A iluminação do café se dá por grandes luminárias que imitam o formato de lâmpadas de filamento convencionais. "A lâmpada remete justamente à idéia da Ogilvy de destacar as idéias como ponto de partida do processo criativo", diz Gallo. "Vem da imagem da lâmpada como símbolo de criatividade."
Seguindo a lógica de criar espaços que estimulassem o lado criativo dos profissionais, Gómez e Gallo reservaram uma sala para um lounge com pufes e almofadas no chão, uma sala de reuniões informais para os funcionários da área de criação. "É um espaço completamente dinâmico e divertido", descreve Gómez.
Uma frase do velho Ogilvy - "a publicidade faz a ponte entre realidade e mágica" - serviu de inspiração para os arquitetos no desenho do hall de elevadores do segundo piso, que dá acesso à área de criação. Batizada de "ponte", é uma entrada de vidro iluminada pelas mesmas lâmpadas gigantes do café.
Os arquitetos aqui tiveram a idéia de estender a parede até o chão, cobrindo com madeira o teto, a parede e o piso numa espécie de ponte, que divide o hall de entrada - a realidade - do setor criativo - a mágica. Um texto de Ogilvy sobre o surgimento das idéias impresso sobre uma superfície branca fica estampado sobre a madeira, em um contraste de cores e materiais que faz referência aos anos 1970. "É um volume de madeira independente que faz com que o piso se transforme em parede e a parede se transforme em teto", descreve Gómez. "O texto também sai do piso, sobe a parede e chega ao teto."
Se a recepção pode parecer superproduzida, a impressão é outra do lado de dentro. Como o prédio já abrigava escritórios antes de receber a Ogilvy, o teto trazia instalada uma grade de lâmpadas fluorescentes. O que Gallo e Gómez fizeram foi remover as placas de compensado em torno das lâmpadas, aumentando o pé-direito do espaço e revelando uma estrutura crua, de alumínio e cabos de aço, acima do teto do escritório antigo, deixando ver também os fios que alimentam as luminárias - foram mantidas as originais do edifício.
"Ganhamos muito mais altura, criando um ambiente mais agradável. Era também o look que estavam procurando, nos pareceu a escolha acertada", diz Gallo. "É a idéia de dar esse toque de caráter inovador e industrial da fábrica", acrescenta Gómez.
Esse teto amplificado, exposto e sem retoques, condizente com a noção de fábrica de idéias, desaparece das salas de reunião. Mais intimistas, ganham um teto mais baixo, com luzes embutidas. "Aqui a idéia foi diferente, são salas para visitantes, reuniões", resume Gómez. Não perdem, no entanto, o caráter despojado que marca todo o projeto: as duas grandes salas de reunião no primeiro piso podem ser convertidas num grande salão, abrindo uma parede que separa os ambientes. "Cada uma pode funcionar de forma independente, mas os espaços também podem ser unidos num só", explica Gómez.
Embora as mesas de cada sala fiquem presas ao chão para a passagem de cabos de conexão e outros serviços estruturais, as cadeiras podem ser distribuídas em torno das duas quando ambas as salas funcionam juntas. "Rodeando as cadeiras em torno das duas mesas, é possível criar uma grande mesa virtual", diz Gómez.
Do lado de fora das salas de reunião, juntas ou separadas, a harmonia é dada pela sucessão de quadros dispostos ao longo do corredor. São mais imagens do acervo institucional da Ogilvy, dispostas pelos arquitetos como uma espécie de detalhamento do processo criativo da empresa, colocado ali para que fosse visto pelos clientes que chegam para conversas nas salas de reuniões. "O corredor é o protagonista desse espaço. Essas imagens todas alimentam a idéia por trás da empresa de que toda inspiração vem da transpiração", resume Gómez.
A SQUARE OF IDEAS
"The customer preferred the orthogonal scheme, because that is how he viewed himself as a firm", says Andrés Gómez, one of the architects of the Colombian Arquitectura e Interiores office. One of the largest advertising agencies in the world, Ogilvy, decided to move its branch in the Colombian capital, by migrating to an already existing building in a nobler district, where it came to occupy two floors.
The ad-men wanted to take this opportunity to recover the Group's corporate image. There remained sober choices, such as white, gray, black and brown. Red already shows up in calculated doses, as it is Ogilvy's institutional color. It is on the reception chandelier, designed by the office, and on the internal wall which separates the creative from the financial areas. In the working areas, an industrial, minimalist, look predominates, whilst in the meeting and living rooms the changes in furniture and wall decorations create an intimate and more relaxed environment. The black and white pictures distributed throughout the office, which help divide some of the spaces and give others more lightness, are all from the Ogilvy corporate files, institutional images illustrating ideas by David Ogilvy, the Group's founder. Besides the photos, his quotations appear on walls in all the areas, reminding one of this ad-man's mission.
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