Eis aqui uma área na qual o investimento financeiro é praticamente nulo e o seu talento e esforço pessoal são determinantes. Segundo os especialistas de marketing mais eficientes ainda são os mesmos já vastamente difundidos no meio corporativo em geral. O desafio está em utilizar esses instrumentos de maneira correta, explorá-los em suas nuances e ramificações variadas. Uma vez atingido o caminho certo, passa a valer como critério de êxito a habilidade de manutenção permanente das boas práticas. Confira como fazer nos tópicos a seguir.
Limitações de largada
No início da atividade profissional, ações de divulgação mais intensas no mercado têm possibilidades reduzidas de emplacarem. "Primeiro, acho importante construir uma base comercial, um currículo mínimo de obras", recomenda o arquiteto Mario Biselli, sócio do escritório Biselli Katchborian. "Não adianta se apresentar ao mercado com belíssimos desenhos. Os clientes querem ver o que o arquiteto já fez. Daí que, no começo, a luta é conseguir trabalhos dentro do círculo familiar, ou nas amizades próximas, completa."
Rede de contatos
É ainda na universidade que a rede de contatos profissionais cria embriões, junto a colegas e professores, que são potenciais parceiros em trabalhos futuros. Estágios em empresas são outra fonte valiosa de aproximação com integrantes do mercado. "Quando o marketing começa a ser feito dentro da universidade, o aluno já conta com toda uma estrutura para deslanchar assim que se forma", observa o consultor Ari Lima. "Durante os estudos, já deve existir a preocupação em desenvolver o plano de marketing pessoal e a gestão da carreira. Depois da formação, parte-se para o plano de negócios."
Presença em eventos
Congressos, convenções e eventos similares são ambientes férteis para ampliação e fortalecimento do círculo de contatos. O arquiteto também pode se dispor a promover palestras ou cursos gratuitos como forma de criar projeção social. E a presença não deve se restringir a reuniões do setor. "É necessário manter um bom relacionamento também com advogados, médicos e profissionais de outras áreas. Essas pessoas vão construir casas, reformar, e têm um círculo de amizades que pode acabar remetendo ao arquiteto", justifica Lima.
Internet
Ferramenta de baixo custo e elevado retorno, a internet oferece diferentes vieses a serem aproveitados. A utilização mais habitual concentra-se no desenvolvimento de websites para empresa ou profissionais autônomos. No entanto, outros recursos ganham credibilidade e se firmam como alternativas - exemplo típico do blog corporativo. Uma terceira vertente de promoção virtual é a publicação de artigos, no próprio site, blog ou em outros endereços eletrônicos de interesse do público-alvo do arquiteto. "Iniciativas como essas são gratuitas. A exigência é muito mais por uma disposição intelectual", aponta o consultor. "Também não é preciso esperar que o escritório cresça para desenvolver ações nesse sentido, ligadas ao plano de marketing. O importante é desenvolver o plano de marketing para, em seguida, conseguir crescer", acrescenta.
Parcerias
Fazendo uso dos contatos construídos ao longo dos anos, os arquitetos têm, nas parcerias, uma ferramenta poderosa de obtenção de trabalhos. Não é necessária a constituição de empresa. São acordos informais, de ajuda mútua, a serem feitos com outros arquitetos cujo segmento de atuação seja diferente, ou com engenheiros e construtoras. "Eles vão trocando informações, favores, apoios, um indicando o outro", explica Ari Lima. "É uma das principais ferramentas de promoção, hoje. Um nível adequado de parcerias por si só é capaz de manter um escritório de arquitetura num bom ritmo de atividade."
Força da indicação
Note-se que, comparada com o recurso da publicidade e da propaganda paga, a indicação profissional - livre de custos - traz muito mais resultados ao prestador de serviços do setor. "É mais forte a indicação de um arquiteto por um engenheiro que já está na obra, já tem um grau de relacionamento ali dentro, do que se o proprietário recebesse a informação daquele profissional de arquitetura por um jornal, ou outra publicação qualquer", considera Ari Lima. Já Mario Biselli enfatiza que não se faz leilão para contratação de arquitetos. "Cliente gosta de trabalhar na confiança. Ou ele viu sua obra, ou alguém fez uma indicação muito incisiva do seu trabalho", expõe. "Chega a ser constrangedora, na arquitetura, a propaganda direta", opina Biselli.
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