Em cada um dos lados do palco ficam torres móveis que permitem ajustes no comprimento do pró-cênico para ballet ou ópera, sem que a acústica do auditório seja prejudicada. O tempo de reverberação do som é finamente controlado pela disposição das cortinas colocadas em todas as paredes ao fundo do palco. Uma sala de som e luz também se encontra nos fundos e, abaixo dos balcões, há uma segunda sala técnica.
A forma oval do auditório principal produz pequena distância entre audiência e atores, bons ângulos de visão e, principalmente, acústica perfeita. Como aqui o conceito para interiores é moderno e limpo, sem o excesso de objetos de decoração absorventes do som, a solução acústica foi desenvolver a volumetria em grau máximo, o que pôde ser encorpado com o uso de galerias técnicas que dão à seção da sala um formato em "T", sustentada por consoles. A estrutura para a laje, revestida de pedra, é calculada na própria volumetria do auditório, em vez de ficar escondida em um teto falso. É como se uma caixa sustentasse a rampa de mármore, no exterior.
Contribuíram ainda para o apuro acústico do auditório os balcões frontais de carvalho (de 50 mm de espessura), com geometria variável relativamente à sua posição dentro do auditório. Nas laterais, a forma dos balcões reflete o som de volta para a platéia, enquanto nos fundos do palco os sons são refletidos em múltiplas direções. O teto oval e refletor conclui o auditório visualmente, e dirige o som de forma específica a cada ponto graças ao traçado de sua superfície.
Outros elementos, como paredes divisórias e torres móveis, também são modulados de forma tal que espalham o som em diferentes direções e comprimentos de onda. Todas as superfícies são de material denso a fim de evitar vibrações de alta freqüência. As paredes dos fundos do auditório, por exemplo, são revestidas de MDF com carvalho, em espessuras de 100 mm.
Na área de encontro entre exterior e interiores, onde o piso encontra o teto, ou a entrada do prédio leva à parte mais baixa da rampa, o mesmo conceito arquitetônico e materiais são aplicados. O casamento com as artes plásticas é notado até nas colunas, revestidas de branco e formas geométricas irregulares.
Uma grande escada parece brotar das paredes de madeira e conduz aos andares superiores do hall. Assim, um contraste entre o branco do foyer e a madeira dos interiores do auditório diferencia os espaços. A impressão é a de se estar dentro de um instrumento musical.
O nível da abstração conceitual também pode ser visto nas mobílias: bares, mesas e interior dos cafés em Corian branco são totalmente integrados à arquitetura pelo uso da mesma linguagem visual. No foyer, mesas e assentos são formas simples de placas metálicas esmaltadas em preto ou mesmo de vidro, "aquecidas" por tecidos e pele de carneiro.
Todo o interior foi coordenado com o trabalho paisagístico externo, de forma que a própria Secretaria de Infra-estrutura trabalhasse em projetos de pavimentação e jardinagem que destacassem o novo edifício e facilitassem o acesso público às rampas. Só assim, com complexo trabalho em conjunto, foi possível convidar a sociedade a ingressar no mundo das artes, de maneira democrática, sem perder a elegância.
MARBLE GLACIER
An architectural monument and national cultural landmark: thus should be the Oslo Opera and Ballet headquarters, the construction of which had been approved in 1999 by the Norwegian parliament. The Statsbygg, the federal agency responsible for the development and administration of public works, organized a contest in which 240 projects were entered. The victor was the Norwegian office Snøhetta AS.
The Oslo Opera is the realization of four diagrams which composed the architectonic concept presented to the evaluation committee. In them, three ideas are expressed: the first, more general, was to explore the youth of the opera and the ballet as art expressions in Norway. The new art comes to the coast, where Norway meets the world. The modern building functions as a "wave wall", with a high symbolic value when understood as part of a port city.
In addition, the space had to be a "factory", where art is mass-produced, with flexible and functional facilities. In order for the building to open itself to public access, a large "carpet" set with a slight inclination on the entire surface of the building, up to the top, would legitimate the construction. It must be observed that the horizontality, here, has the meaning of democracy, where theater life becomes the day-to-day of the city.
In an architectural work, narrative, weight, color and texture of the materials provide the entire difference. From the concept established for the project, white rock for the "carpet", wood for the "wave wall" and metal for the "factory" were imagined. During the development of the project, a fourth material - glass -, captured the architects' attention, and conferred more integration between the external and internal areas. Now, the glass facade, 15 m tall, gives visibility to the building's interior during the day and illuminates the external areas by night.
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