Caso
você não visualize a animação corretamente, clique
aqui para fazer o download do plugin do Flash.
Edição 171 | Junho/2008
Editorial
Imagem, mídia e competição
Este número de AU traz duas obras projetadas com a pretensão de constituírem marcos urbanos. Por coincidência, são brancas e implantadas junto à água. Uma delas é a nova sede da Fundação Iberê Camargo, de Álvaro Siza, construída às margens do rio Guaíba, em Porto Alegre. A outra é a nova Ópera de Oslo, do norueguês SnØhetta, que lembra uma geleira despontando de um fiorde. As duas obras são fortemente imagéticas. Foram pensadas assim porque seus empreendedores desejavam, por meio da arquitetura, expressar o valor que conferem à arte e à cultura. Até aí nada de novo. O que há de novidade é a tecnologia que permite tornar esses prédios únicos. A FIC, inteiramente de concreto branco, impressiona pelo detalhamento da construção e hermeticidade - não apenas por ser fechada (segundo Siza para melhor proteger as obras de Iberê Camargo), mas também porque não deixa o observador adivinhar como foi construída. A Ópera de Oslo, além do desenho inusitado, é revestida por 36 mil peças de mármore cortadas individualmente para formar um mosaico de texturas. A cobertura inclinada que termina dentro da água pode ser escalada pela população, tornando-a uma praça pública. A transparência das fachadas de vidro permite não só assistir ao que se passa no interior da edificação, mas também à iluminação das rampas à noite. A qualidade ímpar desses edifícios e o aspecto escultórico, segundo alguns, provocam uma corrida, por vezes vazia de conteúdo, pela obra mais complexa e fotogênica. Alguns arquitetos temem que a obsessão em produzir obras cada vez mais "midiáticas" possa conduzir a arquitetura a um distanciamento da sociedade e à perda de seus próprios valores. Outros encaram tais projetos como passos importantes na evolução do espaço construído. O assunto ganha as páginas da seção Fato & Opinião desta edição e também o fórum do site www.revistaau.com.br. Participe e diga se a busca por essa exuberância visual é nociva para a arquitetura ou se, pelo contrário, constitui um eficiente laboratório para o desenvolvimento de novas tecnologias.