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1928 A inauguração do edifício Alexandre Mackenzie, em São Paulo, foi um marco da arquitetura corporativa baseada nos modelos norte-americanos dos arranha-céus (projeto de Preston e Curtis executado pelo escritório de Ramos de Azevedo, Severo e Villares). Sede da Light Power Company, o layout seguia o taylorismo, organização rígida pautada no modelo fabril. A planta do edifício da Light era um espaço aberto com a hierarquia refletida na disposição das estações, no tipo de mobiliário e nas salas fechadas onde ficavam os gerentes.
1936 Frank Lloyd Wright desenhou o escritório da fábrica Johnson & Son, em Wisconsin, Estados Unidos, com os interiores e criação de mobiliário, fabricado pela Steelcase. Com o tampo de madeira e estrutura de aço, a forma curva das mesas também é funcional na medida em que facilita a circulação entre elas. Os interiores revelam, pela arquitetura, o poder como importante imagem corporativa e o tamanho diminuto do homem diante das corporações.
1952 O projeto do SOM para a Lever House, em Nova York, propõe um edifício em chamada planta livre, de estrutura periférica (laje aberta), com o uso de algumas divisórias. O mobiliário é de aço e as mesas não fogem ao padrão: acompanham a tecnologia da lâmpada fluorescente e do sistema de ar-condicionado central. O design quadrado propõe superfícies mais reduzidas para o trabalho, além de uma certa organização do escritório com os arquivos.
1960 É marcante a presença das divisórias, que seguem o conceito da modulação de espaços, nesse projeto da SOM para o Union Carbide Building em Nova York. A mesa representa, assim, uma continuidade da modulação - elas são articuladas às divisórias. Há uma estreita relação de dimensões que partem do forro e descem pelas divisórias, chegando às mesas, que se "encaixam" ao sistema.
1964 Em projeto de Eero Saarinen, a mesa de madeira usa o pilar como base de sustentação: ela tem pé diferenciado, de forma que parece flutuar. A superfície de trabalho está apoiada em um eixo central e o gaveteiro também permanece suspenso. A generosidade para a circulação é característica predominante no projeto.
1978 Richard Rogers estudou estações de trabalho e desenvolveu a idéia de um produto que pudesse ser transportado e representasse o escritório flexível, um pouco antes do surgimento do computador como ferramenta de trabalho. São notáveis as posições da máquina de escrever elétrica, luminária, gaveteiro e divisória.
1983 A inauguração do Citicorp (Aflalo & Gasperini) em São Paulo traz ao Brasil uma mudança de visão aos escritórios - tanto na organização física quanto na do trabalho dentro das empresas, evitando a herança administrativa autoritária e rígida. Aqui, o ambiente de trabalho projetado por Roberto Loeb seguiu padrões da Citicorp de Nova York, com o conceito de escritório aberto e estações de trabalho separadas por biombos de 90 cm. As estações de trabalho foram padronizadas por tipo e função, diferenciando-se pelo desenho e dimensão.
1986 Na era do computador, os materiais mais leves, como compensado e alumínio, já estavam bem presentes. O desenho da mesa perde sua tradicional cara de arquivo, para dar lugar às cores e transparências, como gaveteiros de pasta suspensa. Na foto, computador e máquina de escrever ainda estão juntos em uma superfície em "L", que já tem aspecto de ilha de trabalho.
1990 Na virada da década, móveis com passagem de fiação em seu interior, aproveitamento do espaço vertical e da metragem quadrada do escritório marcam os produtos disponíveis. Os móveis adquirem várias funções - como mesa e divisor de ambiente, com uso de perfilados de aço, MDP, alumínio e termoplásticos. A pintura pode ser epóxi e os tampos levam texturas em padrões da época.
2000 A força mercadológica dos estudos ergonômicos ganha espaço no mercado, onde acolher o ser humano e agregar ilhas de trabalho é o mote central. O notebook é elemento crucial sobre a mesa de componentes simples e facilmente montáveis e flexíveis, gerando mais conforto ao usuário e ao empresário que opta pelo layout mais conveniente, a cada momento.
Futuro O designer e arquiteto Ronaldo Duschenes esboçou como acredita que será o espaço de trabalho do futuro: cada vez mais abertos - e por que não ao ar livre? - a mesa vai se tornar um elemento presente somente em caso de necessidade real. As formas retangulares que dificultam o "olho no olho" nas salas de reunião serão suprimidas, dando lugar a espaçosos sofás; a luz natural será muito valorizada e o tamanho do monitor será igual ao espaço de superfície útil da mesa, para quem acompanha movimentações financeiras por teleconferências. A ergonomia, o conforto do usuário, e o não-desperdício de materiais conduzirão o desenho de produtos; a flexibilidade máxima exigida refletirá o uso revezado de ilhas de trabalho, onde nem o homem, e nem mesmo computadores terão posições fixas. |