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Administração aberta
Edo rocha amplia espaços com uso de bancadas únicas e poucas divisórias. o resultado é um ambiente corporativo mais iluminado e igualitário

POR GIOVANNY GEROLLA FOTOS CARLOS GUELLER

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O edifício-sede do Unibanco, na avenida Eusébio Matoso, em São Paulo, já vinha passando pela execução de um projeto de retrofit desenvolvido pela Edo Rocha Espaços Corporativos. A esse trabalho somaram-se três andares do novo Eldorado Business Tower, que fica logo ao lado e deve abrigar áreas de marketing, recursos humanos e parte do setor administrativo do banco. Essas áreas já não encontravam mais espaço suficiente para suas atividades no prédio principal. 

Assim, o projeto de ocupação dos 13º, 17º e 20º andares do Eldorado segue o padrão estudado pela Edo Rocha para todas as obras do Unibanco, adaptando-o ao recém-concluído edifício. Esse padrão, por sua vez, não visa a alterações prediais estruturais, mas adapta a necessidade do cliente à arquitetura do edifício, separando áreas operacionais e de clientes, salas de reunião, além de especificar estações de trabalhos e acabamentos para pisos, paredes e divisórias.

Um dos pontos de partida no projeto de arquitetura de interiores são as estações de trabalho, que seguem tendência internacional em que a distribuição de bancadas para espaços abertos busca proporcionar integração visual às equipes de trabalho. O conceito-chave foi a transparência e o aproveitamento máximo da luminosidade natural provinda da pele de vidro da fachada do edifício.

"Somente em espaços onde a privacidade era estritamente necessária, como para o trabalho de equipes específicas em recursos humanos ou salas de reuniões, optou-se por divisórias piso-teto", explica Edo Rocha. Salvo exceções, toda a hierarquia administrativa encontra-se em um mesmo espaço aberto, com grandes bancadas usadas pelo staff operacional ou, junto delas, mesas para gestores do departamento (gerentes, diretores, superintendentes), sem a separação rígida das divisórias.

Para onde tivessem de ser colocadas, a requisição do cliente era que essas divisórias fossem industriais, já que soluções modulares facilitam a mudança do layout dos espaços, o que é muito comum e necessário em setores administrativos bancários. As divisórias industriais de laminado melamínico ainda facilitam a limpeza e manutenção", acrescenta o arquiteto. Para áreas de trabalho, foi escolhida a cor branca, acompanhando as bancadas, enquanto as das salas de reunião foram feitas de laminado madeirado.

"Entre as salas há painéis cegos, revestidos de laminado e sem aberturas; já às frentes foram adicionadas folhas de vidro, para que se aproveitasse a entrada de luz natural", aponta o arquiteto. Dessa forma, as paredes internas das áreas de reunião têm laminado em combinação com um vidro leitoso, o que não deixa os corredores escuros e garante a privacidade de quem ocupa a sala. "Por todo o vidro seguem aletas de madeira, pois persianas permitiriam aos usuários fechar a sala e impedir a entrada de luz nos corredores, em algum momento."

Portas trazem o mesmo padrão em laminado melamínico e vidro leitoso com aletas, só que levam puxador de aço inox, que se confunde com as aletas, por ser instalado horizontalmente. "O sistema de divisórias foi especialmente criado pela Edo Rocha e fabricado pela Abatex para esse projeto", conta Edo.

A diferença básica entre o mobiliário das áreas de trabalho e das salas de reunião está na cor: nos espaços abertos, branco para bancadas e azul nas cadeiras (o que remete ao logotipo da empresa); em áreas mais privadas, o madeirado, acompanhando cadeiras de assentos em couro ecológico branco e encosto de tela preta. Bancadas e mesas têm estruturas metálicas.

As salas de reunião foram colocadas junto à recepção - a entrada é uma porta de correr automática, de vidro transparente. Dela parte o piso de mármore branco piguês, até o pé do balcão, onde fica também o sistema de iluminação Line Light, desenvolvido para prateleiras, sancas, detalhes de arquitetura e marcenaria com lâmpadas xenon de longa durabilidade (frost 5 W).

Atrás do balcão, outro vidro transparente, só que dessa vez com o logotipo do banco. "Nessa área mais nobre, o forro modular é de madeira, e a iluminação, diferenciada, com pontos no piso e no forro", mostra o arquiteto. "Apesar de enclausurada, a recepção não fica escura, porque em todo seu contorno estão as divisórias das salas de reunião, envidraçadas, que conduzem a luz natural."

Acústica e iluminação
O conforto ambiental foi outro critério de grande importância no projeto - e a acústica, o principal ponto considerado. O fato de os três andares serem abertos, com poucas divisões, exigiu que o ruído do ambiente de trabalho fosse minimizado: em todo escritório usou-se o carpete nos pisos, além de forro modular em fibra mineral acústica de índice de absorção NRC 90 (o mais alto).

Toda área de circulação junto ao core (elevadores, hall, sanitários e serviços, como café, equipamentos de impressão e arquivos) foi demarcada com um piso em PVC madeirado de bom desempenho acústico. Assim como o carpete, o PVC foi aplicado diretamente sobre o piso elevado já pré-existente no andar. Para complementar a eficiência acústica dos ambientes, o miolo das divisórias foi preenchido com lã de rocha.

Para que a luz natural pudesse ser aproveitada igualmente por todos os funcionários presentes, bancadas foram dispostas perpendicularmente à fachada de vidro. Além disso, o Eldorado Tower possui um padrão para cor e intensidade da iluminação artificial interna da fachada: a sanca deveria dispor lâmpadas T5 de 28 W, com intensidade de cor 3.000 K. A Edo Rocha também teve de seguir o padrão imposto para cortinas: a rolô motorizada (Uniflex), com tecido silver screen, em sistema de automação integrado ao edifício. "O prédio segue conceito de arquitetura "green building", segundo o qual persianas abrem e fecham respeitando o melhor aproveitamento da luz natural e não podem ser acionadas pelos usuários dos andares", explica Edo Rocha.

OPEN ADMINISTRATION
The project for occupying the 13th, 17th and 20th floors in Eldorado Tower, a green building in São Paulo, follows the standard studied by Edo Rocha Espaços Corporativos for all the Unibanco buildings, adapting it to the recently finished tower. One of the interior architecture project starting points are the workstations, which follow the international trend in which the distribution of workstations in open spaces seeks to provide visual integration among the collaborating teams. The key concept was transparency and taking the maximum possible advantage of natural lighting from the building facade's glass skin. "Only in spaces where privacy was strictly needed, such as for the work of specific teams in human resources or meeting rooms, the option was for floor to ceiling partitions", explains Edo Rocha. Another point considered was the acoustic comfort. The fact that the three floors are open, with only a few partitions, required a reduction in the work environment noise: carpeting was used in the entire office floors, in addition to an acoustic mineral fiber modular ceiling with a noise absorption index of NRC 90 (the highest).

 



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