Responsável pela arquitetura de interiores do escritório da Camargo Corrêa Internacional, a arquiteta Bela Gebara, do escritório GCSA, tinha como desafio criar espaços que não só atendessem às necessidades da empresa, mas que também traduzissem sua imagem, associada aos conceitos de inovação, eficiência, sustentabilidade e identidade brasileira. O projeto, em que predominam os matizes do cinza e do amarelo, traz destaques como uma parede construída com madeira de demolição e painéis luminosos com fotos de obras.
Bela Gebara explica que a peroba de demolição, impecavelmente empregada na confecção de uma das paredes do espaço, remete à sustentabilidade, ao Brasil e ao canteiro de obras, fazendo uma associação direta com o cotidiano da empresa. Já os painéis fotográficos feitos em PVC tensionado estariam associados a valores como futuro e tecnologia. Além de servirem como portfólio - cada painel reúne mais de quinhentas fotos de obras da empresa - os elementos (retroiluminados por lâmpadas fluorescentes) iluminam de forma difusa as duas recepções, onde foram implantados.
Uma das mudanças mais importantes em termos de layout foi a criação de duas recepções grandes em lados opostos do escritório, uma para uso geral e outra para vips. "Apesar de serem 'frentes de chegadas distintas', as duas recepções carregam a mesma linguagem, os mesmos materiais, ou seja, a mesma identidade", explica Bela, para quem tais espaços deveriam ser cuidadosamente pensados, a fim de gerar o melhor impacto possível. "As recepções são os cartões de visita da empresa", justifica.
No projeto, a estrutura modular serviu como aliada para a realização de um "desenho limpo e coerente" das paredes e divisórias. As colunas de concreto aparente do pavimento, de 900 m², foram plenamente incorporadas aos ambientes. "Para mim, o conceito do projeto de arquitetura passa pelo da volumetria, ou seja, daquilo que eu quero criar volumetricamente para o espaço. Nesse sentido, os materiais são usados para construir a volumetria e não somente para revesti-la ou encapá-la", afirma Bela. Ela cita como exemplo as duas paredes construídas com peroba de demolição que determinam um dos eixos principais do projeto, e que são compartilhadas por ambientes distintos como recepções, sala da presidência e de videoconferência.
Nessas salas, a textura das paredes de peroba é valorizada pela iluminação rasante (wall-wash) que dá um efeito dramático aos espaços. Lâmpadas e equipamentos de longa vida útil e baixo consumo foram utilizados nas áreas de staff e diretoria, onde privilegiou-se luminárias de alto rendimento com bom controle de brilho e ofuscamento. Para complementar a luz difusa dos painéis, os espaços de estar nas recepções foram iluminados com lâmpadas halógenas.
O cinza e o amarelo, cores do logotipo da empresa, foram criteriosamente empregados nos carpetes, divisórias, paredes e mobiliário, trazendo unidade visual aos espaços. O amarelo, em diferentes nuances, pode ser encontrado na madeira de demolição, no carpete, nas divisórias externas das estações de trabalho e nas poltronas Egg da recepção. A cor predomina, no entanto, na sala da presidência, onde um díptico do artista Celso Orsini quebra a homogeneidade da cor, dialogando, segundo as arquitetas, com a madeira de demolição. O mesmo efeito é propiciado pelo tapete artesanal encaixado no carpete em que predomina o tom ocre.
O cinza dos painéis fotográficos das recepções também está presente no laminado texturizado dos armários-divisórias, em grafite, e em alguns trechos dos carpetes que, aliás, trazem várias nuances da cor.
"As cores passam de um material a outro de forma a conferir uma unidade ao projeto. Assim, evitamos os contrastes e buscamos uma combinação harmônica", explica Bela Gebara, que integra o GCSA com as arquitetas Gisele Conde e Patrícia Sinisgalli. Em 2008, o escritório venceu o 5o Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa com o projeto de ampliação do Hospital Nossa Senhora de Lourdes, em São Paulo.
PORTRAIT OF A COMPANY
Responsible for the interior architecture of the Camargo Corrêa Internacional offices, architect Bela Gebara, from the GCSA office, had the challenge of creating spaces to serve the company's needs and to present their image, associated to the innovation, efficiency, sustainability and Brazilian identity concepts. The project, in which hues of gray and yellow predominate, has highlights such as a wall built from demolition wood scrap and backlit panels with pictures of their work. Bela Gebara explains that the demolition peroba wood, impeccably employed in raising one of the walls of the space, remits to sustainability, to Brazil and to the working sites, making a direct association with the company's day-to-day. Meanwhile, the stretched PVC photographic panels could be associated to values such as future and technology. In addition to serving as portfolios - each panel has over five hundred pictures of the company's endeavors - the piece (backlit by fluorescent lamps) illuminate in a diffuse manner the two receptions where they were installed.
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