Escolheram justo o quadrado. Foi essa a surpresa quando Marta Gallo e Andrés Gómez, do escritório colombiano Arquitectura e Interiores, apresentaram aos executivos da Ogilvy & Mather os planos de desenho de interiores para a nova sede da agência publicitária em Bogotá. Os arquitetos fizeram três propostas: uma divisão de espaços em linhas ortogonais, outra organizada a partir de círculos e uma terceira que misturava curvas e retas. Os publicitários ficaram com a primeira opção.
É praxe do escritório fazer sempre três propostas, mas Gallo e Gómez não esperavam que os criativos da Ogilvy fossem ficar com os ângulos retos e dispensar a suposta ousadia associada às curvas, que costumam aparecer com freqüência em programas do tipo. Surpreende ainda mais quando lembrado que o escritório de Gallo e Gómez foi o responsável por projetar a sede da rádio Caracol em Bogotá, de um virtuosismo de curvas alucinantes, com escadas em caracol, estúdios suspensos, salas de reunião circulares e janelas curvas.
Mas com a Ogilvy foi diferente. "O cliente preferiu o esquema ortogonal, porque era como se via como empresa", diz Gómez. "A Ogilvy queria que o projeto fosse calmo, tranqüilo, sem ser chato, uma proposta muito plana", completa Gallo.
Uma das maiores agências de publicidade do mundo, a Ogilvy decidiu mudar sua sede na capital colombiana, migrando para um prédio já existente de um bairro mais nobre, onde passou a ocupar dois andares e 990 m2. Com a mudança, os publicitários queriam aproveitar para resgatar a imagem corporativa do grupo, que se perdera na disputa cada vez mais acirrada com outras agências. Por isso, desprezaram não só as curvas do desenho de Gómez e Gallo, mas também as cores que costumam tingir ambientes criativos.
"Quando pensamos em agências de publicidade, pensamos em cores fortes, elementos sinuosos, imagens gráficas dos produtos que divulgam", diz Gómez. "A Ogilvy quis fazer algo novo." O laranja e tons fortes que ganharam paredes e mobília da maioria dos espaços desse tipo foram abolidos. Ficaram escolhas sóbrias, como branco, cinza, preto e marrom. O vermelho aparece em doses calculadas, já que é a cor institucional da Ogilvy. Está no lustre da recepção, desenhado pelo escritório, e na parede interna que divide a área de criação do setor financeiro. "Tinha de ser um espaço neutro, branco, em que se possa respirar. Como uma galeria de arte que só destaca suas obras, aqui queriam destacar as idéias", afirma Gómez.
"Algumas agências de publicidade se voltam para a tecnologia, outras focam na inovação, mas eles queriam se centrar só na idéia", conta Gallo. A Ogilvy então exigiu um projeto que se esforçasse para minimizar distrações, construindo um espaço em que seus profissionais pudessem exercer a criatividade. "A agência queria mudar a forma como os clientes e outros grupos viam a empresa. Queriam que o projeto parecesse uma fábrica de idéias", lembra Gómez.
Os móveis não destoam desse esquema sóbrio, nem a escolha de materiais. No plano ortogonal adotado pelos arquitetos, vinha embutida uma série de escolhas, como pisos e móveis de madeira e tapetes em alguns ambientes, numa referência clara ao design e às combinações cromáticas dos anos 1970, como branco usado ao lado de texturas de madeira.
Nas áreas de trabalho, predomina um look industrial, minimalista, enquanto nas salas de reunião e áreas de convivência a mudança no mobiliário e decorações nas paredes criam um clima de intimidade e maior descontração. "Misturamos muitas imagens gráficas às paredes e ambientes", lembra Gallo. As fotografias em preto e branco distribuídas pelo escritório, que ajudam a dividir alguns ambientes e dar maior leveza a outros, são todas do arquivo corporativo da Ogilvy, imagens institucionais que ilustram as idéias do fundador do grupo, David Ogilvy. Além das fotos, frases ditas por ele pontuam paredes de todos os ambientes, lembrando a missão do publicitário.
Fogem do tema só as imagens de áreas de descanso, como o café do escritório, cujas paredes ganharam desenhos dos próprios criadores da agência. "Eles nos ajudaram a fazer esses espaços", conta Gallo. "São imagens que não têm nada a ver com a imagem corporativa. Foi um concurso interno da agência, entre os profissionais, para ver quais desenhos estampariam as paredes", lembra Gómez.
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