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Internacional

Praça e estrutura
JOGO DE PLANOS SOBREPOSTOS, CHEIOS E VAZIOS QUE SE SUCEDEM DE MANEIRA FLUIDA, O EDIFÍCIO MARCA A REVITALIZAÇÃO DO PORTO DE VALÊNCIA, NA ESPANHA

POR FRANCESCO SANTORO

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As provas internacionais da 32ª edição da competição de vela America''s Cup se desenvolveram em Valência, na Espanha, no verão de 2007. Foi a primeira vez, em mais de 150 anos, que as regatas são realizadas na Europa. Para acolher o evento, considerado o mais importante do iatismo, o porto de Valência, o quarto maior do Mediterrâneo, precisou passar por transformações consideráveis de seu masterplan.

Os armazéns industriais e os depósitos abandonados do degradado "porto interno" de Valência foram substituídos por uma moderna infra-estrutura portuária em forma de porto-canal, de 800 m de comprimento e 80 m de largura. Um parque urbano de cem mil metros quadrados envolve o novo porto e dispõe de restaurantes, lojas, espaços expositivos, jardins e ciclovias, 15 mil m² de estacionamentos subterrâneos, além das bases das doze equipes inscritas na competição e toda a estrutura de apoio ao evento.

As regatas da 32ª America''s Cup atraíram cerca de 6 milhões de visitantes à terceira cidade espanhola, gerando um faturamento de 66 milhões de euros. Muito do sucesso do evento se deve às decisões projetuais do comitê organizador, à racionalidade do masterplan do porto e à eficiência das suas arquiteturas.

O masterplan definiu uma área portuária bem desenvolvida nas suas funções e organizada de acordo com os padrões de segurança de um evento desportivo internacional. Ao mesmo tempo, foi pensado para ser permeável à cidade, com uma correta circulação interna feita por ônibus elétricos e lanchas, ou waterbus, ligando seus vários pontos.

Base funcional e simbólica do porto de Valência, o edifício Veles e Vents, do arquiteto britânico David Chipperfield, foi projetado em conjunto com o escritório catalão b720 Arquitectos. Edificado na parte central do parque, no lugar do antigo mercado do peixe, o projeto foi vencedor de um concurso fechado do qual também participaram Jean Nouvel e Carlos Ferrater.

O prédio, construído em apenas onze meses, desenvolve em quatro pisos uma área total de 10 mil m² e constitui a base principal das atividades sociais e de serviços ao público, atendendo também as equipes e os patrocinadores da competição. Com restaurantes e cafés, o Foredeck Club e lojas da marca Louis Vuitton, o edifício distingue-se como mirante privilegiado das regatas e dos diferentes acontecimentos do porto.

O Veles e Vents, em sua essencialidade singela de planos brancos e paralelos sobrepostos, constitui um verdadeiro marco minimalista no panorama do parque da America''s Cup, diferenciando-se notavelmente das exuberantes formas expressionistas do arquiteto valenciano Santiago Calatrava, cujas obras na impressionante Cidade das Artes e das Ciências passaram a caracterizar o skyline da cidade espanhola. O próprio Chipperfield define a construção como uma grande intuição, um prédio inovador, mas simples.

A construção se articula estruturalmente por uma série de terraços projetados à volta dos núcleos inclinados das escadas, em uma translação das lajes que configuram espaços cobertos para proteção da forte insolação do verão, mas permanecem visualmente abertas em todas as direções desde a cidade até o porto e as áreas de regata.

A utilização de painéis de aço branco para revestimento dos parapeitos e dos forros acentua o caráter náutico da construção, junto com as superfícies dos decks em sólida madeira brasileira. Os terraços de concreto armado, projetando-se até 15 m, configuram o prédio como uma sobreposição de lajes retangulares em balanço, lembrando a fluidez espacial da arquitetura de Frank Lloyd Wright com referências mais ou menos explícitas à casa Kauffmann e ao zigurate reverso do museu Guggenheim em Nova York.

Por essas características, o Veles e Vents se inclui com mérito na categoria dos modernos edificios-parapeito, como Arthur Drexler identifica, em Transformaciones en la arquitectura moderna (Gustavo Gili, 1981), as construções com acentuada horizontalidade na alternância de cheios e vazios - concorre a "demolição da caixa" estrutural, de acordo com a definição de Frank Lloyd Wright.

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