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Brasil

Inclinação para o verde
As duas primeiras das quatro torres do conjunto rochaverá corporate towers acabam de ser concluídas. construídas na marginal pinheiros junto a outros edifícios de escritórios de alto padrão, reúnem expressividade arquitetônica, tecnologia e certificação de sustentabilidade

POR LEDY VALPORTO LEAL FOTOS MARCELO SCANDAROLI

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Volumes assimétricos e justapostos, implantação em ângulos não ortogonais, alta tecnologia, paisagismo exuberante e filosofia focada na sustentabilidade são características marcantes do mais novo complexo de escritórios de São Paulo, o Rochaverá Corporate Towers. Iniciativa da Tishman Speyer, o projeto arquitetônico leva a assinatura do escritório Aflalo & Gasperini, e se destaca no skyline da cidade dado o perfil inusitado de seus edifícios. Implantado na região da Marginal Pinheiros e Avenida Eng. Luis Carlos Berrini, o empreendimento ocupa um terreno de aproximadamente 34 mil m² com três frentes, a principal delas voltada para a avenida Nações Unidas, junto à Estação Morumbi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e aos shoppings Morumbi e Market Place.

Com investimento total da ordem de 600 milhões de reais, o Rochaverá surge reforçando a tendência dos prédios verdes construídos ultimamente, de acordo com as normas exigidas pelo Green Building Council (organização norte-americana já instalada no Brasil) com a pré-certificação na categoria Gold, segundo o sistema norte-americano LEED (Leadership in Energy and Environmental Design).

Serão quatro torres totalizando 228 mil m² de área construída, dos quais 120 mil m² de área locável. As duas primeiras são idênticas e designadas por A (a ser entregue em setembro deste ano) e B (concluída e já ocupada por várias empresas), somando 113 mil m² construídos, 58 mil m² desses locáveis. A área de laje dos prédios cresce a cada pavimento, começando com 1.642 m² no primeiro andar até 1.976 m² no 16o. As duas torres se destacam pela inclinação de nove graus de uma das fachadas, o que resultou na projeção de 12 m, criando um efeito estético elegante e harmonioso.

Além da intenção formal, a solução apresenta razão econômica, pois os andares superiores, normalmente mais valorizados devido à vista e à redução dos ruídos, tornam-se ainda mais rentáveis com o aumento das dimensões. Segundo o arquiteto Roberto Aflalo, o propósito foi "utilizar várias linguagens arquitetônicas, estabelecendo um diálogo harmônico entre elas e fugir do óbvio". A torre C terá 28 pavimentos e a D somente oito, já reservados para as instalações da empresa Dow Chemical Company e suas subsidiárias.

Cada pavimento, que pode ser usado por até quatro empresas, tem um lease span (distância entre o plano das fachadas e o núcleo central) de 11,40 m, livre de colunas. O lease span alcança 21,30 m na face inclinada do último pavimento.

Nesse núcleo estão instalados oito elevadores sociais e um de serviço, além das escadas de emergência, sanitários e dependências para telecomunicações, instalações elétricas, hidráulicas, de ar-condicionado e de combate a incêndio.

Os ambientes de trabalho, com 2,80 m de pé-direito, possuem flexibilidade de layout em função de pisos elevados de 15 cm e forros suspensos. De acordo com a necessidade de cada empresa poderão ser instalados sanitários e copas privativas em prumadas de água e esgoto localizados na periferia das torres. 

O lobby, no térreo, com pé-direito de 6,74 m, além de recepção e catracas, tem onze elevadores (oito sociais distribuídos em zona baixa e alta, um de serviço e dois de acesso às garagens).

O complexo será dotado de 3.446 vagas de garagem instaladas em três subsolos nas torres A e B, quatro subsolos nas torres C e D, além de um edifício-garagem de cinco pavimentos. A área total construída para estacionamento é de cerca de 120 mil m², o que implica a oferta de uma vaga para cada 35 m² de área locável.

DESLOCAMENTO HORIZONTAL

A inclinação de 12 m produziu grandes forças horizontais, que, segundo o engenheiro Mario Franco, responsável pelo cálculo estrutural dos edifícios do conjunto Rochaverá Corporate Towers, projeto do escritório Aflalo & Gasperini, precisaram ser controladas. "Calculamos que o deslocamento horizontal do topo devido a essa inclinação dos pilares é de 6 cm, o que implicou a necessidade de providenciar folgas nos caixilhos e nos painéis pré-moldados de concreto", explica.

Outra dificuldade relacionada ao cálculo estrutural decorreu das dimensões generosas dos vãos livres do lease span. "Utilizamos uma estrutura totalmente protendida, com nervuras de 39 cm de espessura, distanciadas 60 cm entre si, com o que foi possível anular as deformações nos andares." Sob essas nervuras passam todas as instalações, deixando espaço suficiente inclusive para os dutos de ar-condicionado e assegurando um pé-direito livre de 2,80 m. A carga considerada para as lajes é de 300 kg/m², prevendo-se, para uma área próxima ao núcleo central, uma carga de até 1.200 kg/m² para arquivos mais pesados.

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Fernando Cals de Oliveira [13/08/2008 22:10]Mensagem imprópria? Clique aqui

Mesmo sabendo da categoria do escritorio Aflalo & Gasperini, dos melhores do Brasil, mesmo sentindo na proposta o cuidado e elaboração típica dos grandes projetos de Arquitetura, vejo nessas inclinações das fachadas, um mero pretexto de fazer diferente, uma pirotecnia desnecessária.Tenho a certeza de que, fazendo algo menos midiático, o projeto seria melhor.Mesmo assim, grande trabalho.Parabéns!
 
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