O passatempo de um jovem casal de cultivar orquídeas exóticas foi a primeira inspiração para essa casa localizada em Haras del Sol, bairro privado em Pilar Chico, na Argentina. O desenho do arquiteto Andres Remy e sua equipe resultou em um projeto adequado à experiência que a região escolhida pelo casal vem desenvolvendo: concebido como a primeira urbanização privada do país, o bairro prioriza a qualidade de vida por meio de áreas verdes e construções sustentáveis.
Foram seis meses de trabalho para chegar ao projeto final. Batizado de Casa Orquídea, o projeto de Remy partiu dos elementos dessa flor para ganhar forma: no terreno de 6 mil m², o volume da garagem e do acesso corresponde à raiz, enquanto o caule - pensado como um local de circulação que conecta a raiz à flor - ganhou forma em um trajeto-galeria onde as obras de arte colecionadas pelo casal poderão ser contempladas. A flor, por sua vez, é a casa propriamente dita, dividida em pétalas, cada uma com uma função diferente, como dormitórios e espaço de convivência.
"Essa casa me permitiu trabalhar com a junção dos elementos sustentáveis e o seu formato. Sua complexidade formal, tão rica exteriormente quanto interiormente, responde à intenção de que cada pétala represente um visual, como em um quadro, apropriando-se mais uma vez do seu entorno", explica Remy.
Para a disposição dos ambientes, o arquiteto partiu de dois princípios: agrupar as funções públicas da casa no piso térreo e as privadas no piso superior, proporcionando a cada ambiente a melhor orientação de acordo com a sua função.
O espaço central - que representa o miolo da flor - constitui-se em uma circulação vertical que provê luz natural a todos os ambientes, conectando a planta baixa à alta, uma forma de união entre as pétalas.
Orientação solar
Atento às cada vez mais latentes crises energéticas na Argentina, Remy adotou na Casa Orquídea sistemas que priorizam a economia de energia por meio da iluminação, ventilação e até mesmo aquecimento naturais. Para tanto, foram realizados diversos estudos de ângulos de incidência solar, determinantes para a resolução e orientação de cada volume.
O principal elemento sustentável do projeto é o controle sobre a orientação dos cômodos de acordo com o posicionamento solar, principalmente no que diz respeito à ventilação. O controle térmico é realizado por meio de trocas feitas pelas grandes aberturas dos ambientes para o exterior. No térreo, essas passagens ficam localizadas no escritório e na sala de estar, enquanto no primeiro piso elas estão na suíte e nos dois dormitórios das crianças.
Cada função da residência foi ativada de acordo com o percurso solar, permitindo uma significativa economia de energia. "Trabalhamos com a incidência do sol desde a posição dos ambientes até a resolução de cada volume em particular, estudando seus ângulos ao exterior e o recuo dos caixilhos, variando-os de acordo com a sua orientação. Além de dar uma resposta à economia energética, somamos a esse projeto uma riqueza formal única", comenta o arquiteto.
De acordo com essas premissas, os quartos das crianças - "que levantam cedo" - "olham" para o leste, enquanto a cozinha foi orientada a noroeste e o quarto do casal ao norte. A sala de estar, que é mais utilizada durante a noite, localiza-se na direção oeste e também faz uso da iluminação indireta através de espelhos d'água, e o estúdio, feito com uma parede dupla mais protegida do que as outras, orienta-se para o sul.
A ventilação natural, por sua vez, dá-se através do efeito chaminé: o ar exterior e refrigerado entra pela parte inferior da residência e, depois de quente e menos denso, dirige-se para o nível superior da casa, onde sai pelas aberturas de ventilação e iluminação. O balanço térmico do local, constatado em estudos realizados por especialistas, também é garantido pela ventilação cruzada, o que acontece graças à disposição espacial e flexível da casa.
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