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As árvores para viver
Comemorando os 80 anos de idade, fruto vivas é um dos mais reconhecidos arquitetos venezuelanos, ainda em plena atividade. teve o privilégio de colaborar com Oscar Niemeyer no projeto do museu de arte moderna de caracas (1955) e realizou o pavilhão de venezuela na expo 2000 de Hannover, Alemanha

POR ROBERTO SEGRE

Artur


Escassa repercussão teve na Venezuela e na América Latina a chegada de José Fructuoso Vivas aos 80 anos de idade, com mais de 60 de trabalho profissional. Por uma parte, as agudas contradições políticas existentes nesse país não promovem o diálogo entre os arquitetos com posturas ideológicas dissonantes, e ficam isolados e questionados aqueles que participam das iniciativas governamentais, entre os que se inclui Fruto. Por outra parte, ele pertence ao reduzido grupo dos alheios às estruturas midiáticas das revistas e jornais, nessa frívola procura de publicidade que caracteriza os membros do jet set arquitetônico. São aqueles profissionais modestos e silenciosos que não constroem arranha-céus corporativos nem luxuosas residências, mas se dedicam à procura de soluções populares que concretizem a modernidade "descumprida", e tentam assim resolver os preteridos problemas dos grupos sociais de escassos recursos, tanto dos habitantes dos subúrbios espontâneos urbanos, quanto dos camponeses residentes nas áreas rurais. Entre eles citemos Carlos González Lobo no México, Cláudio Caveri, Victor Pelli e Jaime Nisnovich na Argentina, Fernando Castillo no Chile, Álvaro Ortega na Colômbia, João Filgueiras Lima (Lelé), Joan Villà e Johan van Lengen no Brasil.

Nascido em um pequeno povoado da cordilheira dos Andes, de uma família humilde, cujo pai trabalhava na construção de uma rodovia, ele teve um estreito contato com a vida dos camponeses venezuelanos, experimentou as particularidades da casa tradicional rural e se interessou pelos fenômenos naturais, quase como um jovem Leonardo, indagando a essência dinâmica das estruturas orgânicas, tanto dos pássaros quanto das árvores. Essa paixão esteve acompanhada por um talento natural pelo desenho e pela arquitetura, que o permitiu com 18 anos de idade trabalhar em uma empresa construtora e ganhar em 1946 - com antecedência ao curso universitário - o concurso para o projeto de um centro social em Barquisimeto, a quarta maior cidade da Venezuela. Entre 1951 e 1955 desenvolve os seus estudos de arquitetura na Universidade Central de Venezuela em Caracas, e teve como professor Carlos Raul Villanueva (AU 128), que o inculcou o amor às manifestações artísticas que o relacionou com os escultores cinéticos locais - Jesús Soto, Alejandro Otero e Antonio Estévez -, assim como a tese que o acompanhou por toda sua vida: que não existe arquitetura sem um destino com conteúdo social.

Existe certo paralelismo entre as ditaduras de Getúlio Vargas (1930-1945) no Brasil e de Marcos Pérez Jiménez (1952-1958), na Venezuela, na limitação da liberdade política e ao mesmo tempo na modernização do país com o apoio às iniciativas arquitetônicas e infra-estruturais. A década dos anos 1950 foi um período de efervescência construtiva em Caracas, com a execução de grandes conjuntos habitacionais e do projeto da Cidade Universitária de Villanueva. É o momento em que se definem as preocupações conceituais de Fruto: por uma parte o interesse pelo regionalismo na utilização dos materiais locais e na adaptação dos projetos ao clima tropical; e, por outra, a tecnologia e as estruturas high tech como expressão dos avanços científicos da contemporaneidade. O seu talento e originalidade já evidenciados nas propostas elaboradas como estudante criaram a sua rápida integração no grupo de jovens arquitetos dessa década - Henrique Hernández, José Miguel Galia, Tomás Sanabria, Jorge Castillo, entre outros -, e a obtenção de significativos encargos. Em duas residências de grande porte - a de Pérez Jiménez em Playa Grande (1954) e de Inocente Palácios em Rio Chico (1957) - reinterpreta as tradições construtivas populares, com a utilização da cobertura de telhas, a estrutura de madeira, as paredes de pedra e de tijolos emboçadas com cal, que permitem a criação de extensos espaços interiores abertos com a sombra protetora do sol e do calor.

Ao mesmo tempo, se interessa pela liberdade plástica permitida pelas estruturas laminares de concreto armado e pelos sistemas tridimensionais de aço, procurando o que ele definiu como "estruturas limites de máxima eficiência". Nesse caminho foi essencial a sua participação no projeto do Museu de Arte Moderna de Caracas que desenvolveu Oscar Niemeyer, durante a sua estadia em Venezuela em 1955 ao longo de seis meses. Fruto foi o seu braço direito e assimilou não somente o método de projeto do mestre, mas também a sua capacidade inovadora no uso do concreto armado, evidenciada na criação do volume puro da pirâmide invertida, pousada sobre uma colina. Nesse ano projeta a sede do Clube Táchira, situada no topo das Colinas de Bellomonte e olhando para o monte Ávila, caracterizada por uma série de plataformas e de espaços de vida social cobertos por parabolóides hiperbólicos cuja forma leve foi nomeada de "pássaro de concreto" pelo famoso arquiteto espanhol Eduardo Torroja, que colaborou no cálculo da estrutura. Com ele, Fruto aprofundou seus conhecimentos técnicos e construtivos em 1956, na viagem à Espanha.

Mas com o desenvolvimento da indústria siderúrgica e a disponibilidade de aço no país, iniciou sua experiência com as estruturas metálicas, utilizadas nos projetos de hotéis como o Caroní em Puerto Ordaz (1957) e o de Santo Tomé de Guayana (1957), com coberturas de formas livres definidas por tetraedros de tubos metálicos. Aqui ele assimila as experiências de Buckminster Fuller, Konrad Wachsmann, Jean Prouvé e Félix Candela. Uma solução original de cobertura leve de aço foi obtida na igreja de Zapara em Maracaibo (1957), quase como uma folha flutuante sobre o luminoso espaço interno.

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