Nos últimos 60 anos, o cenário corporativo sofreu uma grande influência da
nova realidade capitalista, que busca conceitos otimizados nas organizações,
seja no número de equipamentos ou pessoas contratadas. Em outras palavras, o
prelúdio do movimento open space iniciado na década de 1940 por empresas
norte-americanas como a Hermam Miller e a Steelcase, ambas especializadas na
venda de mobiliário, só aconteceu de fato 60 anos mais tarde, em 1990. Isso
porque naquela época, apesar do conceito visionário de alguns fabricantes,
poucos tinham consciência de que as tecnologias não eram suficientes para
comportar um baixo número de profissionais e, portanto, viabilizar o conceito de
espaço integrado tão desejado. Assim, a idéia de manter ambientes abertos em
pleno início do século logo foi por água abaixo.
Dez anos depois, já na década de 1950, os edifícios em Nova York começaram a
ter suas áreas internas projetadas com divisórias fixas de gesso, necessitando
de poucas adaptações. Mas esse tipo de ambientação também não foi bem aceita
pelo mercado, pela dificuldade de reaproveitamento desse material.
De acordo com Darione Martins Franco, coordenador da comissão do estudo das
normas de divisória piso-teto da ABNT (Associação Brasileira de Normas
Técnicas), foi a partir desse momento que as divisórias modulares passaram a ser
vistas como opções mais adequadas para o conceito corporativo que se consolidava
no mercado. Conceito que exigia materiais mais flexíveis, com bom aproveitamento
de componentes, cujas formas de montagem fossem adaptáveis às mudanças das
empresas. "É surpreendente como uma simples alteração de layout é corriqueira em
uma corporação, em especial nas últimas décadas com a redução dos espaços de
trabalho", conta.
E não restam dúvidas de que essas alterações devem ocorrer com maior
freqüência, já que os rumos do mercado mobiliário e, em conseqüência, das
divisórias, são cada vez mais definidos pelo desenvolvimento das tecnologias em
armazenamento de dados e pelo custo por metro quadrado das grandes cidades,
justamente onde se localizam as grandes empresas.
O mercado brasileiro
As divisórias mais simples
perduraram nas marcenarias regionais até meados da década de 1970, devido ao
baixo custo do produto e ao pouco conhecimento sobre as novas tecnologias
internacionais. Esse cenário começou a apresentar uma singela mudança a partir
dos anos 1980, período em que muitas empresas começaram a perceber as alterações
nos conceitos corporativos, principalmente com o advento de softwares e
escritórios otimizados.
De acordo com Cláudia Andrade, arquiteta e sócia-diretora da Saturno
Arquitetura, na década de 1970, as divisórias modulares ganharam tons pastéis.
"O uso de tecidos também foi iniciado nessa época", lembra.
Além disso, a proteção ao meio ambiente e a escassez de algumas espécies de
madeira contribuíram para que o mercado investisse em outras estruturas, optando
pelo aço e o alumínio, viabilizando assim a logística para o transporte de
produtos a clientes em todo o território nacional.
Com isso, cresceu a procura pelas chamadas divisórias navais, que até o ano
de 2001 representavam um mercado de 5,4 milhões de m2/ano, em especial por se
tratarem de um produto de domínio público e mão-de-obra barata. Os painéis são
leves, estruturados em perfis de aço, e apesar do baixo desempenho acústico
ainda são muito requisitados para separar ambientes.
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