Publicidade
  Login:   Senha:   OK  
 
 
 
Envie para um amigo comente Imprimir
Internacional

Geleira de mármore
Uma rampa revestida de pedra branca conduz ao interior e à cobertura do monumento arquitetônico, erguido com vidro e madeira às margens do fiorde

FOTOS CHRISTIAN RICHTERS/ARTURIMAGENS

border=0


O grande projeto de reurbanização da cidade de Oslo, com massivos investimentos públicos, uniu-se à vontade de transformar a tênue linha que separa a terra do mar, às margens do fiorde da cidade, em um ponto onde a arte se junta à vida. O Parlamento norueguês aprovou, em 1999, a construção de um Teatro Municipal em Bjørvika, região por onde as renovações começariam. O edifício tinha de ser um monumento arquitetônico em soluções técnicas, sistemas construtivos e materiais. Um marco cultural do país, dada a importância social da Ópera e Ballet da Noruega.

Na seqüência, 240 projetos foram inscritos para participar do concurso que deu vitória ao escritório norueguês Snøhetta AS. Quem comandava tudo era o órgão federal responsável pelo desenvolvimento e administração de obras públicas. O Statsbygg - como é conhecido - também procuraria, mais tarde, prestadores de serviço e fornecedores para a execução das obras, coordenando consultores, controle de qualidade e todo o trabalho de arquitetura.

Mas a complexidade do projeto não termina por aí. Além de se articular entre interesses públicos e privados, o escritório de arquitetura responsável pelo planejamento e execução da obra também precisava estar preparado para integrar uma equipe imensa de artistas visuais, designers e profissionais da dança, canto e música, cujo trabalho o teatro viria abrigar e, por isso, tiveram participação direta na definição funcional do prédio e, por conseqüência, na coesão do uso com a arquitetura inicialmente projetada.

Arquitetura-conceito
A Ópera de Oslo é a realização de quatro diagramas que compuseram o conceito arquitetônico apresentado à banca de avaliação. Neles, três idéias se exprimem: a primeira, mais geral, era a de explorar a juventude da ópera e do ballet como expressões de arte na Noruega, sem deixar de destacar sua importância no cenário internacional. A nova arte vem à orla, onde a Noruega encontra o mundo. O moderno edifício funciona como uma "parede às ondas do mar", ou "wave wall", de grande valor simbólico quando entendido como parte de uma cidade portuária.

Depois, o espaço precisava ser uma "fábrica", onde arte é produzida em grande escala, com instalações flexíveis e funcionais. Para que tudo isso se abrisse ao acesso público, um grande "tapete" disposto com suave inclinação sobre toda a superfície do edifício, até o topo, legitimaria a edificação. Note-se que a horizontalidade, aqui, tem o significado da democracia, em que a vida do teatro se torna o cotidiano da cidade.

No entorno, obras públicas seqüentes à execução do teatro municipal deverão desviar o tráfego intenso a partir de 2010, e dar ainda mais destaque ao monumento, separado de outras edificações. Assim a cobertura da Ópera, local de acesso e de convívio público, dará vista livre à cidade e ao fiorde. As atividades em seu interior, nos andares superiores e oficinas do teatro, contudo, já podem ser observados de fora, pelas fachadas de vidro.

Em uma obra de uma arquitetura, narrativa, peso, cor e textura de materiais fazem total diferença. A partir do conceito estabelecido para o projeto, foram imaginados pedra branca para o "tapete", madeira para a "wave wall" e metal para a "fábrica". Durante o desenvolvimento do projeto, um quarto material - o vidro -, captou a atenção dos arquitetos, conferindo maior integração entre áreas externa e interna.

No quesito pedras, o mármore italiano La Facciata foi o escolhido por reter brilho e cor até mesmo quando úmido. Além disso, essa pedra tem estabilidade, densidade e durabilidade necessárias para cobrir a área de 18 mil m² exposta às intempéries. Para não interferir na forma da edificação, a pedra foi tratada em padrões não repetitivos, com recortes especiais e texturas variadas que articulam a geometria final da cobertura-rampa.

Denso, facilmente maleável, estável e táctil, o carvalho foi a madeira escolhida para compor o projeto. Por suas características, o carvalho foi também usado no auditório principal e foyer, como atenuador acústico em balcões, pisos, paredes e forros. Um tratamento com amônio deu ao material tom mais escuro.

O metal foi exaustivamente avaliado, visto que precisava ter durabilidade e proporcionar um efeito estético ideal, em placas muito finas e maleáveis. O alumínio foi apontado como melhor opção. O metal foi modulado por uma equipe de design em segmentos convexos esféricos e formas côncavas cônicas. Ao todo, oito painéis diferentes foram desenhados, os quais oferecem aspectos diversos ao edifício dependendo do ângulo sob o qual é observado, variando também de acordo com a incidência e a cor de luz disponível.

A fachada de vidro, com 15 m de altura, dá visibilidade ao interior do prédio durante o dia e ilumina áreas externas à noite. Queria-se ainda o mínimo de colunas, vigas e esquadrias metálicas. Como solução, foram adotadas barbatanas vítreas, com fixadores metálicos postos entre as lâminas de cristal. Para garantir a transparência e o aspecto incolor do vidro, foi especificado material com baixo teor de ferro: devido à grande espessura das lâminas, o vidro comum teria um tom esverdeado.

Organização
O edifício está dividido em dois pela chamada Opera Street, um corredor que cruza o prédio de norte a sul. A oeste dele, o piso de mármore conduz o visitante ao foyer e áreas de acesso público. O palco também ocupa essa porção do edifício. A leste do corredor estão concentradas as áreas de produção. Há ainda um nível no subsolo, sob o palco, de três andares de profundidade (16 m), abaixo do nível do mar.

Uma entrada secundária pela face norte também conduz ao foyer e ao restaurante. Para o sul do foyer, o fiorde e vistas da ilha Hovedoya.

A capacidade de público chega a 1.900 pessoas: 1.400 no auditório principal, 400 no segundo palco e 150 na sala de ensaios, a qual se desdobra em um pequeno teatro, o "black box theater". Uma arena para a orquestra é flexível e também pode ser ajustada em altura e área com o apoio de três elevadores.

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>

FÓRUM FATO & OPINIÃO Lista de Fóruns Enviar Tema
Ainda não há comentários para este fórum
 
Para participar do FÓRUM você deve estar logado no Portal PINI
Usuário: Se você não é cadastrado, clique aqui!
Senha: Esqueci minha senha

  O fórum da aU é um espaço livre para que nossos leitores debatam idéias. Use-o de forma adequada. Mensagens ofensivas, impróprias ou que contenham palavras de baixo calão serão excluídas. Seus comentário serão exibidos juntamente com o nome de seu cadastro no portal Pini.  

 
 
Envie para um amigo comente Imprimir
 
 
Relacionados
 

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Internacional :: ed 176 - Novembro 2008
Encontro de gerações

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Especial Pini 60 anos :: ed 176 - Novembro 2008
Assento cativo

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Entrevista :: ed 176 - Novembro 2008
Geometria redescoberta

aU - Arquitetura e Urbanismo :: Brasil :: ed 176 - Novembro 2008
Reverência à cidade

 
 
Publicidade


digital aU
 
 
 
     
 
 
 
     
 
 
 
     
 
Notícias  
 

04/12/2008
Senado aprovou Projeto de Lei que garante assistência técnica gratuita à baixa renda

03/12/2008
Obras contratadas reduzirão impacto da crise financeira na construção civil

03/12/2008
Arquitetos já sentem os reflexos da crise

02/12/2008
Arquiteto chileno é o único latino-americano premiado no Award for Emerging Architecture

 
 
geoposicionamento
 
lojaPini
OK
 
TAGs
Entender TAG
arquitetura Banco do Brasil Caixa Caixa Econômica Federal cimento crédito crise Crise financeira emprego FGTS FGV financiamento materiais MP 443 poupança prêmio projeto sinduscon-sp sustentabilidade votorantim
 
 
Guia da Construção
 
 
 
 
piniweb Copyright © 2008 - Editora PINI Ltda. Todos os direitos reservados.
   
  OK
 
 
sites Pini  
     
   
  aU - Arquitetura & Urbanismo
Casa | Brasil | Internacional | Entrevista | Interseção | Crônicas Agudas | Exercício Profissional | Interiores
  NOTICIÁRIO
Arquitetura|Custos|Exercício Profissional e Entidades|Gestão|Habitação|Infra-estrutura|Legislação|Mercado Imobiliário|Sustentabilidade|Tecnologia & Materiais|Urbanismo
  REVISTAS
Construção Mercado | aU - Arquitetura & Urbanismo | Téchne | Equipe de Obra
  LIVROS & TCPO | SOFTWARES
  GUIA DA CONSTRUÇÃO
Guia de Fornecedores | Preços Pesquisados | Índices e Custos | Atualização Monetária | Como Especificar
  SERVIÇOS
Expediente | Fale Conosco | Cadastre-se | Suporte de Software | Representantes | FAQ Portal | Anuncie
   
 
 
by ContentStuff
aU