A iluminação vinda da cobertura, das janelas e até mesmo da luz emitida pelos monitores dos computadores, é considerada ideal para o ambiente de trabalho. Para isso, na parte mais alta da cobertura há uma espécie de pequeno telhado sobreposto à cobertura principal, separado desta por 40 cm. A luz natural entra por essa abertura - chamada por Stagno de "monitor central" -, garantindo a economia energética. "A luz exterior é suavizada pela vegetação e entra refletida pelas ondas em direção às janelas, produzindo uma suave sombra que descansa os olhos", explica o arquiteto.
Devido às fontes de energia disponíveis na Costa Rica, não houve necessidade de sistemas de energia solar nos prédios. "Mais que uma questão de orçamento, não usamos células fotovoltaicas porque no país cerca de 92% da energia é produzida por fontes renováveis, então não é prático buscar soluções fotovoltaicas que requerem bancos de baterias", afirma.
O reúso de água também ganhou atenção no projeto. Um grande tanque de retenção de água da chuva foi construído para alimentar um microssistema de irrigação da relva que cobre o terreno. Segundo o arquiteto, na região chega a chover cerca de 2.800 mm nos oito meses da época de chuvas, dado que justifica ainda mais a medida. A água que rega os jardins, por sua vez, vem de uma pequena estação de tratamento de água construída (e enterrada) na área verde em frente ao prédio, enquanto o consumo de água potável conta com um poço profundo construído para desafogar a rede pública.
Além dos cedros espalhados pelo terreno, papoulas amarelas foram colocadas em floreiras nas fachadas e bambu nas fronteiras para mitigar a incidência solar horizontal que ocorre nas tardes. "O mais atrativo nesse projeto é a sintonia que tem com seu entorno paisagístico, e o fato de se reconhecer nos edifícios uma inspiração nas construções feitas nas colônias de exploração da banana na primeira metade do século 20, um excelente exemplo de arquitetura bioclimática", diz Stagno.
Dentro de um lote de 8.376 m², o projeto conta com 5.191 m² de área construída, distribuída em três edifícios. Dois deles, com três pavimentos, ficam localizados próximos à rua e é onde estão os escritórios e estacionamentos na planta baixa. O terceiro edifício possui dois pavimentos, onde funcionam a cafeteria com refeitório e cozinha no pavimento superior e uma sala de reuniões para 50 pessoas no inferior. Todos os prédios contam com áreas externas para fumantes e atividades informais, além de espaços internos de recreação e convivência.
FICHA TÉCNICA
Projeto de arquitetura: Bruno Stagno Arquitecto y Asociados
Assistente: Carlos Araya
Paisagismo: Jimena Ugarte
Engenharia estrutural: Edwin Espinosa
Engenharia eletromecânica: Tecnoconsult
Construtora: EMSA, Edificadora Moderna
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