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Entrevista

Engenharia e humanidades
Pós-graduado em arquitetura, o engenheiro responsável pela obra da Fundação Iberê Camargo conta como é trabalhar com Álvaro Siza e fala da relação entre arquitetos e engenherios

POR VALENTINA FIGUEROLA FOTO FÁBIO DEL RE



aU A OBRA LEVOU QUATRO ANOS. NÃO É MUITO TEMPO?
CANAL Não é muito tempo se considerarmos o porte da obra e sua interferência na cidade, infra-estrutura e comunidade locais. Nós urbanizamos a região, pavimentamos os passeios públicos, fizemos a drenagem pluvial da curva, etc... Enfim, foi como construir uma cidade num lugar inóspito. Para preservar completamente a encosta, tivemos de construir o estacionamento debaixo da pista, o que significou cortar a marginal em locais e momentos diferenciados. Tivemos de desenvolver e dominar a tecnologia do concreto branco, além de treinar as equipes. E isso sem contar que tínhamos de fazer uma obra que custasse de 40 a 50% a menos do valor de mercado.

aU QUAIS AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO CONCRETO BRANCO? O MATERIAL EXIGIU CUIDADOS ESPECIAIS?
CANAL
Ele é um concreto de alto desempenho cuja resistência é três vezes superior do que a do concreto convencional. Sua composição faz dele um material muito plástico e fino, absolutamente reativo, e de acabamento definitivo. Dispensa pintura. Na FIC, aumentamos sua durabilidade galvanizando a fogo as armaduras. Também aplicamos um endurecedor especial para que o concreto branco não absorva a poluição, que normalmente desagrega o material.

aU NA SUA AVALIAÇÃO, A CONSTRUÇÃO DA FIC VAI ESTIMULAR A CRIAÇÃO DE OUTRAS OBRAS COM CONCRETO BRANCO? O MATERIAL SE DIFUNDIRÁ NA ARQUITETURA BRASILEIRA A PARTIR DE AGORA?
CANAL Acredito que sim. A arquitetura brasileira, principalmente no movimento moderno e no brutalista, desenvolveu muito o know-how em concreto armado. O Brasil possui grandes profissionais que têm intimidade com o material. Acredito que o concreto branco vai possibilitar que a arquitetura brasileira volte a explorar formas novas e livres e, assim, exerça o fascínio que um dia exerceu, nos anos 50 e 60. Mas, por enquanto, o que se fez até agora foram coisas pequenas com o concreto branco, sobretudo na área de pré-moldados.

aU COMO ENGENHEIRO, VOCÊ TEM UMA FORMAÇÃO TÉCNICA SÓLIDA, MAS TAMBÉM TEM UMA FORMAÇÃO HUMANISTA. COMO ISSO AJUDA A TOCAR UM TRABALHO COMO ESSE E A LIDAR COM PROFISSIONAIS COMO O SIZA?
CANAL Ao fazer uma obra como essa, a visão só da economia não basta. Você tem de privilegiar uma visão de longo prazo, que beneficie o conjunto e a durabilidade. Vou dar um exemplo: o fato de galvanizarmos a armadura de concreto é um cuidado que agrega um pequeno custo para a obra, mas que livra o concreto de manchas e oxidações. Esse custo em longo prazo não é nada se comparado com a restauração de uma fachada, que é caríssima. Como engenheiro que está coordenando um projeto, preciso saber em que apostar.

aU ACREDITA QUE, EM GERAL, A RELAÇÃO ENTRE ENGENHEIROS E ARQUITETOS É CONFLITUOSA?
CANAL Não acredito nisso. Acho que talvez falte um pouco de comunicação. Se fosse tão conflituosa assim, eles não teriam trabalhos para construir e não poderiam viabilizar suas obras. Os bons arquitetos, como o Niemeyer e o Siza, sempre tiveram bons engenheiros ao seu lado. Lá em Portugal, a equipe de engenheiros do GOP (Gabinete de Organização e Projectos, empresa de engenharia dedicada à elaboração de estudos e projetos na área da construção civil, www.gop-engenharia.com) atende aos desafios impostos por Siza e Eduardo Souto de Moura, entre outros, com competência, se comunicando bem com os engenheiros e projetistas locais. Estão sempre pensando na arquitetura, não só na questão da técnica.

aU CABE AO ARQUITETO A COORDENAÇÃO DOS PROJETOS?
CANAL Sim. Em primeiro lugar, os arquitetos deveriam ser contratados para fazer o projeto completo, até o executivo, o que já é uma grande coisa quando a maioria das pessoas entende que a discussão do projeto executivo é bastante subjetiva. Para um arquiteto como o Siza, um projeto executivo são 1,2 mil desenhos. Para outras pessoas podem ser dez desenhos. Existe diferença no conceito e na qualidade da informação. Então, o arquiteto deve ter a coordenação. E mesmo me sinto muito mais um arquiteto quando eu que estou coordenando...

aU O QUE TE MARCOU NESSE PROJETO?
CANAL
Ter a oportunidade de construir um museu de primeira categoria na minha cidade, criado por um artista de renome internacional, talvez seja uma das maiores emoções. Mas talvez a maior emoção ainda esteja por vir. Vai ser quando eu presenciar as visitas das escolas públicas aqui no edifício, com a criançada tendo acesso às grandes exposições. Esse foi um projeto de equipe: fomos todos seduzidos pelo projeto e demos tudo de nós para consolidar esse sonho. Na verdade, sempre tive medo de que o projeto nunca saísse do papel, como já aconteceu muitas vezes na história da arquitetura moderna. E agora, estou dando essa entrevista olhando para o volume principal e a sua bela relação com o pôr-do-sol do rio Guaíba.

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