até 6 mil m², desde que implantados de forma harmoniosa. Vale lembrar dois aspectos importantes: a edificação original era modulada, com estruturas em concreto independentes das paredes.

Os arquitetos Vinicius Andrade e Marcelo Morettin, titulares do escritório Andrade Morettin, em parceria com os arquitetos José Alves e Lua Nitsche venceram o concurso em que participaram 85 equipes. São todos formados na FAUUSP entre 1997 e 1991. O Plano Diretor e todas as instalações novas, incluindo a requalificação do teatro, ficou a cargo dos jovens arquitetos.

Para o restauro propriamente dito, o então diretor da Faculdade, professor Flávio Fava de Moraes, convidou o arquiteto e professor Júlio Katinsky, que se associou às arquitetas Helena Ayoub Silva e Thereza Katinsky, antiga colaboradora do DPH (Departamento do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo). Embora já constasse no plano de ampliação da Faculdade uma nova biblioteca, a direção da escola optou, numa primeira fase, pela recuperação e modernização da já existente, tarefa que ficou a cargo do escritório Paulo Bruna Associados. Trabalhando separadamente, mas em pleno acordo, a preocupação maior das três equipes foi recuperar o esplendor do prédio de 1922.

Os espaços novos e suas relações com o existente
No ano de 2004 iniciaram-se as obras que, de acordo com o plano diretor, abrangiam três segmentos: urbanização da área, edificações novas e restauro e modernização. Além da nova biblioteca (semi-enterrada, segundo a proposta), os arquitetos haviam proposto também um estacionamento subterrâneo, no lado direito do terreno, em edifício contínuo ao conjunto existente. Essas obras, no entanto, não têm previsão de execução.

Todas as intervenções ocorreram com a Faculdade em pleno funcionamento, sem prejuízo do ensino e pesquisa ali realizados. Por meio de um procedimento interdisciplinar envolvendo a administração da escola e as diferentes equipes de trabalho, a primeira ação foi retirar tudo o que obstruía o prédio. Móveis em desuso e antigos equipamentos que se acumulavam nas salas e corredores foram levados para um outro espaço fora do edifício.

Com a demolição dos anexos que cercavam o prédio, algumas funções passaram para o interior da sede - caso do grêmio dos funcionários -, e outras foram transferidas para três novas construções: a Central de Utilidades, o edifício de Áreas Técnicas e o Pavilhão de Serviços. O primeiro, que abriga o comando de ar-condicionado, materiais inflamáveis, gases e outras substâncias, é composto de um volume envidraçado ao lado da sede, protegido por alambrado. O edifício de Áreas Técnicas, implantado no limite do terreno do lado esquerdo, abriga administração, agência bancária, almoxarifado e as dependências para a empresa terceirizada de limpeza e salas dos vigias. Por fim, o Pavilhão de Serviços está situado na divisão posterior do terreno.

Explica Vinicius Andrade que nas novas edificações os arquitetos não procuraram mimetizar o edifício histórico, mas, sim, manter um diálogo entre o velho e o novo por meio de estruturas leves de aço e vidro, evitando a alvenaria. Nessa linguagem contemporânea, além das áreas de suporte e serviços, seguem as duas novas portarias de acesso geral da faculdade e, principalmente, a reestruturação do teatro/auditório.

Várias intervenções dentro do edifício deram mais dinamismo às funções realizadas nos antigos espaços. Como exemplo, o projeto de uma nova circulação longitudinal abaixo do piso térreo em toda a extensão da sede. Esse caminho inicia-se no teatro, passa pelo centro acadêmico e café situados nessa cota, terminando no final do prédio em um acesso independente, atendendo tanto o setor dos alunos, quanto o auditório. Na realidade, esse corredor decorre do declive do terreno: com a reforma e aprofundamento do solo desfez-se o antigo porão. Foram escavados 4,5 cm para nivelar o piso antigo com o pátio externo, obtendo-se altura necessária para a circulação e setor de alunos, possibilitando aberturas para o jardim posterior, anteriormente sem acesso interno.

Nos corredores dos três pavimentos do edifício-sede passava a fiação elétrica, instalada de maneira precária durante as décadas após a inauguração do prédio. O novo projeto propôs uma passagem de dutos pelo forro dos corredores, concentrando nela a instalação vital. Essas "pontes de instalação", fechadas com placas intermitentes de iluminação, ligam-se a seis shafts verticais permitindo, além de acessibilidade aos condutores, sua conexão com os laboratórios. A matriz se encontra na subestação elétrica, situada no Pavilhão de Serviços, junto com as estações de fluidos vitais (gases medicinais), gerador e outros equipamentos.

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FÓRUM FATO & OPINIÃO Lista de Fóruns Enviar Tema
ANDREIA GUIDO [19/08/2008 12:20]Mensagem imprópria? Clique aqui

Parabenlizo a revista pelos seus artigos que vem só acrescentar os conhecimento na area de arquitetura e urbanismo......
Laerte Reis Leal [30/05/2008 11:19]Mensagem imprópria? Clique aqui

Queria Parabenizar a Revista AU, pelo excelente Matéria, que proporcionou ao leitor que não reside em São Paulo ou que não conhece a FMUSP, uma visão exata da situação da Faculdade de Medicina da USP, essa matéria veio para me ajudar pessoalmente, por ser estudante de Arquitetura e esta fazendo o Trabalho Final a respeito do assunto, Faculdade de Medicina. Parabéns. Atenciosamente, Laerte Leal Teresina,PI
 
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