Foi nesse quadro que vicejou o Pós-Moderno em nossa arquitetura e
correspondia a um compreensível anseio de desejável renovação de uma experiência
que aparentemente havia conduzido todos nós para um impasse, ou seja, ao fim do
caminho. A arquitetura Moderna não havia feito a tão desejada mudança social e,
por isso, estaria condenada à falência e à substituição.
Depois de 500 anos ainda estávamos de volta às sombras e distanciados ainda
pelo passado. Assim, simplesmente e solenemente nos desconhecemos desde
sempre.
Não fizemos o menor esforço para o contrário.
Em recente entrevista para AU (AU 164), um dos mais importantes arquitetos
contemporâneos do Chile, Alejandro Aravena, perguntado sobre arquitetura
brasileira contemporânea, afirma que não interessa conhecer, apesar de sua
profunda e sincera inteligência. "Não fico atrás do que está acontecendo no
mundo. Sei de alguma coisa, mas não é uma prioridade saber o que estão fazendo
outros arquitetos. Interessa muito mais, para mim, o que estão fazendo
engenheiros, economistas, as perguntas de outras profissões me ocupam o dia",
disse. Da mesma forma, o arquiteto contemporâneo mexicano, não menos
interessante, Isaac Broid já afirmou à revista Projeto que "a arquitetura
ibero-americana é uma ficção".
Apesar de tudo, esse muro fictício ainda nos separa. E nós, arquitetos, somos
também seus construtores.
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| Daniel Bonilla surpreende com a inventividade dos
espaços que engendra, como a Capela Los Nogales em Bogotá,
Colômbia |
Neste momento histórico, ainda que inseridos em um contexto mais complexo
como países periféricos do sistema hegemônico global, de forma geral todos os
países da América do Sul estão em processo de consolidação das democracias e
reconstrução cultural, após a superação de seus respectivos processos
ditatoriais, decididamente mais conscientes e - mais do que isso - determinados
a construir um futuro possível que nos una.
No Brasil, mais notadamente em São Paulo, as novas gerações de arquitetos -
formadas em parte pelos professores, seus alunos, os alunos dos alunos - não
abdicaram da inteligência construída no período anterior. Como afirmou o
fotógrafo Yoshio Futagawa à Folha de S. Paulo, em recente visita ao Brasil: "É
um país que exibe um modernismo de qualidade, sem extravagâncias, e isso é feito
pelos jovens".
Nota-se, portanto, o revigoramento da arquitetura brasileira como expressão
do fortalecimento da cultura brasileira. O mesmo se aplica aos demais países.
Hoje os arquitetos latino-americanos já se fazem notar novamente no cenário da
arquitetura internacional, seja nas publicações, seja nas exposições, com frases
mais elaboradas, construções mais precisas.
Da mesma forma que nos interessamos por outras arquiteturas e outros
arquitetos do continente, o mesmo ocorre em outros países.
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| O Uruguai tem formado arquitetos competentes. A
obra dos irmãos Marcelo e Martin Gualano revela isso - como exemplo, o Parador
Salto del Penitente em Lavalleja,
Uruguai |
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