Rasgar um pedaço da laje do pavimento superior, valorizando os elementos arquitetônicos. Essa foi a solução adotada no projeto traçado por Dória Lopes Fiuza Arquitetos Associados para transformar a antiga residência no Batel, em Curitiba, em empresa - detalhe: sem colocá-la abaixo. "Na verdade seria mais fácil demolir toda a casa e construir o escritório do zero. Mas a legislação não permitia", revela Vivian B. Millarch, arquiteta colaboradora do projeto.
A interferência fez toda a diferença no resultado final da nova sede do escritório de advocacia Treiger Grupenmacher, que precisava de mais espaço para sua equipe, arquivos e livros, e pretendia oferecer mais conforto aos clientes. A partir dela, nasceu a recepção transparente com pé-direito duplo que arejou e deu o tom corporativo à edificação, e é marcada pelas linhas dos painéis que cortam o espaço e compõem os blocos da fachada.
Panos de vidro fixados em estrutura metálica foram usados no fechamento e cobertura desse setor da construção, trazendo luz natural à recepção e promovendo maior integração com o exterior. A escada vazada e o elevador com caixa de vidro são tratados de forma leve de modo a não obstruir a visão de todo o volume.
Para contrapor com a transparência e a monotonia do branco e criar unidade entre o interno e o externo, os arquitetos recorreram ao laminado TS em tom madeira, da Formica, como revestimento da garagem e da empena que atravessa o escritório, gesto que revela a contemporaneidade dos arquitetos da Dória Lopes Fiuza Arquitetos Associados, discípulos da Escola Modernista de Curitiba.
O layout da residência possuía ambientes menos compartimentados. Agora, o vão com pé-direito duplo centraliza a distribuição dos ambientes que foram idealizados para atender especificamente o escritório que conta hoje com uma equipe formada por uma recepcionista, uma secretária, três estagiários e quatro advogados, além da advogada-diretora.
Para isso, algumas paredes foram derrubadas e outras criadas com drywall. De 210 m², a edificação passou a ter 342,70 m² com a instalação da garagem e a ampliação de uma das salas. Assim, os estagiários compartilham a mesma sala e os advogados possuem cada um a sua própria, uma necessidade para preservar a privacidade do cliente. Também foram previstas mais duas saletas para advogados que ainda não estão sendo utilizadas.
O fluxo é demarcado pelo piso de mármore, a partir da recepção, estendendo-se até a sala de reuniões. A madeira foi escolhida para cobrir o piso dos ambientes adjacentes e o carpete para os espaços do andar superior. A sala de reuniões, a biblioteca e a sala da diretora requeriam bastante formalidade. Nesses ambientes, a mistura de imbuia, mármore e couro deu o toque elegante que se pretendia. Já a copa e os banheiros foram tratados de forma mais descontraída. O resultado foram espaços criativos, com a aplicação de pastilhas vermelhas e naturais, de casca de coco, respectivamente.
Os arquitetos desenharam grande parte do mobiliário, buscando criar uma identidade visual para o escritório. O gosto pelo design se reflete na escolha da poltrona Zapf, criação do designer Otto Zapf, para a sala da diretora. Um dos desafios do projeto foi a sala de reuniões, que deveria ser flexível e se adaptar a um layout de conferências. A solução foi um projeto especial para a mesa, feita de módulos que se encaixam e que se transformam em mesas menores, adequadas para as conferências.
O projeto de iluminação previu efeitos interessantes com o direcionamento da iluminação para os elementos estruturais, valorizando a arquitetura e os painéis de livros, e ressaltando os desenhos criados no forro. As arandelas e os pendentes também enfatizam a preferência da advogada por peças de design. Na sala da diretora, na biblioteca e na sala de reuniões obteve-se ótimo resultado com a utilização de spots de refletor assimétrico em frente às estantes de madeira com livros, garantindo uma iluminação homogênea do piso até o forro.
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