O salão do móvel de Milão, principal exposição italiana no âmbito do design, chegou à sua 47ª edição. Realizado pelo segundo ano consecutivo nos espaços da nova feira em Rho, projeto do arquiteto romano Massimiliano Fuksas, o evento teve um público 20% maior que no ano passado. O clima de euforia geral que caracteriza a semana milanêsa do design foi, se possível, ainda maior este ano por conta da escolha da cidade como sede da Exposição Universal de 2015, conquista compreendida como oportunidade de desenvolvimento e transformação, inclusive dos aspectos urbano e arquitetônico da metrópole.
Como de costume, a exposição milanêsa foi acompanhada pelos eventos paralelos do Fuori Salone, organizados na Zona Tortona nos espaços do Superstudio Piú, em Cá Granda, nos edifícios do antigo Ospedale Maggiore (atual Universidade de Milão), que abrigou as instalações da mostra Green Energy Design, tema da edição 2008 do evento realizado todos os anos pela revista Interni.
A semana do design de Milão contou ainda com exposições em comemoração pelos 60 anos da Bticino, os 80 anos da Cassina e sobre as produções de Kartell e Vitra, que ocuparam a Triennale de Milão. O arquiteto e designer italiano Fabio Novembre teve uma mostra exclusiva na Rotonda da Besana.
Festas, homenagens e comemorações à parte, o propósito efetivo do Salão e dos eventos do Fuori Salone é, como bem definiu a revista Interni, relevar o estado da pesquisa e das inovações atingidas pela indústria de design. Constitui uma fértil ocasião de troca entre a criatividade dos designers e os recursos técnicos das empresas.
As exposições na feira de Milão se propõem a exaltar o objeto apresentado e colocar o visitante em um espaço criativo expressamente "overdesigned": do objecto de design ao showroom da empresa; do pavilhão expositivo ao conjunto da feira, na intenção de determinar uma benéfica superexposição ao design, que afine as capacidades perceptivas e sensoriais do público.
Desde os coloridíssimos showrooms da Kartell e da Calligaris, até as sofisticadas atmosferas da Cassina e da Arper, ou ainda os clássicos do design apresentados por Vitra em uma exposição quase museográfica, os espaços expositivos do salão surpreenderam pelas soluções formais e espaciais, pelas seleções cromáticas e pelos materiais e sistemas de iluminação.
Enquanto os cortes oblíquos da abstrata mata de pilares inclinados do showroom da Parri se referiam às linhas quebradas dos pufes e dos sofás de Marco Maran, as paredes curvas formadas por pilhas de banquinhos Stool 60, de Alvar Aalto, produzidos com madeira de bétula curvada, envolviam no interior de uma concha ideal as produções mais recentes da empresa finlandesa Artek.
Numerosos objetos clássicos do design receberam novas roupagens. Um deles foi a poltrona Sacco, produzida por Zanotta há 40 anos, que surge em 40 novas versões revestidas com tecidos de alta moda. A Egg Chair de Arne Jacobsen celebrou 50 anos com uma exposição de 50 modelos decorados pelo artista dinamarquês Tal R.
Entre as novidades presentes no Salão, a poltrona Her, para Casamania by Frezza por Fabio Novembre, homenageia a famosa Panton Chair com uma forma feminina e ergonômica construída em polietileno. A nova poltrona Aguape, criada para Edra pelos brasileiros Fernando e Humberto Campana, se apresenta na descrição da empresa italiana como "uma coroa de pétalas de espesso couro cortado a laser, que nasce naturalmente de pernas parecidas a fios de erva".
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Francesco Santoro é arquiteto formado pela Universidade de Arquitetura Palermo e mestre pela Frank Woyd Wright School of Architecture, nos Estados Unidos.
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