Publicidade
  Login:   Senha:   OK  
 
 
 
Envie para um amigo Imprimir
Fato & Opinião

A obsessão pela imagem é nociva para a arquitetura?

Participe com seu ComentárioO DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DE SISTEMAS CONSTRUTIVOS E DE SOFTWARES AVANÇADOS DE DESENHO PERMITE QUE SE CONSTRUA QUASE QUALQUER TIPO DE FORMA. FRANK GEHRY USOU O CATIA, UM PROGRAMA ELABORADO PARA A INDÚSTRIA AERONÁUTICA, PARA CRIAR OBRAS COMO O GUGGENHEIM DE BILBAO E IMPÔS UM NOVO PARADIGMA, O CHAMADO "EFEITO BILBAO", EM QUE UMA CIDADE DESPROVIDA DE MAIORES ATRATIVOS ENTRA PARA O CIRCUITO INTERNACIONAL DE TURISMO GRAÇAS AO EXTRAVAGANTE MUSEU. É PRECISO DOSAR O EMPREGO DESSES RECURSOS OU A IDOLATRIA À IMAGEM É UM FENÔMENO PERENE? A OBSESSÃO PELA IMAGEM É NOCIVA PARA A ARQUITETURA?

acervo pessoal
A atual obsessão pela imagem dirige o ofício da arquitetura para um papel perfunctório, pouco ético e estranho a uma perspectiva de construção de um mundo mais justo e honesto. A obsessão pela imagem é sim nociva à cidade e à sociedade. A imagem é o evento, o eventual. Arquitetura tem outro caráter. Enquanto a arquitetura estiver relegada ao papel de evento à construção das cidades e à estruturação do território será pauta de interesses estranhos à população. A supervalorização da imagem classifica a arquitetura como exceção. O fazer da arquitetura se realiza plenamente e se estrutura como conhecimento no atendimento de demandas sociais reais e com rigor técnico de quem tem um compromisso com o futuro - além dos eventos. Se entendermos a arquitetura com esse papel, sim, a obsessão pela imagem é nociva.

José Armênio de Brito Cruz, arquiteto, sócio do escritório Piratininga, de São Paulo

acervo pessoal
A obsessão pela imagem é uma contingência da cultura contemporânea que será nociva para a arquitetura somente se as formas acrobáticas, resultantes do emprego das altas tecnologias, se constituírem num objetivo. Ela também será nociva se os edifícios escultóricos forem tomados como modelos ou como falsas tipologias arquitetônicas. Já Bilbao é um exemplo paradigmático pelo uso que se fez do edifício como estratégia de desenho urbano. Nesse caso, a imagem da arquitetura foi empregada para gerar crescimento econômico, político e social. Em vez de se render à obsessão pela imagem, a arquitetura deve utilizar todos os recursos da tecnologia para a criação de condições de vida dignas, em um ambiente melhor e sustentável.

Beatriz Regina Dorfman, arquiteta e professora da FAU PUC-RS

acervo pessoal
Vale a pena lembrar que o trabalho com a imagem é o cerne do processo de projeto, ou seja, é a essência daquilo que nos define como arquitetos. É pela imagem que planejamos e manipulamos o espaço a ser construído. Por isso, a visualidade, quando intimamente associada ao entendimento espacial, é parte importante da prática arquitetônica. O problema, em minha opinião, é que muitas vezes as imagens são dissociadas das relações espaciais, passando a ter um fim em si mesmas. Esse tipo de obsessão superficial com a imagem tende a reduzir a arquitetura a um efeito puramente gráfico. A pergunta-chave para se separar o joio do trigo nesse caso seria: qual a contribuição dessa imagem para o entendimento do espaço a que ela se refere?

Fernando L. Lara, arquiteto, professor da Universidade de Michigan - Taubman College of Architecture and Urban Planning

acervo pessoal
Não creio que exista uma obsessão pela imagem, mas sim uma maior plasticidade e liberdade em termos geométricos que "emergem" do software com uma forte carga visual. Uma arquitetura baseada na particularidade e não em sua produção em massa, se tornou possível com os avanços tecnológicos procedentes da informática, com os programas avançados de desenho digital e com novas formas de fabricação que marcam um ponto de inflexão e caracterizam uma nova vanguarda nesse começo de século. Historicamente a evolução dos sistemas construtivos e materiais sempre tiveram conseqüências na produção arquitetônica. Passamos do reducionismo do esquadro e da régua T à sedução das Splines e Nurbs das geometrias topológicas. Do "tijolo com tijolo num desenho lógico" à complexidade formal que, ao fim e ao cabo, será executada por uma tecnologia (CNC) que nos permite a retomada de uma produção arquitetônica baseada na inovação e na sinuosidade da forma. A complexidade geométrica não deveria ser vista como algo nocivo à arquitetura.

Affonso Orciuoli, arquiteto, professor e diretor do Taller de Arquitectura Digital da Escola Tècnica Superior d'Arquitectura da Universitat Internacional de Catalunya

Weiler Filho/PUC
O problema não está no desenvolvimento dos sistemas construtivos e dos softwares de desenho, mas sim na relação que se estabelece, hoje, entre ambos. A questão é saber, em cada caso, se existe ou não vínculo entre as formas geradas pelos softwares de desenho e a especificidade da forma arquitetônica (necessariamente ligada ao universo da construção, mesmo em Boullée, mesmo em Archigram, repare-se). Como se percebe, tal distinção baseia-se no preceito de que a forma arquitetônica é, por definição, experiência construída no tempo e no espaço da vida, por um corpo sensível. Se a atual obsessão pela imagem implica o abandono desse conceito de forma, então ela é necessariamente nociva para aqueles que julgam que, num mundo dominado pela "virtualidade sem qualquer espessura" (Rodrigo Naves), a arquitetura, como tradicionalmente a entendemos, tende a desaparecer.

Otavio Leonídio, arquiteto

Colaborou: Valentina Figuerola

Participe com seu Comentário

 
 
Envie para um amigo Imprimir
 
 
Relacionados
 

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Fato & Opinião :: ed 176 - Novembro 2008
Qual o futuro do IAB como instituição?

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Agenda :: ed 176 - Novembro 2008
Agenda

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Canal :: ed 176 - Novembro 2008
Canal

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Reportagens :: ed 176 - Novembro 2008
Categorias espaciais

 
 
Publicidade


digital aU
 
 
 
     
 
Notícias  
 

04/12/2008
Senado aprovou Projeto de Lei que garante assistência técnica gratuita à baixa renda

03/12/2008
Obras contratadas reduzirão impacto da crise financeira na construção civil

03/12/2008
Arquitetos já sentem os reflexos da crise

02/12/2008
Arquiteto chileno é o único latino-americano premiado no Award for Emerging Architecture

 
 
lojaPini
OK
 
TAGs
Entender TAG
arquitetura Banco do Brasil Caixa Caixa Econômica Federal cimento crédito crise Crise financeira emprego FGTS FGV financiamento materiais MP 443 poupança prêmio projeto sinduscon-sp sustentabilidade votorantim
 
 
Guia da Construção
 
 
 
 
piniweb Copyright © 2008 - Editora PINI Ltda. Todos os direitos reservados.
   
  OK
 
 
sites Pini  
     
   
  aU - Arquitetura & Urbanismo
Casa | Brasil | Internacional | Entrevista | Interseção | Crônicas Agudas | Exercício Profissional | Interiores
  NOTICIÁRIO
Arquitetura|Custos|Exercício Profissional e Entidades|Gestão|Habitação|Infra-estrutura|Legislação|Mercado Imobiliário|Sustentabilidade|Tecnologia & Materiais|Urbanismo
  REVISTAS
Construção Mercado | aU - Arquitetura & Urbanismo | Téchne | Equipe de Obra
  LIVROS & TCPO | SOFTWARES
  GUIA DA CONSTRUÇÃO
Guia de Fornecedores | Preços Pesquisados | Índices e Custos | Atualização Monetária | Como Especificar
  SERVIÇOS
Expediente | Fale Conosco | Cadastre-se | Suporte de Software | Representantes | FAQ Portal | Anuncie
   
 
 
by ContentStuff
aU