A necessidade de se criar uma Escola de Medicina
em São Paulo, decorrência natural do precursor curso
de Farmácia existente, foi levantada em 27 de fevereiro de
1878 por Cesário Motta Junior, em discurso na Assembléia
Provincial.
O primeiro passo ocorreu em 1895 com a criação da
Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, presidida
por Pereira Barreto e, entre os fundadores, constava Cesário
Motta.
Mas só 21 anos depois, em janeiro de 1913, foi implantada
a faculdade, utilizando algumas salas cedidas pela Escola Politécnica
de São Paulo e outras da Escola de Comércio Álvares
Penteado, no largo São Francisco.
Arnaldo Viera de Carvalho, responsável pela instauração
da Faculdade de Medicina, ocupava então o cargo de diretor
clínico da Santa Casa de Misericórdia e se mostrava
contrário à vinculação de uma nova escola
à Santa Casa, buscando por essa razão um novo local
para a sua instalação.
Em 25 de janeiro de 1920 foi lançada a pedra fundamental
da sede própria, em terreno localizado em frente ao cemitério
do Araçá, edificação que hoje corresponde
ao Instituto Oscar Freire.
Embora tenha falecido precocemente meses mais tarde, a organização
que Arnaldo Vieira de Carvalho imprimiu à escola foi seminal
na constituição de uma sólida estrutura educacional.
Contribuiu para a sedimentação de seu ensino a contratação
de renomados professores europeus para o corpo docente.
Previsto para ocupar cinco edifícios, o conjunto foi concebido
por Ernesto de Souza Campos, Luis de Rezende Puech e Benedicto Montenegro.
A Faculdade de Medicina, em sua totalidade instalada em um único
prédio, foi inaugurada oficialmente em 1931 e, em 1943, passou
a integrar a Universidade de São Paulo.
A Fundação Rockfeller, que já apoiava outras
iniciativas na área de saúde pública no Brasil,
contribuiu com grande parte dos recursos para a construção
do edifício da faculdade e de todo o equipamento para seu
pleno funcionamento.
Segundo pesquisa da historiadora Lina Rodrigues de Faria em A Fundação
Rockfeller e os serviços de saúde em São Paulo,
a cidade seria o modelo para outros Estados da união. Essa
era a política, grosso modo, da Fundação, que
apostou na tradição científica paulista. Seus
membros acreditavam que somente os Estados do Sul do Brasil, particularmente
São Paulo e Rio Grande do Sul, seriam capazes de desenvolver
pesquisas por contarem com uma colonização produtiva
de imigrantes europeus.
Entretanto, não se pode esquecer que em Salvador existia,
desde 1808, a Escola de Cirurgia e que, em 1832, nascia a Faculdade
de Medicina da Bahia. No Rio de Janeiro, a instituição
da Faculdade remonta a 1826, embora também já existisse
na cidade, treze anos antes, a Academia Médica e Cirúrgica.
Em São Paulo, a riqueza decorrente da cafeicultura, em consonância
com políticas públicas resultantes de um governo forte
e centralizador, facilitaram as intervenções da missão
norte-americana iniciada em 1916, não somente no desenvolvimento
do ensino médico mas em diversos procedimentos sanitários
nas áreas rurais, especialmente no combate a endemias.
Vale lembrar que quando a missão Rockfeller chegou ao Brasil,
cientistas-médicos como Artur Neiva, Adolfo Lutz e Vital
Brasil já desenvolviam pesquisas importantes em microbiologia
e saneamento.
Acordos estabelecidos entre a Fundação norte-americana
e o governo estadual permitiram ações de profilaxia
rural e formação de profissionais na área de
saúde pela concessão de bolsas de estudo em universidades
estrangeiras. Foi o caso, entre muitos outros, de Paula Souza, professor
da Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, que se
especializou em Saúde Pública pela Universidade Johns
Hopkins, Baltimore, Estados Unidos, como bolsista da Fundação
Rockfeller.
Com o tombamento de seu edifício pelo Condephaat (Conselho
de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico,
Artístico e Turístico) em 1981, a Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo representa, há mais de
70 anos, um enorme avanço científico, cultural e técnico
e por suas qualidades.
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