Contatado em 2004 para projetar o restauro e a requalificação
da Biblioteca Central da Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo (FMUSP), o arquiteto e professor Paulo Bruna também foi o
autor da modernização da biblioteca da Faculdade de Saúde
Pública da USP, localizada na mesma avenida da FMUSP.
Situada no primeiro dos três volumes salientes da fachada principal
da Faculdade, cujo prédio forma um "E", a biblioteca
central da FMUSP conta com 2.850 m2 de área, distribuída
em quatro pavimentos.
A necessidade de ampliação do espaço do acervo
de livros, a reorganização das áreas administrativas
e uma circulação eficiente foram as principais intervenções
aí efetuadas. A entrada principal, que se localizava anteriormente
na lateral do edifício, abrindo-se diretamente no segundo pavimento
em razão do declive do terreno, voltou à fachada frontal
do prédio, no nível da rua, indicando, assim, os fluxos
de circulação. Os acessos à biblioteca pelo lado
de dentro do prédio foram fechados para maior controle da retirada
dos livros. O contato visual entre os dois ambientes, entretanto, foi
mantido graças à transparência dos painéis
de vidro.
A reorganização das funções permitiu uma
melhor definição dos espaços e a capacidade da biblioteca
passou de 53 mil para 117 mil volumes. Observa o arquiteto Paulo Bruna
que o acervo de periódicos, disposto em uma estrutura metálica
dos anos de 1930 doada pela Fundação Rockfeller, agora se
tornou visível a partir da entrada do térreo graças
à instalação de grandes caixilhos de vidro.
Com a transferência da porta principal para a fachada frontal,
a área anteriormente ocupada pelo setor de pós-graduação
passou a abrigar a portaria e os espaços de atendimento aos alunos.
No segundo piso localiza-se a maior parte do acervo de livros, além
das salas de consulta. No terceiro estão as áreas administrativas.
O subsolo foi reservado ao setor de oficinas, de periódicos e restauração
de livros.
Essa área já havia sido modificada anteriormente com a
demolição parcial de uma laje de concreto no terceiro pavimento
para dar lugar a mezaninos com estantes metálicas que dividiam
a altura do pé-direito. Durante o restauro atual esses mezaninos
foram retirados, restabelecendo-se as circulações originais.
Atualmente, um novo espaço abriga uma ala de livros raros, herdados
da Fundação Oscar Freire. Os pisos de granilite, destruídos
em parte durante outras reformas, foram refeitos cuidadosamente com o
mesmo material para manter o espírito da época, conforme
observa o arquiteto ao justificar a retirada do mármore nas cores
preta e branca que recobria o então espaço da pós-graduação.
"O esplendor do edifício voltou a existir", enfatiza
Bruna.
A iluminação, fator crucial em uma biblioteca, ficou a
cargo de Esther Sthiller.
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