Qual a importância de um website para os escritórios de arquitetura? Ter um portfólio virtual, captar novos clientes, criar um canal de comunicação com o cliente são algumas respostas, mas a verdade é que colocar a cara na web é uma exigência dos novos tempos. E se profissionais renomados como Herzog & de Meuron ou o brasileiro Paulo Mendes da Rocha ainda teimam em não produzir seu website, Frank Gehry é um dos grandes eu-não-preciso-de-site que se rendeu e se lançou na rede em 2007.
A grande questão quando se pensa em um website para arquitetos é a apresentação, afinal, ela pode mostrar em segundos a linha do escritório - ou, em segundos, fazer com que um futuro cliente desista de procurá-lo. Saber o que se quer com a nova ferramenta virtual e como ela funciona é o primeiro passo para criar um website funcional.
"São inúmeros os usos que se pode ter e novas ferramentas são desenvolvidas todos os dias. O importante é entender o que pode ser útil ao escritório: alguns necessitam contato mais próximo com os clientes, outros trabalham online em localizações diferentes e há ainda os que precisam visualizar arquivos de desenho na internet", explica o arquiteto e designer Tadzio Saraiva, do estúdio Amatraca Desenho Gráfico, responsável pelo design de websites como o do escritório de arquitetura Estúdio Tupi.
Por ser uma mídia relativamente barata comparada às demais, principalmente nos aspectos de criação, atualização e manutenção, os sites são um recurso importante na construção da marca. "Ele não substitui a mídia impressa mas, junto com ela, faz as coisas acontecerem", acredita o webdesigner Maurício Galasso, autor de websites para escritórios de arquitetura.
Podem, ainda, ser uma ferramenta importante no dia-a-dia para encurtar distâncias e fazer o tempo render. "Hoje é possível fazer projetos e estudos de viabilidade, por exemplo, sem que os envolvidos se encontrem pessoalmente. Mas para isso, contar com informações sistematizadas dentro do site é fundamental", observa o arquiteto Márcio Mazza, que há seis anos possui um domínio na rede. Segundo Mazza, a prática de levar o portfólio debaixo do braço para futuros clientes tem ficado para trás. "As pessoas têm cada vez menos tempo e o site é a maneira mais rápida e funcional de iniciar um contato profissional", acredita. "Meu book é meu próprio laptop", completa o arquiteto Fernando Brandão, do escritório Fernando Brandão Arquitetura + Design.
Além de otimizar tempo, outra vantagem é funcionar como fonte de pesquisa, promovendo uma pré-seleção dos futuros clientes. Uma rápida navegação é suficiente para se ter uma referência do currículo e do portfólio do profissional. "Aqueles que procuram arquitetura neoclássica e passarem antes pelo meu site jamais vão me procurar", lembra Brandão. Mas quando o assunto é capitação e fidelização de clientes, não há um consenso, entre os arquitetos, sobre a eficácia dessa ferramenta. Olegário Vasconcelos, do escritório CVA, um dos pioneiros na incursão pelo mundo virtual, diz que, apesar de ser um canal de contato rápido, o número de novos clientes não aumentou em função do site, no ar desde 1995. "Temos mais repercussão quando algum dos nossos projetos sai em revistas ou portais especializados", conta.
Arquitetura da informação
Como criar um site que transmita a filosofia do escritório, suas qualidades, valores e diferenciais? A boa interação com o webdesigner para a criação do layout é essencial, assim como é necessário contar com a colaboração de especialistas para desenvolvê-lo. "Um site malfeito pode trazer um resultado pior do que não ter um", ressalta o arquiteto e designer Marcelo Sodré, do estúdio Amatraca Desenho Gráfico.
O primeiro passo é definir a identidade do site, estabelecer qual será o conteúdo apresentado e o design do endereço virtual. Um ponto importante durante essa etapa é que, na internet, a informação puramente visual acaba prevalecendo sobre o texto. Geralmente, as pessoas dedicam pouco tempo à visitação de cada página e é imprescindível que o design cause impacto e transmita rapidamente ao internauta a visão do escritório sobre arquitetura.
Já o conteúdo deve retratar a imagem que o profissional vende do seu trabalho. "Se os trabalhos são mais personalizados, recomendamos mostrar menos obras e mais detalhes dos projetos. Já para escritórios em que há volume de serviço, é interessante colocar mais conteúdo e destacá-lo pela qualidade do atendimento oferecido", explica Eduardo Len, da LEN Comunicação e Branding, agência que utiliza a internet como potencializadora da marca de seus clientes.
Para o estúdio Amatraca, mais importante do que o destaque do portfólio é a definição do que será mostrado: a maneira de organizar os trabalhos (por ordem cronológica, por cliente, por tipo de projeto) indica ao usuário uma seqüência de navegação; mostrar as fotos em formato pequeno e deixar o usuário escolher a seqüência em que quer vê-las é uma opção; mostrar desenhos à mão sugere um trabalho artesanal e desenhos técnicos sugerem rigor; perspectivas eletrônicas podem ser associadas à tecnologia, e fotos de maquetes físicas associam-se a um estudo aprofundado do projeto. "O que vai ser dito sobre cada projeto deve ser considerado com atenção: uma ficha técnica pode ser útil, mas desinteressante para um leigo; textos muito compridos afugentam quem não dispõe de tempo. O ideal é que texto e imagem se complementem e se potencializem. Páginas de texto institucional são bem-vindas, e se pudermos juntar imagens a essas informações, melhor. Notícias deixam o usuário a par do que o escritório tem feito e podem ser um gancho para que ele volte", explica Tadzio Saraiva, da Amatraca.
Como a maior parte das informações serão expostas de forma visual, as imagens e fotografias devem apresentar ótima qualidade, de preferência feitas por profissionais experientes. Por outro lado, esse recurso torna o tempo de carregamento maior. Geralmente websites projetados em Flash são melhores para visualização de projetos. "Há um tempo para carregá-los mas em seguida é possível navegar sem precisar esperar para visualizá-los", completa Maurício Galasso.
Ferramentas e possibilidades
Além do portfólio, o website pode trazer links para contato e para outros sites e blogs, informações institucionais sobre o escritório, missão, perfil profissional dos principais arquitetos, artigos, galeria de fotos, prêmios conquistados e clientes relevantes. A tecnologia de banda larga tem tornado possível a inserção de vídeos, um recurso cada vez mais utilizado.
Se a idéia for usar o site como ponto de contato com a marca do escritório, é fundamental mantê-lo sempre atualizado. "Quando bem-feito, esse trabalho pode aumentar a geração de novos negócios", acredita Marcel Okamoto, gerente de web da LEN. O ideal é atualizá-lo pelo menos uma vez por ano, substituindo projetos e informações que ficaram datadas pelos trabalhos mais recentes.
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