O Jardim Botânico de Medellín, na Colômbia, tem um atrativo a mais além da beleza das plantas e flores ali cultivadas. Trata-se das "flores-árvores" que compõem o Orquideorama, um jardim coberto de 5.000 m² projetado pelos arquitetos Felipe Mesa, Alejandro Bernal, Camilo Restrepo e J. Paul Restrepo, dos escritórios colombianos Plan B e JPRCR. O conceito de "flor-árvore" significa que cada estrutura segue a forma de uma flor com o tamanho e propriedades de uma árvore. A obra é composta por 12 dessas estruturas de 15 m de altura utilizando dois materiais básicos: madeira de pinho e aço.
O que seria a copa de folhas, ou as pétalas das flores, é representado por sete hexágonos também de madeira e aço. No espaço entre as colunas metálicas que sustentam cada um dos "caules", forma-se um pátio no qual a vida botânica se faz presente, com orquídeas e outras espécies ocupando o espaço. As colunas também determinam (e escondem) a posição das tubulações elétricas e a hidráulica que leva água às plantas. Já as pétalas são construídas com vigas metálicas e recobertas com ripas de pinho, além de intercalarem coberturas de telhas translúcidas de policarbonato com telhas metálicas que são as responsáveis por conduzir a água às colunas. O sistema canaliza e despeja as águas das chuvas nas tubulações que levam até a base da construção. O hexágono central de cada módulo é coberto com material sintético que protege as plantas de chuvas, granizo e raios solares diretos.
A interação entre o orgânico e sintético é constante, bem como a redução das diferenças entre o que foi construído e o que cresce espontaneamente. "Para fazer arquitetura, é vital estudar outras configurações materiais, especialmente as do mundo vivo, porque elas trazem técnicas flexíveis, adaptáveis, abertas e inteligentes. Gosto de acreditar que a arquitetura faz parte de um terceiro reino: o dos seres inertes animados, que permitem questionamentos sobre os limites da vida", diz Felipe.
A idéia dos arquitetos foi criar um conceito arquitetônico baseado em modelos de organismos vivos, dando origem a uma forma que remete às bioconstruções, como colméias de abelhas. "O Orquideorama busca juntar o espaço natural com o artificial, eliminando as fronteiras entre eles, formando uma unidade", explica Felipe.
O conceito orgânico não está unicamente no formato das flores-árvores, mas também no modo como suas cúpulas se agrupam em formas geométricas compactas, dando a idéia de um tecido celular vivo, "em condições de continuar a expandir", como define Felipe. Não há diferenciação entre interior e exterior - visto que não há interiores, apenas pátios iluminados pelo sol e sombreados pelas copas. "É como estar em um grande campo de flores, de talos de 15 m de altura. Mais que um teto, o que existe é uma cobertura com as qualidades luminescentes e ambientais das folhagens em uma floresta", resume Alejandro Bernal.
As plantas que ocupam as bases dos talos são regadas apenas com a água da chuva, que se armazena nas pétalas e é canalizada para os vãos floridos. Os espaços livres são bem calculados, como conta Felipe: "Entender o espaço como uma entidade abstrata é muito limitado. Nos interessa o espaço como um fato concreto e material, com temperatura variável, peso, tempo, movimento: o espaço como corrente de ar". É a descrição perfeita do "pseudo-interior" do Orquideorama.
As idéias aplicadas no projeto são as mesmas que norteiam toda a produção dos jovens arquitetos - todos na faixa entre 30 e 40 anos. "Pensamos que idéias relacionadas a lugar, situações e ecossistemas estão interligadas. A vida concreta e a necessidade de encontrar relações viáveis com o meio ambiente permitem construir uma posição distante da abstração e da simulação", teoriza Felipe Mesa, ao falar sobre os conceitos básicos que deram origem ao escritório Plan B, que fundou, e à sua obra.
Todo esse novelo conceitual é a aplicação do que pensam Felipe Mesa e seus companheiros do Plan B e do JPRCR sobre política, ideologia, arte e arquitetura. Embaralhando todas as atividades humanas, Felipe faz de seu trabalho uma crítica ao capitalismo ao mesmo tempo em que o define como um "feito do comportamento afetivo". "A arquitetura deve desempenhar papel semelhante ao da arte no século 20. Prefiro a arquitetura que tem como projeto efetuar reflexões sobre a vida do que a arquitetura que objetiva dar validade às grandes instituições de poder", prega Felipe.
Dessa forma, o Orquideograma, como uma construção fluida, simbiótica e expansível, é a própria condensação do que o arquiteto pensa da arquitetura e de seu próprio trabalho. Em poucas palavras, o que Mesa pretende é "levar a cabo uma prática reflexiva da arquitetura, e com uma reflexão praticada por ela mesma. Já para o arquiteto, é preferível um papel de pensador e construtor do mundo material do que o de um mero reprodutor técnico".
O Orquideorama recebeu, entre outras láureas, o maior prêmio colombiano de arquitetura, o Lápiz de Acero Azul. Entre os prêmios internacionais destaca-se o de melhor obra de arquitetura na 6a Bienal de Arquitectura y Urbanismo de Lisboa.
LIVING ORGANISM
The Botanical Garden in Medellín, Colombia, received in 2007 the "tree-flowers" which compose the Orquideorama (Orchidorama), a garden covered by 5.000 m² designed by architects of the Plan B and JPRCR offices. The "tree-flower" concept means that every structure follows the shape of a flower but with size and characteristics of a tree. The building it composed by 14 of these 15m-tall structures using two basic materials: pinewood and steel. What would be the leafy tree crown, or the flower petals, is represented by seven hexagons also in wood and steel. In the space between the metal columns which support each one of the "stalks", a patio is formed in which botanic life makes itself present, with orchids and other species occupying the space. The columns also determine (and hide) the electric conduits and the hydraulic ones which take water to the plants. As for the petals, they are built with metallic beams and covered with pinewood strips, besides being intercalated with a translucent polycarbonate tiles cover and metallic tiles which convey water to the columns. The architects' idea was to create an architectonic concept based in living organism models, originating a shape which reminds one of bio-constructions, such as beehives.
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